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Divã online

Por Thaís Teles

É natural do ser humano a vontade de mostrar, compartilhar, enfim, de exteriorizar uma uma sensação. De uns tempos pra cá, porém, a internet passou a ser um dos melhores ambientes para a realização desse processo de maneira instantânea.

Para os brasileiros, essa mania teve início com o surgimento das redes sociais digitais, sendo o Orkut uma das mais significativas. Inicialmente, para fazer parte desse universo era necessário receber um e-mail convidando e assim a febre estava instalada. Compartilhar fotos fazendo poses estranhas, analisar a vida alheia constantemente, buscar conhecer outras pessoas, trocar ideias sobre diversos assuntos tornou-se um processo orgânico, tanto que o contato pessoal com outros indivíduos perdeu a graça para alguns.

O famoso “filósofo de boteco”, aos poucos, passa a ser substituído pelo “filósofo online” e os amigos de infância tornam-se apenas conexões do Facebook, que é a bola da vez . Esconder-se atrás de uma tela e, a partir de então, jogar conversa fora camufla a possibilidade da beleza que é poder ver os gestos, cores e expressões de uma pessoa. Por mais que diversas justificativas sejam colocadas em questão, como a facilidade proveniente dessa tecnologia, fica claro que a preguiça de jogar conversa fora com uma pessoa querida durante uma tarde toda foi sim colocada em xeque.

O que resulta dessa situação é a carência e a sensação de reijeição, muitas vezes manifestadas pela felicidade alheia ilustrada em fotos publicadas no Instagram; a vontade de estar no mesmo lugar que aquele contato acabou de dar check-in e por aí vai.

Aos poucos, pessoas mergulham dentro na frieza do mundo virtual a fim de explorar o máximo que puderem e, paradoxalmente, não sabem quem realmente são, já que o autoconhecimento exige silêncio e a atenção voltada para análise interna. E, por ser tratar de uma viagem solitária, para muitos isso pode ser um desafio ou uma passagem rumo ao tédio.

Qual o resultado dessa inversão de papéis? Pessoas cada vez mais infelizes, mas com uma necessidade de viver no “faz de conta que está tudo bem” presente no universo online. O jeito é “curtir” e manter a pose.

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Categorias: Artemis, Internet

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