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As faces de Zuzu Angel

Por Thaís Teles

Estampas com cores tropicais que já expressavam a mente inquietante e efervescente de Zuzu Angel. A estilista, que é referência no mundo da moda durante a década de 70, entrelaçava em sua personalidade a criatividade para criações, o zelo materno e a busca incansável por justiça.

Angel se mudou ainda muito jovem para Minas Gerais, onde os primeiros passos rumo às criações começaram a ser dados, suas “cobaias” eram parentes próximas e, aos poucos, seu universo foi se expandido. A passagem pela Bahia serviu como fonte de inspiração para grande parte das suas coleções, mas foi no Rio de Janeiro que a estilista criou raízes e lá expôs ao mundo.

A arte de Zuzu não tinha visava apenas um público, ela queria ser universal e dialogar com todos os tipos de mulheres, desde as mais simples até as grande celebridades e assim o fez. A força de suas estampas misturadas com a feminilidade dos corte de cada peça fizeram a cabeça de brasileiros e estrangeiros. Zuzu teve diversas coleções exibidas em vitrines dos Estados Unidos e demais países.

reprodução

Uma grande rasteira do destino fez com que as estampas vibrantes da estilista fossem substituídas por tanques de guerras, crucifixos, pássaros engaiolados, sol atrás das grades. Era a forma que Zuzu Angel encontrou para expressar de modo simbólico a sua luta contra a ditadura militar brasileira. Sua batalha contra o regime teve início com a prisão de seu filho Stuart Angel, ativista do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), que foi torturado e morto, e seu cadáver jamais foi encontrado.

Disposta a desafiar o governo ditatorial em nome da justiça pela morte do filho, a estilista conseguiu chamar a atenção das imprensas norte-americana e brasileira em prol de respostas pela ocultação e revolta contra o sistema vigente. Infelizmente Zuzu perdeu a batalha e não concluiu seu objetivo. Morta em 1976 em um acidente de carro, existem suspeitas de que a estilista teria sido vítima dos próprios assassinos do filho.

Ao longo dos anos, a figura guerreira de Zuzu sempre é lembrada, seja na canção “Angélica” -composta pelo amigo Chico Buarque -, seja no cinema de Sérgio Resende

Mais do que uma grande estilista ou grande mãe, Zuzu é exemplo de cidadã que soube debater e não teve medo de se calar, que enfrentou tudo o que pôde em nome de sua dignidade e em respeito à memória de quem amou. O silêncio da dor, muitas vezes, pode servir como aliado da injustiça.

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Categorias: Atena, Moda

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