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A crise na educação

Via José Faro

Não é difícil entender por que a ilustração acima é um tsunami para a universidade brasileira: uma tal concentração empresarial desorganiza o setor e inviabiliza o papel do Estado como seu regulador e avaliador. É talvez a principal consequência da notícia divulgada hoje nos jornais (leia aqui) dando conta de que o grupo Kroton comprou a rede Anhanguera numa transação que chega aos US$ 2,5 bilhões, levando o montante do capital da fusão na Bolsa a 6 bilhões de dólares.Brinquei no twitter com isso e ironizei: num país que levasse a sério a sua Universidade – não esta ou aquela, as públicas ou as privadas, mas a instituição que responde pelo ensino e a pesquisa, uma negociata como essa estaria sendo discutida por toda a sociedade e não apenas pelo Cade. Os liberais de sempre já me advertem: e por qual motivo o Estado tem que ser regulador e avaliador da atividade educacional? Por um motivo simples: sem regulação e sem avaliação, o ensino – em especial o privado – não passa de uma gigantesca burla dos interesses nacionais.

A notícia da mega-fusão veio depois de uma outra divulgada na semana passada também pela Folha e fala da lei que entrou em vigor em março acabando com a exigência de títulos de mestre ou doutor para os concursos de admissão de professores nas universidades federais (leia) Não bastasse o paradigma que isso cria para as empresas privadas de educação, onde os planos de carreira, cujo objetivo constitucional é o de qualificar e estimular o aperfeiçoamento docente, viraram instrumentos de enxugamento das folhas de salário, o próprio Estado é que toma a iniciativa de descredenciar o sistema nacional de pós-graduação como referência da qualificação docente. O ministro Mercadante se apressou em esclarecer que o governo vai corrigir o erro… Duvido.
A terceira notícia é uma constatação e saiu no meio das outras duas: nas questões e debates educacionais – tanto os relacionados aos projetos pedagógicos quanto aqueles voltados à aplicabilidade de recursos de toda a ordem que envolvem o seu trabalho, os professores não têm qualquer participação, embora sejam eles os agentes principais de todos os processos relacionados à Escola. Voltada principalmente para a realidade do ensino público, a dissertação de mestrado da jornalista Fernanda Campagnussi que trata do assunto, deixa claro que sem essa participação o risco de que qualquer reforma fracasse é quase integral….
Pelas duas últimas notícias os protagonistas da primeira delas agradecem…* Sobre a fusão Kroton/Anhanguera, considero imprescindível a leitura do artigo Mão do mercado esbofeteia soberania, de Marco Piva, publicado no Opera Mundi.

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Categorias: Atena, Educação e História

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