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Filhos ricos da Ditadura Militar Brasileira


Por Lucas Marcelino

No dia 11 de novembro de 2012, grupos de direitos humanos, organizações e partidos políticos de esquerda e outros órgãos como a Comissão da Verdade Rubens Paiva – organizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo – realizaram mais um ato chamado de “escracho”. O alvo da vez foi o Presidente da CBF, José Maria Marin.

A manifestação se iniciou no Masp e percorreu a Paulista e algumas ruas arborizadas do lindo bairro dos Jardins, na região da Avenida Paulista, até chegar ao luxuoso prédio onde mora o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

A escolha de Marin para ser “escrachado” não foi simplesmente porque existe, praticamente, uma ditadura dentro do futebol brasileiro. Mas sim porque Marin é apontado como o responsável por delatar e, consequentemente, provocar a morte do jornalista Vladimir Herzog – morto nas dependências do DOI-CODI de São Paulo, mas que teve sua morte registrada como um suicídio.

Mas esse ato, que deixou moradores dos prédios próximos escandalizados a ponto de se manifestarem nas janelas dos prédios, aponta para outro crime além dos assassinatos, torturas e tantos outros realizados contra a população e o estado democrático brasileiro pela Ditadura Militar e seus generais. Os escrachos realizados até hoje em São Paulo, aconteceram sempre em regiões ricas da cidade. Isso nos leva a uma conclusão: o poder econômico e a boa vida que desfrutam aqueles que trabalharam para a Ditadura Militar.

Para quem não conhece a história da Ditadura Militar que durou (oficialmente) de 1964 até 1985, os militares tomaram o poder através de um golpe de estado contra o presidente João Goulart, após ele decidir por medidas sociais que trariam uma maior igualdade social para o Brasil, como foi o caso da Reforma Agrária – a gota d’água para a direita e para a Igreja reacionária que já se manifestavam abertamente contra as atitudes populares e “comunistas” do então presidente Jango, através da Marcha pela família e propriedade.

Mas a imagem de justiça, ordem e progresso, até hoje defendida pelos adoradores da Ditadura – muitos deles são pessoas que não conhecem nem um pouco do que foi esse momento da história negra do Brasil – esconde a verdade daquele período: crimes contra a oposição (assassinatos, torturas, etc…), censura (contra artistas, jornais e intelectuais opositores), aumento avassalador da dívida pública externa brasileira, retrocesso dos direitos do povo com o fim de matérias como filosofia e sociologia nas escolas e com os Atos Institucionais.

Todas essas medidas, aliadas a grande propaganda realizada pelos meios de comunicação da Ditadura – Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, entre outros – permitiu que muitas pessoas lucrassem com a Ditadura. Os exemplos mais claros são dos meios de comunicação: a Rede Globo que tinha acabado de surgir tornou-se o império da Família Marinho que era ardente defensora do regime autoritário; A Folha de São Paulo tornou-se o maior jornal do paulista com o fechamento dos jornais opositores e, principalmente, por maquiar notícias e emprestar sua estrutura para a ditadura, como o carro que transportava presos políticos para o DOI-CODI e para o DOPS. Várias outras organizações como o próprio SBT e a Editora Abril também se beneficiaram do dinheiro que rolava em propinas e na corrupção.

Mas além dos meios de comunicação, já há muitos anos denunciados (uma boa forma de conhecer melhor é vendo o filme “Além do Cidadão Kane”, até hoje proibido no Brasil), houve o enriquecimento pessoal dos apoiadores e dos executores do regime. Empresários como o Eike Batista – que herdou a fortuna suja acumulada por seu pai que era um colaborador da Ditadura – ou Henning Boilesen – que se tornou dono da Ultragás e foi um dos maiores financiadores da Ditadura. Várias empresas nacionais e multinacionais, com ênfase nas norte-americanas, também os maiores bancos do Brasil como o Bradesco, faziam enormes doações aos militares em troca de “segurança” para que mantivessem o controle do mercado nas suas áreas. Devemos lembrar também dos latifundiários que colaboravam com a Ditadura em troca da morte de militantes que atuavam nas Ligas Camponesas no interior do Brasil e no Nordeste.

