São Paulo sombria

Érica Perazza  

Das poucas lendas urbanas que São Paulo possui, umas delas vêm da história sobre o Edifício Joelma e o mistério das 13 almas. O lugar entrou para a história, não por menos, como mal assombrado. Hoje em dia, casos e casos são noticiados repetidas vezes na mídia, depois esquecidos. Outros tantos não são solucionados. Mas logo, tudo volta ao normal e um novo caso começa a assolar as chamadas dos jornais. Mas este caso que marcou uma época ainda provoca receios e poucos realmente se esqueceram. 

A história do terreno

Nos tempos da escravidão, o terreno dava lugar a um pelourinho, onde se aplicavam castigos aos escravos. Dizem que um tempo após a abolição, pessoas podiam ouvir vozes e ainda gritos de dor. Mais tarde, no século XX, foi construída uma casa onde morava um rapaz de 26 anos, professor de química orgânica da USP chamado Paulo Ferreira de Camargo, com sua mãe Benedita e duas irmãs, Cordélia e Maria Antonieta.

O desaparecimento súbito das mulheres levou um vizinho fazer uma denúncia a polícia. Paulo era o principal suspeito por assassiná-las a tiros e enterrá-las no jardim. Os motivos? Bom, os verdadeiros, se é que há razão em assassinatos, nunca foram descobertos. Havia a versão de que elas estavam descontentes com seu relacionamento com a empregada ou que talvez elas estivessem muito doentes e Paulo não tinha meios para tomar conta delas. 

A polícia entrou em sua casa e começou a cavar o poço que supostamente estavam sepultados os corpos. Neste ínterim, o rapaz pediu para ir ao banheiro. De lá de dentro, ouviu-se um disparo. Paulo suicidou-se com um tiro no coração. Um dos bombeiros que participou do resgate dos corpos do poço morreu de infecção cadavérica. Estre crime na época abalara a sociedade e ficou conhecido como “O Crime do Poço”.

O edifício

Quase trinta anos depois, foi finalmente levantado o Edifício Joelma, localizado precisamente no número 225 da Avenida Nove de Julho. No primeiro dia do mês de fevereiro de 1974,  por volta das 08h50, um funcionário ouviu um barulho de vidro quebrando de um dos escritórios do 12º andar. Quando foi até lá, verificou que o condicionador de ar estava queimando. Logo, para se prevenir, correu para desligar o quadro de luz. Porém, o fogo continuou pela fiação do prédio, e quando cortinas pegaram fogo, o incêndio já avançava para as  placas combustíveis do forro. Este mesmo funcionário, tentou buscar um extintor portátil, mas quando voltou não dava mais entrar na sala. A fumaça e o calor se propagavam intensos a essa altura. O Ed. Joelma não dispunha de sinalização para abandono e controle de pânico, sistema de alarme manual ou automático ou qualquer controle de carga-incêndio, o que justifica a rápida propagação do incêndio. Além do mais, havia apenas uma escada e que ainda não era de segurança, isto é,  com paredes resistentes ao fogo e ventilação para evitar gases tóxicos.

Reprodução

Era preciso avisar as pessoas presentes no prédio que nem faziam ideia do que estava acontecendo. Alertadas e apavoradas, devido a demora do sistema elétrico dos elevadores ser afetado pelas chamas, elas começaram a fazer várias viagens em grupo através do elevador. Uma ascensorista, tentou salvar o máximo de vidas possível e conseguiu. Exceto a sua. Ela morreu no 20º andar.

Muitas pessoas foram resgatadas das áreas de banheiro por escadas mecânicas. O resgate por helicóptero foi dificultado por causa da alta temperatura que chegou a 700º C. Para escapar do calor, 40 pessoas pularam do  alto do edifício. Outras sobreviveram porque subiram no telhado do prédio ( que possuía telhas de cimento amianto) e ficaram se molhando com água das mangueiras.

Reprodução

Cento e oitenta e oito pessoas morreram e mais de 280 ficaram feridas. Entre as vítimas fatais, estão as treze pessoas que tentaram escapar por um elevador e morreram carbonizadas. Pelo estado dos cadáveres e como naquela época não existia ainda análise por DNA, estes corpos foram os únicos não identificados. Eles foram então enterrados  lado a lado no Cemitério São Pedro. A origem do mistério das Treze Almas se dá aos milagres atribuídos. Além disso, visitantes do cemitério garantem que escutam choros vindo da sepultura. Os soluços só cessam quando colocam água sobre a sepultura.

Em julho do mesmo ano, a investigação sobre as causas da tragédia foram concluídas e encaminhadas à justiça. Crefisul e a Termoclima, empresas responsáveis pela manutenção elétrica, foram apontadas como principais responsáveis pelo incêndio. O sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado, e ainda os registros dos hidrantes do prédio estavam fechados sem nenhum motivo plausível. Em abril de 1975, o resultado do julgamento foi a condenação de Kiril Petrov a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam pena de dois anos.

O Ed. Joelma ficou interditado para obras por quatro anos. Depois, foi renomeado de Edifício Praça da Bandeira.

Existe um filme que retrata o incêndio. Baseada na obra psicografada Somos seis, do médium Chico Xavier, o filme de 1978, Joelma 23º andar, conta a história de uma garota, Volquimar Carvalho dos Santos que entra em contato com a família mesmo depois de morta. O papel principal é interpretado pela atriz Beth Goulart.

Joelma

Anúncios

Tags:, , , , , , , ,

Categorias: Especial, São Paulo

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

4 Comentários em “São Paulo sombria”

  1. 10 de maio de 2010 às 19:01 #

    q horror,logo,logo vou entrar nesse edificio e ver as 13 almas eu sou medium

  2. celso teixeira ribeiro
    12 de maio de 2010 às 20:28 #

    foi a maior trgedia que que tive noticia, foi horrivel. que deus tenha consigo essas almas.

  3. Stefani
    13 de julho de 2010 às 22:48 #

    Moro na frente dele.

  4. Tiago M. de Sousa
    12 de agosto de 2010 às 17:03 #

    Estas pessoas estão dormindo no pó da terra. Espero que elas ressuscitem, junto com as outras, para a glória eterna na volta de Jesus Cristo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: