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Moda que não segue moda

Por Érica Perazza e Thaís Teles

Fotógrafa de moda há cerca de 6 anos, Bia Ferrer não tem um público específico: “Produzo para todas as pessoas”. Foi a partir desta ideia que começou seu trabalho de conhecer quem são realmente as pessoas que têm acesso a essas revistas de moda. Sua arte é do mundo, mas o local de trabalho varia: diferentes ruas e regiões de São Paulo servem como fonte de inspiração e captação. Em suas retículas, o foco principal é a sociedade e as expressões que pedestres têm a oferecer.”Nós produzimos moda e aquilo que captamos fica eternizado lá, naquela revista, que muitas vezes foge à realidade das pessoas, à realidade coletiva. E eu não sei, não tem como saber se quem ver aquelas imagens conseguirá captar a ideia que queremos passar dentro de um estúdio”. 

No universo da moda é “tudo muito produzido, é tudo muito pensado”, desde o casting da modelo, o tipo de maquiagem que vai ser usado, o tipo de roupa que deve seguir o editorial. “Vendo todos esses bastidores que vivo no universo da moda, comecei a me interessar por pessoas que se produzem em casa, como elas mesmas. Seguindo suas próprias editorias, lançando moda, mas tudo isso de um jeito muito pessoal”. Ferrer vê nessas pessoas e em seus figurinos a união perfeita para capturar qual é a moda de cada indivíduo e a singularidade inserida em cada um. “Comecei a me interessar por essas pessoas, em saber quem ela eram e fui pra rua para pesquisar e parar essas pessoas que eu achava que tinham estilos próprios”, conta. 

Mas afinal, o que faz uma pessoa chamar sua atenção de Bia Ferrer perante as outras? “Não dá pra explicar direito, é algo muito natural e bem simples”.  Bia conta que quando simplesmente está andando por aí e de repente vê alguém com estilo exclama: “Nossa!”. E diz: “Às vezes, é um acessório que a pessoa está usando que me faz estudar o resto do vestuário. A partir dessa análise, você consegue entender a personalidade da pessoa, vendo o estilo dela. Eu acho que quando uma pessoa te diz: ‘Fale sobre você’, qualquer indivíduo é capaz de inventar qualquer coisa, agora, com a roupa você não mente, com a roupa você veste o que realmente acha que é. Eu procuro captar quem você é. Quando vejo que é alguma coisa montada consigo perceber que não é ela, então essa pessoa não me interessa, e eu não fotografo”. 

Bia não busca as pessoas que estão na moda. “Busco sim uma identidade pessoal tão forte que traduza isso no modo que se veste e  como segura a onda a partir daquilo que ela demonstra quando sai às ruas vestido daquela forma, que muitas vezes marca. Muitas vezes a moda é tratada como algo comercial e não uma característica pessoal”. Bia confessa que já viu muitas vezes pessoas comprarem roupas que na vitrine são lindas, mas que depois não ficam bem e confortáveis. Alguns usam por status.  O oposto do que ela procura: pessoas que não estão pensando nisso, que são verdadeiras com elas mesmas e com o que elas pensam e que não estão nem aí para o que vão pensar ou dizer, querem apenas se sentir bem daquela forma. “Eu, por exemplo, uso sombra preta e batom vermelho às 7 da manhã e todos dizem que essa combinação é errada e eu nem ligo, ainda mais às 7 da manhã (risos), sou feliz assim”.

Já aconteceu muitas vezes de uma pessoa na rua não deixar fotografá-las. “Ninguém é agressivo, nunca me deparei com nenhuma situação de risco, mas as pessoas ficam com vergonha porque elas olham e falam: ‘Eu? Não, magina! De onde você tirou isso?!’ e saem correndo e entram no carro. É uma pena, mas acontece sim, muitas vezes”, lamenta.

Bia já teve trabalhos publicados em várias revistas como Simples, Capricho, Trip, TPM, Manequim, Noivas, Top Magazine, Planeta Mulher, Park Shopping e Textília e fez editoriais para o sites como Fashion Profile, Trip, Uol e Berlin unlike. A captação dessas imagens faz parte de um projeto desenvolvido por Ferrer, denominado Authentic Portrait SP, o objetivo é transformá-lo em uma exposição e em livro.  Confira sua galeria de fotos clicando aqui!

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Categorias: Fotografia e Artes, Moda

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3 Comentários em “Moda que não segue moda”

  1. Sylkyscreen
    29 de dezembro de 2009 às 12:26 #

    Ow, legal isso..normalmente todo mundo só quer saber do padrãozão……

    bjuss a todos da revista

  2. Branco
    29 de dezembro de 2009 às 20:22 #

    Essa bia é muito gata!

  3. 5 de janeiro de 2010 às 12:23 #

    olá pessoal da Pandora!
    Adorei a reportagem, captaram bem o que eu pretendo passar com esse projeto fotográfico!
    Nesse ano continuarei , porém com outros tipos de intervenção, pretendo lançar um livro com as figuras já fotografadas e uma boa exposiçnao no metrô!
    quem quiser ver mais sobre meu trabalho comercial acesse http://www.biaferrer.wordpress.com
    abraços a todos

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