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Aposentar-se pra quê?

Por  Felipe Perazza
Sete anos. Esse foi o tempo que passou desde o festival Live n’Louder, em 2005, quando assisti aos Scorpions pela primeira vez. Na verdade, era a minha primeira vez em um show de rock, e a banda alemã me mostrou que aquele universo seria minha casa, da qual eu não pretenderia sair mais.
Pode parecer pouco, mas o tempo é relativo, como diria Einstein: “Sete anos podem ser muito ou pouco”. Algumas bandas não duraram tanto. Beatles passou por pouco, chegou aos 8. Led Zeppelin, 12. Para bandas em atividade há um longo tempo, como Rolling Stones ou Deep Purple, 7 anos podem soar como uma semana. Mas o fato é que nesse período milhões de coisas podem acontecer.
De 2005 pra cá, os Scorpions lançaram mais 3 discos e vieram pro Brasil mais 3 ou 4 vezes. Nas duas últimas, prometeram uma aposentadoria, afinal mais de 40 anos de trabalho pedem um merecido descanso definitivo. Infelizmente não consegui ir em nenhum dos shows deles após o icônico festival Live N’Louder, mas finalmente a hora chegou e a espera valeu a pena, como eu tinha certeza que seria.
A primeira e feliz constatação que tive ao ver o grupo no palco do Credicard Hall, na noite de 21 de setembro, em São Paulo, foi que os 7 anos que nos separaram não mudaram em nada a banda. Na verdade, o grupo parecia ainda mais jovem e cheio de energia. Uma aposentadoria não cairia bem. Não agora. Eles ainda tem muita disposição e muita música pra tocar – e pra ensinar. O vocalista Klaus Meine pareceu se dar conta disso quando observou a “Nova Geração” presente na platéia (fazendo uma referência a canção New Generation).
O público, aliás, mostrou por quê o grupo deve permanecer na ativa o quanto for possível, cantando em uníssono os hit máximos da banda como a explosiva No One Like You, a balada Loving You Sunday Morning, as excelentíssimas The Zoo e Big City Nights, além da canção título do último disco Sting in the Tail. Falar de Wind of Change e Still Loving You é apelação. Um dos maiores momentos foi a instrumental Coast to Coast, encabeçada pelo guitarrista Rudolf Schenker e acompanhada por todos os outros lado a lado, numa viagem poderosa e inesquecível.
A ocasião que mais me marcou no show de 2005 foi o Kottak Atack, trecho solo do baterista James Kotack. Dessa vez seu solo foi ainda mais inspirado – e por quê não engraçado? – com um vídeo surreal mostrando cenas envolvendo as capas dos discos da banda junto com as marretadas do baterista. Klaus Meine merece destaque pelo carisma e obviamente pela sua voz marcante e afinadíssima. O músico pouco parece se esforçar pra atingir alturas exorbitantes no gogó, além de sua voz soar idêntica aos discos, coisa que poucos vocalistas conseguem fazer e prova de que ele não precisa de artimanhas e engenharias na gravação dos álbuns.
Outro monstro no palco é o guitarrista Matthias Jabs, que nos oferece solos enfurecidos e acordes impossíveis com a calma e a classe de quem acaricia a guitarra como se fosse uma pessoa querida. E talvez, para ele seja mesmo. Não dá pra não deixar de citar o baixista Pawel Maciwoda que apesar de se sobressair menos por ter menos tempo de casa e por ter tantos gênios por perto, também conduziu muito bem as levadas e soltou linhas de baixo das mais viajantes que já pude ouvir ao vivo.
O entrosamento da banda é tamanho que o espetáculo não apresenta um ponto baixo sequer. O mesmo tipo de harmonia que originou canções lendárias como Rock You Like a Hurricane – encerramento obrigatório do show – e Blackout que não deixou o público parado durante toda a sua execução com uma força que poderia, de fato, acabar com a luz do bairro. Tudo isso são indícios de que o grupo fez bem em abandonar a ideia de se aposentar. Assim como eles fizeram com esse Andarilho que voz fala, ainda há muitos jovens a serem cativados pelo velho e pesado balanço dos anos 70 e 80
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Categorias: Atena, Música

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