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Naufrágios Virtuais

por Thaís Teles e Érica Perazza

São diversos os rumos a serem explorados dentro do mundo virtual. O que faz a internet singular é justamente a versatilidade que a compõe. Nela, não existem limites geográficos ou espaço delimitado para a criação. Diferentes mundos e iniciativas são criados constantemente a fim de explorarem ainda mais a dinamicidade dessa tecnologia. Porém, lidar com infinitas possibilidades requer um senso crítico aguçado a fim de selecionar o que realmente é relevante.

No texto, O naufrágio de muitos internautas, o filósofo e professor da PUC-SP, Mário Sérgio Cortella, faz um alerta aos que acreditam que vivemos a era do conhecimento em decorrência do fácil acesso à informação através da internet: “Devagar com isso! Não se deve confundir informação com conhecimento. A Internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação; no entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da informação) não é cumulativo, mas seletivo.”, afirma. Ao longo do texto, Cortella reitera a importância da análise criteriosa dos materiais explorados na internet e compara o encantamento que o excesso de informação aflora com a chegada de uma pessoa à uma livraria que “sem saber muito bem o que deseja (mesmo um simples passear): corre o risco de ficar em pânico e com uma sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo”. Em suma, o filósofo deixa claro que a análise criteriosa do conteúdo em questão é essencial, senão, o naufrágio na imensidão virtual é o destino certo de muitos indivíduos.

Sempre em busca de ferramentas que possam facilitar as relações com os indivíduos ou auxiliar no desenvolvimento da espécie, o ser humano está sempre pronto para se reinventar através da criação de novas técnicas. Em processo constante de expansão, a internet é o resultado dos esforços de indivíduos que sonhavam com a possibilidade do compartilhamento de ideias e conhecimento. Em entrevista, Mário Sérgio analisa o sentido que foi atribuído ao mundo virtual dentro do contexto tecnológico e, segundo o filósofo, “a internet ainda é algo muito novo no nosso circuito do dia-a-dia. Nós, ocidentais, temos o hábito de avaliar as coisas com muita pressa, por enquanto não é possível que vislumbremos o impacto por ela gerado, afinal, o surgimento dessa ferramenta não tem nem duas décadas de uso, diferentemente de outras plataformas”, analisa.

É cada vez mais comprovado que o povo brasileiro adora redes sociais. Há alguns anos, o país liderava o ranking da população que mais acessava o Orkut e o mesmo quadro pode se repetir com o Facebook. De acordo com a Social Bakers, o Brasil só perde para os Estados Unidos na quantidade de perfis ativos. São mais de 55 milhões de brasileiros que cultivam páginas pessoais a fim de compartilhar e adquirir informações diariamente através da rede social.

Para Cortella, a identificação dos indivíduos com as essa mania virtual se deve a dois fatores: “Há dois grandes movimentos que fazem com que as redes sociais sejam, até o momento, triunfantes. O primeiro é o imenso desejo que o ser humano tem de se conectar na história, ou seja, para poder se localizar no tempo e se entender as pessoas buscam produzir novelos de contato com colegas de infância, de escola, de trabalho. Isso vai fazendo um mosaico que promove a identidade em cada pessoa. Há ainda outra razão que eu também percebo, é o fato de que muita gente tem um desespero imenso de ficar só e, portanto, as redes sociais passam uma sensação de que esses indivíduos não estão mais isolados. O sentimento é parecido com o de uma pessoa em uma ilha deserta que escreve uma mensagem, coloca dentro de uma garrafa e joga o objeto no mar. O desejo dela é não ficar isolado, de ter contato. Então, essas plataformas interativas também cumprem essa função”, complementa.

O que hoje é uma mania pode se tornar apenas uma lembrança. É difícil prever a longevidade das redes sociais, uma vez que a internet é uma ferramenta em constante transformação. Porém, alguns teóricos como o escritor canadense, Tom Rachman, acreditam que daqui alguns anos haverá o processo de desconexão dos indivíduos. Mário Sérgio concorda com a ideia, porém, afirma que “não será uma desconectividade completa porque seria uma tolice, afinal, a o mundo virtual não oferece apenas malefícios, ao contrário. Mas, toda obsessão é doentia, sem exceção, seja de alguém que fica muito tempo conectado e não se relacionar com outras pessoas, ou indivíduos que, entre outras coisas, acaba supondo que a conexão vai deixá-lo menos inteligente e, por isso, se desconecta de vez”. O enriquecimento do senso crítico é o ponto de partida principal para que a navegação no mundo virtual não se torne em um grande naufrágio.

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Categorias: Internet

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