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A perda de interesse por relações humanas

Até o final do século, a população do Japão vai cair pela metade. E um dos grandes motivos é que os japoneses estão perdendo o interesse por relações humanas. Uma quantidade significante de pessoas no país prefere gastar seu tempo e dinheiro com outras coisas. Aliás, tem gente que paga outras pessoas para ter carinho ou simplesmente conversar.

Recentemente inaugurada, uma loja em Tóquio oferece nada mais nada menos do que cafuné e abraços. O serviço que custa cerca de R$150 por hora está atraindo “homens solitários” que simplesmente desejam dormir com uma mulher sem ter relações sexuais. Segundo o gerente, os homens japoneses estão cansados ​​das excessivas horas de trabalho e por isso querem se sentir amados e necessitam que alguém cuide deles.

Os “produtos” bizarros que a loja Soineya “vende”:

Pagar pra receber carinho? Quem trabalha muito pode até dar a desculpa que não possui tempo para namorar. Contudo, o que as pesquisas indicam é que há muito mais falta de interesse do que falta de tempo. Pessoas abaixo dos 40 anos não querem saber de relações convencionais. Milhões não estão mesmo namorando e aproximadamente um terço dos japoneses nunca tiveram qualquer tipo de experiência amorosa.

ReproduçãoIsso anda chamando a atenção do governo japonês, afinal a população está diminuindo drasticamente. As pessoas não querem nem saber de beijo e sexo, filhos então, nem pensar. Pra você ter uma noção de como a taxa de natalidade está feia por lá, as vendas de fraldas geriátricas ultrapassaram as de fraldas para bebês em 2012.

O governo japonês pode estar preocupado na falta de reprodução e numa possível extinção da população caso a situação continue assim. Mas o que é mais preocupante é essa falta de tato e uma decorrente desumanização em massa. Isto é, 61% dos homens e 49% das mulheres são solteiros, mas não é algo assustador, afinal ser solteiro não significa ser incompetente.  O assustador é o que constatou a pesquisa realizada pela Associação de Planejamento Familiar do Japão:  45% das mulheres jovens e mais de 1/4 dos homens não sentem interesse nenhum por sexo. E não é por falta de vontade ou coisa parecida. Eles pensem duas vezes antes de namorar alguém em 3D. Pois é. Os jovens adultos preferem relacionamentos virtuais aos reais. “Não é saudável que as pessoas sejam tão desconectadas umas das outras fisicamente”, disse Ai Aoyama, conselheira de sexo e relacionamento numa entrevista para o The Guardian. “Sexo com outra pessoa é uma necessidade humana que produz sensação de bem estar e ajuda as pessoas a encarar melhor a vida cotidiana.”

Além disso, a depressão também está na lista de causas dessa perda de interesse por relações humanas. É grande o número de jovens que não têm muita perspectiva de vida. O Japão é um dos países com mais índice de suicídio no mundo. Em 2003, o país bateu recorde de números de suicídio, chegando a 34.427 mortes.  Tanto homens quanto mulheres que consultam um terapeuta não vêem nenhuma razão para amar, acreditando que o amor não leva a lugar nenhum.  Por isso, essa geração prefere ingerir um amor enlatado e sem gosto. Evitam ao máximo relacionamentos românticos para poder se concentrar no trabalho. Galera, trabalho não é tudo na vida.

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Acho interessante comentar que no Brasil (apesar de também estarmos vivendo tempos de falta de interesse) repara-se entre  amigos que todo mundo ainda busca um relacionamento. Todo mundo tem aquele amigo que está desesperado pronto para começar a viver um grande amor. Ainda tem gente que acredita em romance. Aqui, parece que existe muito mais falta de oportunidade do que falta de esperança. Às vezes é só uma questão de autoestima ou te ter a mente aberta e ser menos chato resistente. Entretanto, tem muita gente que desistiu ou nem sente vontade de tentar. Aliás, mal tem amigos. Num site chamado Rent a Friend, você “aluga” um amigo para ser um parceiro em atividades como fotografia, ir ao zoológico, nadar, passear de balão, jogar boliche, cozinhar, etc. Esse site já chegou ao Brasil e no resto do mundo.

Realmente, não é fácil conviver com outra pessoa. É preciso ter (muita) paciência e jogo de cintura. Um relacionamento sério envolve confiança e outras coisinhas complicadas. Mas isso é o que nos torna humanos. Essa maluquice toda de ciúmes, de loucuras de amor, de fofuras, abraços, cafunés, briguinhas e afins.

No Japão – e provoco ao dizer que muito provavelmente em muitos outros países na Europa também, as pessoas estão virando robôs. Porém, toda essa crise de humanidade não é culpa só das redes sociais ou dos celulares. Nem é só culpa do estilo de vida ( mundo moderno que prioriza a carreira). A culpa é nossa. A tecnologia não é a grande culpada dessa desumanização de nossa geração, é apenas o meio. E o meio como usamos. Partilhamos nossa intimidade na internet como se escrevêssemos um diário. Mas é tudo compartilhado em vão, num espaço desconhecido e invisível, que logo mais será completamente esquecido. Esquecemos da vida real, a vida que é muito melhor exatamente por não ser perfeita e programada como um jogo de computador. Esquecemos o que exatamente nos torna humanos.

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Será que daqui um tempo vai existir um mercado do amor? Iremos comprar um pedaço de abraço, carinhos pela metade e insinceros, amor à prestação, felicidade perecível.

Os japoneses assim outras nações podem estar totalmente desiludidos com o amor. Quem nunca? Mas (sendo brega mesmo) o amor é o combustível da vida. Metade do planeta e 99% das músicas e poesias não existiriam se não fosse por pessoas apaixonadas, impulsionadas por amor. Isso pode parecer ridículo, mas é verdade. Além do mais, ridículo mesmo é quem nunca escreveu cartas de amor.

É uma chatice mesmo que a sociedade impõe que a gente case e tenha filhos porque-aí-seremos-plenamente-felizes. Não é bem assim. MAS, vale lembrar que a verdadeira felicidade é aquela que pode ser compartilhada com alguém. Por isso, vale a pena fazer um esforço e não ficar matematicamente calculando os contos de fada. O amor não pode morrer.

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Categorias: Comportamento

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