Anúncios

Violonista descobre o que é ser um artista de rua

Via Rafael Carneiro da Cunha

Milton Nascimento já dizia que “todo artista tem que ir aonde o povo está” e não há lugar melhor para encontrar o povo do que a rua. Munido apenas de um pedestal, caixa de som e bateria de 12 volts, há dois meses o músico José Carlos dos Santos, que prefere não revelar a idade, toca seu violão em vias movimentadas de São Paulo e leva arte para um público menos segmentado que o de bares e restaurantes.

Para Santos, ou melhor, Kerubyn ─ seu nome artístico ─, a rua é um espaço muito importante, pois é onde se tem mais liberdade para divulgar o próprio trabalho, já que nos estabelecimentos fechados o repertório escolhido tem que estar de acordo com o perfil da casa e do público que a frequenta. Apesar disso, ele deixou de se apresentar em bares e restaurantes. Atualmente ele se apresenta no Quiosque Chopp Brahma, na Pizzaria Point e no Mercado Municipal de Santo Amaro.

Mudança na lei

Um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal no dia 7/5/2013 regularizou o trabalho dos artistas de rua, que nos últimos anos esteve na mira de policiais e autoridades. O texto prevê que os profissionais da arte façam as apresentações até às 22h e possam vender CDs, DVDs e outros produtos, desde que sejam de sua autoria.

As performances devem ser gratuitas, cabendo ao artista o direito de “passar o chapéu” e, além disso, as apresentações ficam liberadas para ocorrer em parques, praças e ruas desde que não impeçam a circulação de pedestres. Caso demandem estruturas que exijam instalação prévia, será necessário autorização da prefeitura para que ocorram.

“Todo mundo precisa de arte e levar a música para os espaços públicos é muito importante. Só acho que o limite de horário pode ser estendido um pouco mais, pois tem sessões de cinema que terminam às 22h e aí eu tenho que parar de tocar a essa hora”, diz. Outra dificuldade apontada por Kerubyn é em relação às mudanças no clima. Quando chove, por exemplo, ele não consegue tocar em nenhum lugar, já que o metrô não permite que artistas se apresentem nas estações.

Bruna Pereira, 23, trabalha na região da avenida Paulista e, durante seu horário de jantar, escuta o som de Kerubyn. Para ela, é “delicioso” ouvi-lo cantar, principalmente bossa nova.

Nascido em Piracicaba, interior de São Paulo, Kerubyn mudou-se para a capital paulista ainda criança. O pai, violonista profissional, foi quem apresentou para ele o universo da música. “Eu tinha uma mania quando era pequeno: pegava uns tambores de água e ficava batucando”, lembra.

Antes de enveredar para o ramo da música, Kerubyn foi entregador de pão, engraxate, vendeu bolo, geladinho e trabalhou em metalúrgica. Há 20 anos dedica-se de forma integral à carreira de cantor e compositor. Futuramente, ele pretende gravar um CD com músicas de sua autoria, mas por enquanto segue interpretando canções de outros artistas brasileiros como Tim Maia, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros.

Anúncios

Tags:, , , , , , , ,

Categorias: Atena, Música

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

um comentário em “Violonista descobre o que é ser um artista de rua”

  1. 23 de junho de 2013 às 13:37 #

    Arte em sua forma mais pura, sem amarras, sem obrigações. Ótimo tema e texto! Abraço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: