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Desumanização de uma geração de babacas

Érica Perazza

Toda vez que o Facebook (e qualquer outra rede social) coloca uma nova ferramenta disponível para seus usuários brincarem, eu fico meio… irritada. E com medo também.

Não é nenhuma novidade de que, ultimamente, boa parte das pessoas sempre estão online. Essa vida que levam constantemente conectadas é mais assustadora do que qualquer coisa porque deixa as pessoas robóticas. Mal recebemos telefonemas e escutamos vozes ásperas ou doces nem abrimos a janela para ver o outro lado da rua.

Tudo ficou tão informal e tão insensível. Fazem por fazer, por protocolo social. Tios e padrinhos mandam “Feliz Aniversário” por whatsapp ou mensagem no mural. Nada de Barbies – nem mesmo meias. Nada de tato.

Toque, tapas, beliscões, choques térmicos, risadas altas e descontroladas, uma piscadela torta: tudo isso offline. O que a gente encontra  são uns abraços congelados e algumas amizades plásticas. Nossa pele vai virando um rascunho, nosso coração atrofiado. E quanto à nossa existência, sempre interrompida ou distraída, é bombardeada por imagens que não dizem nada; apenas berram roucas e nossa vidinha ecoa, mas não percebemos e deixamos ela passar.

Nosso verdadeiro eu, nossos defeitos, qualidades e talentos podem ser editados. Escolhemos o que queremos sentir, mesmo que seja falso e vazio. Nossas emoções viram aparências e vaidades. São as máquinas que sentem por nós. Que pensam por nós. Que vivem por nós. Enquanto isso, vivemos para as máquinas.  Essas engrenagens digitais são algemas que impedem nossa liberdade e vontade de sermos quem realmente somos.

Reprodução

Ali, bem naquele canto nada plausível, destaca-se nossa privacidade como um produto exposto na vitrine. Nossa dignidade parece ter um preço. E tem.

A internet não é a grande culpada dessa desumanização de nossa geração de babacas, é apenas o meio. Afinal, faz alguns anos que ingerimos amor enlatado e sem gosto. Fora que já somos capazes de comercializar nossos sonhos há alguns séculos.

Não estou julgando ninguém. Muito menos quero convencer uma massa para largar a internet e/ou as redes sociais como alguém larga as drogas. Claro que uma “rehab”, uma mera desintoxicação virtual cairia bem de vez em quando. Porém, mais importante do que desconectar-se, é conectar-se com a vida, a vida real.

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Categorias: Ciência e Tecnologia, Comportamento, Crônicas do Olimpo

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