Sexo, preliminares e a libertinagem moral

Érica Perazza

Ele possui um olhar penetrante e intenso e ela, um andar seguro e provocante. Dão importância ao toque, as suas sensações se tornam onipresentes, um no outro, eles se entregam e se resgatam. Lá fora surgem olhos alheios arregalados, olhares de reprovação, exclamações silenciosas, gemidos de censura, mãos espalmadas, ouvidos atentos aos sussurros e suspiros ambíguos.

Todos os sentidos aguçados. O assunto é sexo. E percorreu os séculos, nos confessionários até chegar às mesas de bar.

Por mais que acreditem que ele era um pornógrafo, era um crítico de sua contemporaneidade. O libertino mais famoso da história, Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, é considerado um dos pioneiros da revolução sexual. Enquanto a sociedade conservadora condena o sexo, ele satiriza o predomínio do pensamento heterossexual. Autor de orgias sangrentas e romances invertidos e proibidos, Sade passou quase trinta anos preso por suas ideias e por seu comportamento sexual. Somente no começo do século XX, ele começou a ser valorizado pelos intelectuais.

Os anos 60 foram marcados pelo surgimento da pílula anticoncepcional e pela idéia de Hebert Marcuse de que a livre expressão da sexualidade humana traria desdobramentos políticos, igualitários e libertários. Nessa mesma época, surgiram movimentos de emancipação feminina. Elas, inclusive, pareciam mais disponíveis para o sexo sem compromisso. Um tempo depois, mais novidades: o aparecimento da indústria pornográfica e do sexo virtual. Esse novo cenário sexual trocou as mulheres de posição. Anteriormente, elas se deixavam serem submissas, tratadas como simples objeto. Hoje elas tomam iniciativas na hora H, estão mais abertas ao casual e inovam suas fantasias. Dizem sim quando querem, e rejeitam também. A sua palavra é a palavra final. Ou assim deveria ser.

Por outro lado, essa revolução sexual pós-moderna, causa um certo… stress. O número de pessoas que sofrem com insatisfação é considerável. Bastantes são as que seguem um padrão de comportamento “de fingir o que não sentem”. Elas buscam o orgasmo perfeito e pleno. E não o atingem.

A infelicidade sexual feminina, na percepção de Lu Riva, Personal Sexy Trainer que também atua como professora de Pompoarismo, se deve a questão de nossa cultura e pelo medo de acabar na vulgaridade.  “Muitas mulheres se escondem até de si mesmas, se apagam, não se permitem perceber, se tocar nem conhecer seu próprio corpo”.

Especialista no assunto de prazer feminino, Lu Riva também dá aulas de Striptease, dança do ventre, massagem sensual e é terapeuta tântrica. Ela é ainda autora do livro “10 lições práticas para Strip-Tease”. Para Lu, as pessoas confundem muito o conceito de ser sensual e vulgar. “O strip-tease não tem relação com a vulgaridade, mas sim com auto-estima e valorização. Não é á toa que hipnotiza e mexe com os cinco sentidos de quem você ama. Essa arte proporciona a mulher demonstrar a verdadeira diva que existe dentro dela, pois ela se permite ser sensual e envolvente”. Suas alunas buscam sua ajuda por diversos motivos, entre eles, para aprender a se soltar e a trabalhar a timidez, encontrar e resgatar a sua feminilidade. “Elas vêem até mesmo para ajudar a melhorar a saúde no curso de ‘pompoar’, que evita a queda do útero, bexiga, fortalece a musculatura vaginal evitando escape de urina e ajuda a tratar incontinência urinária, despertar a libido e a descobrir o prazer”.

A saúde sexual é tão importante quanto a mental e fisíca. Faz parte da vida. Para Lu Riva, “sexo faz bem para o coração – emocionalmente e fisicamente falando”. O coração trabalha mais rápido e isso aumenta a pressão arterial, preservando as artérias e a saúde cardíaca. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a atividade sexual como um dos índices que medem o nível de qualidade de vida. A prática é excelente exercício aeróbio e anaeróbio; alivia as tensões, ajuda no combate à depressão, revitaliza o corpo, estimula a mente e ainda queima calorias (cerca de 300 por hora).  Além do mais, durante o ato, é liberada uma substância chamada endorfina. Como um analségico natural, a endorfina mexe com os mecanismos cerebrais que controlam o humor, a resistência ao stress e à dor e, principalmente, as sensações de prazer.

Seria necessária uma nova revolução sexual? Lu Riva, acredita que, primeiramente, para isto ocorrer, “a mulher moderna deve saber que merece ser feliz, trabalhando a sua sexualidade com qualidade e sem culpa ou desculpas. Ser única, comprometida com a vida, ser mãe, esposa e principalmente ser mulher no sentido mais amplo que está palavra pode ter ou significar, conhecedora de si e de seus sentimentos”.

Enquanto isso os sentimentos atuais são mais de revolta com demonstrações públicas de afetos do que com o poder que goza com prazer a cada omissão, a cada distorção, a cada mordida na defesa do nosso direito de liberdade. Preferimos frequentar orgias masoquistas e comprar um amor impostor e sujo.

Não precisamos que a timidez que é um charme, deixe de existir. Mas sim, essa hipocrisia, essa libertinagem moral, essa censura promíscua e a prostituição dos nossos valores e virtudes. Quando chegará a era que trataremos nossa sexualidade com naturalidade? Resta nos aguardar o momento certo.

 

 

 

Para ler

 Os 120 Dias de Sodoma: Ou a Escola da Libertinagem

Marquês de Sade
 Editora: Iluminuras
10 lições práticas para Strip-Tease
Lu Riva
Best Graph

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Categorias: Caixa de Pandora, Comportamento, Saúde

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