Mas houve também o enriquecimento e o ganho de poder político. Paulo Maluf foi um dos principais políticos da Ditadura, chegando a ser governador biônico de São Paulo. Delfim Neto, Orestes Quércia, as famílias Sarney (Maranhão), Magalhães (Bahia) foram outros que lucraram por servir fielmente à Ditadura. Houve também a segurança para membros das Forças Armadas como o torturador Sergio Fleury – que depois foi morto como “queima de arquivo” – ou Claudio Guerra que até hoje vive confortavelmente com sua pensão de militar aposentado e ainda ganha dinheiro com o lançamento de um livro onde conta várias mentiras sobre a morte de militantes de esquerda.

Enfim, Marin é apenas mais um exemplo de como até hoje temos inseridos nas entranhas do estado brasileiro os resquícios ou (riquícios) da Ditadura Militar. Marin foi deputado, vereado e ocupou o cargo de governador de São Paulo durante uma ausência do Paulo Maluf. E foi como deputado que ele fez um discurso de ataque à posição de resistência da Televisão
Cultura que se negava a calar-se frente os crimes da Ditadura. E por isso é acusado de ser responsável por provocar a morte de Herzog em uma das mais vergonhosas tentativas de encobrir um crime, quando Herzog foi fotografado com uma corda no pescoço em um suposto suicídio. Mas o detalhe é que Herzog estava ajoelhado. Chegou a hora de nós nos levantarmos. Tirarmos o joelho do chão e condenarmos aqueles que enriqueceram as custas das mortes de brasileiros e brasileiras. E muitos que ainda hoje sobrevivem com os ganhos que escorreram das veias dos trabalhadores e do povo brasileiro.

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Categorias: Hades, Política Nacional, Território Nacional

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3 Comentários em “Filhos ricos da Ditadura Militar Brasileira”

  1. cumulus
    1 de abril de 2013 às 23:04 #

    Meu Deus quanta bobagem : a Rede Globo, SBT, Banco Bradesco lucraram por causa da ditadura… putz, os bancos nunca em momento algum lucraram tanto na história desse país igual nos últimos anos devido aos juros absurdos que nunca diminuem. E o Sarney, que foi presidente no maldito regime democrático e só fez barbaridades, aliás, até agora só colocaram idiotas na presidência, maldita hora em que deram direito ao povo de votar. Tomara que volte de novo o regime militar pra acabar essa baderna que isso aqui virou. Só burro que não vê noticiário é que imagina que estamos vivendo num paraíso.

  2. Lumière
    16 de abril de 2013 às 22:27 #

    Um presidente socialista colocaria o Brasil na linha de fogo dos EUA… nisso ninguem pensa não é? Esses ai, que todos dizem… ha… defendiam a democracia…. esses trabalhadores brasileiros… defendiam nada! Eles queriam era substituir uma ditatura por outra, implementar um maldito sistema socialista no qual eles tivessem poder!

  3. Maria Quitéria da Silva
    20 de dezembro de 2016 às 11:15 #

    Sou professora de História, e a cada dia que passa, me desencanto mais com uma parte da humanidade que infelizmente são chamados de seres humanos. Me refiro a todos que ocupam o ápice da pirâmide social do Brasil e de todos os outros países do globo terrestre. Pois para poderem gozar de toda a riqueza que eles detem, a grande maioria dos seres humanos(os verdadeiros), vivem na extrema miséria. Pois os seres humanos citados primeiramente na verdade são seres desumanos. Na minha opinião eles não tem Deus em seus corações, porque se tivessem jamais fariam aos outros os que eles não querem que façam com eles. Não tenho nenhuma religião por ter citado Deus, mas é somente nele que creio e digo Deus é a minha crença e a razão da minha existência.

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