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O amor nos tempos de Marco Feliciano

Via Juliane Freitas

Todo mundo deve ter visto, mesmo que não dê importância, que a cantora de axé Daniela Mercury revelou, por meio de sua conta no Instagram, que se casou com uma jornalista baiana.

A notícia, que estamparia as páginas de fofocas de sites de celebridades,  ganhou uma notoriedade maior do que o comum e foi divulgada em publicações e programas que geralmente não dão margem para esse tipo de pauta.

Para mim, todo esse bafafá em torno da revelação da cantora, que até então nunca tinha demonstrado publicamente sua homossexualidade, tem muito a ver com as recentes manifestações em favor da causa gay em todo o Brasil. Será que Daniela faria tal demonstração pública em outros tempos, pré-felicianísticos? Talvez sim, já que não tem vergonha de assumir quem é. Mas expor sua vida pessoal não teria nada a ver, ninguém tem nada a ver com quem ela casa ou deixa de casar.

Daniela, que será a musa da próxima Parada Gay de Salvador,  provavelmente se aproveitou do momento que o País está passando, quando a homoafetividade está sendo apoiada massivamente, para cantar sua palavra de protesto. O amor não tem essa de sexo. E ponto.

A cantora recebeu parabéns no Facebook de Chico Buarque. Mais tarde, uma foto de Bruno Gagliasso e Mateus Nachtergaele dando um selinho apareceu na internet, poucos dias depois de Fernanda Montenegro beijar a também atriz Camila Amado em repúdio ao Deputado Marco Feliciano.

Enquanto isso, a vocalista do Calypso, Joelma, viu o reflexo de suas declarações contra o relacionamento gay culminarem no cancelamento do filme sobre sua banda.

Essa meia dúzia de celebridades, me parece, reflete o comportamento de boa parte dos brasileiros, que defendem a igualdade acima de suas individualidades. Estou com eles. Sou heterossexual e quero que todos tenham o direito de ter amor e prazer, do jeito que melhor lhes cabe.

A quem permanece batendo na tecla de que homossexualidade é pecado, não é natural, paciência. Temos que respeitar a crença de cada um também. Só exigimos (e faço coro com essa galera) respeito, humanidade.

Sobre o assunto, compartilho com vocês dois artigos interessantes. Um é uma entrevista da revista TPM com a juíza aposentada Maria Berenice Dias, do Rio Grande do Sul, que mudou o tratamento dado ao casamento no estado, ainda nos anos 70. (Um trecho: “Família não é só casamento, tanto que existe união estável. Também não é só procriação, tanto que há casais sem filhos, e também não é só sexo, porque hoje existe até procriação sem sexo. Então, o que é? É uma relação de afeto.”)

Outro é um post do jornalista Welton Trindade para o portal LGBT Parou Tudo, sobre o que a postura de Feliciano pode trazer de positivo para os gays no Brasil.

Um beijaço meu e da Fernandona! Até.

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Categorias: Atena, Música, Metalinguagem

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2 Comentários em “O amor nos tempos de Marco Feliciano”

  1. Valéria Oliveira da Silva
    6 de abril de 2013 às 11:18 #

    O texto é muito coerente e simplifica o ponto de vista da maioria dos brasileiros. Parabéns.
    Todas essas manifestações mostram que, independentemente da religião, o brasileiro quer a liberdade, mesmo que esse direito não seja para a maioria, que se é heterossexual. Se pensarmos em toda a massificação imposta pelas autoridades, religiões, … é um grande avanço para a sociedade. Não importa se o Feliciano é evangélico, budista, artista,… o que me incomoda é que um cara com sua conduta tome posse de um cargo que deve cuidar dos direitos humanos. Não há interpretações justificáveis para os comentários feitos por ele em redes sociais. Como não há direito de fazer com que suas ideias, medievais, sejam impostas á sociedade (de maneira ditatorial). O Brasil está longe de ter um regime teocrático, mas empossar políticos (não laicos) é, aos pouquinhos, mudar nosso regime, ou não?!
    Sempre fui a favor da não discriminação. Espero que esses apelos mude a sociedade.

    • 8 de abril de 2013 às 18:26 #

      Obrigada, Valéria! Aqui na Pandora e no meu blog, a opinião de leitores é sempre importante e recompensadora. Concordo com você. Não importa a religião do Feliciano. A reivindicação que compartilhamos é uma questão de direitos civis. Que bom que não estamos sozinhas no mundo, né?!

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