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Meninas na Guerra

Érica Perazza

Na Colômbia, 11 mil crianças soldados estão em combate. Metade são meninas. É uma das cifras mais altas do mundo, apenas superada por Birmânia e o Congo. Os relatórios elaborados nos últimos dez anos citam um número de cerca de 250 mil a 300 mil crianças associadas às forças armadas ou a grupos armados. No norte de Uganda, aproximadamente um terço das crianças-soldado são meninas. A grande maioria é recrutada por milícias para tornarem-se combatentes, cozinheiras, carregadoras, espiãs e até mesmo escravas sexuais.

ReproduçãoMenina Soldado 1: Aprendemos a manejar granadas, punhais, metralhadoras. Temos que brigar e matar.

Menina Soldado 2: Nos mandavam saquear as casas. Algumas companheiras eram obrigadas a cumprir missões suicidas e a caminhar sobre campos minados.

Menina Soldado 1: O comandante me estuprou e tornou a estuprar-me durante vários meses. Quando fiquei grávida, obrigou-me a abortar.  Tudo se faz em pedaços, tudo desaparece. Só sentimos o medo e a morte.

 

Mais vulneráveis às violências sexuais – incluindo o estupro, a escravidão sexual, a mutilação, o tráfico, a prostituição forçada, o casamento e a concepção forçados, muitas meninas correm o risco de contrair o vírus HIV. Na República Democrática do Congo, 33% do total de vítimas de estupro são crianças. Eva, de apenas 13 anos, foi sequestrada a caminho da escola, estuprada, submetida à nudez forçada e utilizada como escrava sexual por um grupo armado dissidente do leste do Congo, durante mais de dois anos. Entre 1990 e 2001, casos de exploração sexual de crianças-soldados foram confirmados em países como Afeganistão, Angola, Burundi, Camboja, Colômbia, República Democrática do Congo, Honduras, Libéria, Moçambique, Mianmar, Peru, Ruanda, Serra Leoa, Uganda. Canadá, Reino Unido e Estados Unidos também estão na lista.

Reprodução

Em Uganda, 21% das aproximadamente 11 mil crianças raptadas são do sexo feminino, quase todas foram sexualmente abusadas.
Mesmo quem se voluntaria ao exército pode sofrer abusos. Uma garota de Honduras revela que aos 13 anos tinha o sonho de contribuir para que as coisas mudassem, para que as crianças não passassem fome e por isso entrou para a luta armada. Logo, ela descobriu que as meninas eram obrigadas a ter relações sexuais “para aliviar a tristeza dos combatentes masculinos”. Um estudo recente de meninas colombianas das FARC revelou que cerca de 40% de voluntárias, teve que prestar serviços sexuais. Elas ainda foram mal tratadas e algumas vezes punidas através de meios sexuais. As mais corajosas que tentavam fugir ou desafiar os militares contra o abuso, sofriam estupro coletivo que normalmente envolvia de 20 a 25 homens.

ReproduçãoNa Serra Leoa, por exemplo, meninos foram forçados a cometer violência sexual, às vezes contra suas próprias comunidades. Ainda, apesar de com rara frequência muitos meninos também foram abusados sexualmente. Entre 1998 e 2001, de um total de 87 países, quatro foram molestados. Devido a essas condições, muitas crianças evitam voltar para suas comunidades com medo de rejeição. As que retornam, sentem dificuldade em serem acolhidas, pois são vistas mais como predadores. Por outro lado, existem diversos casos que as crianças preferem lutar a retornar. Uma vez que as crianças-soldados estão fora da zona de combate, o risco de um novo recrutamento é alto, pois muitas não querem ficar em casa sem fazer nada, muito menos sem comida.

 

 

Referências:


  1. Briggs, Jimmie – Innocents Lost: When Child Soldiers Go To War, Basic Books (2005).
  2. Iweala, Uzodinma – Beasts of No Nation, Blue Cloud Books (2005)
  3. Child Soldiers – International human rights research and advocacy organisation (http://www.child-soldiers.org)
  4. Declaração Universal dos Direitos da Criança, 1959
  5. United States Holocaust Memorial Museum: Children during the Holocaust – http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005142
  6. Crianças em conflitos na África (2007) – http://www.youtube.com/watch?v=IMCZjm9Zg7U
  7. Child Soldiers Global Report 2008
(http://www.childsoldiersglobalreport.org/files/country_pdfs/FINAL_2008_Global_Report.pdf)
  8. The Children and Armed Conflict Unit: Never again: Children should not fight adults’ wars (Abril, 2001) http://www.essex.ac.uk/armedcon/story_id/000412.html
  9. Philippines child soldiers bill faces hurdles http://www.trust.org/alertnet/news/philippines-bill-against-child-soldiers-faces-hurdles-hrw
  10. Child Soldiers Recall Learning Lessons of War Instead of the Classroom
  11. http://abcnews.go.com/International/LegalCenter/story?id=2706722&page=2
  12. Alfredson, Lisa – Sexual Exploitation of Child Soldiers: An exploration and analysis of global dimensions and trends, Coalition to Stop the Use of Child Soldiers).
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Categorias: Caixa de Pandora, Internacional

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um comentário em “Meninas na Guerra”

  1. Manuel Nunes
    28 de maio de 2014 às 22:42 #

    Considero o que vi duma qualidade impar. Espero que entendam que muito do que vem publlicado nas vossas reportagens, já tive ocasião de ver relatadas e documentadas as outras publicações, contudo nada a capacidade que encontrei no vosso trabalho. GRATO

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