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Heroína Morta

A discussão sobre a “morte da arte” esteve presente a partir do século 19, em Lições de Estética, de Hegel, que se referia a morte da arte bela.  Kant, que anteriormente defendeu a existência de dois sentimentos – o belo e o sublime –, como sustentáculos da experiência estética, chegou a definir a arte bela como aquela que pode representar de modo belo até aquilo que é considerado feio.

Atualmente, a arte contemporânea sugere a “experiência paradoxal do gosto”. Como é possível alguém apreciar o que esteticamente nos parece repugnante? É, entretanto, neste espaço que a arte conceitual encontra seu espaço. Se não podemos gostar, podemos pensar.

 A arte sempre dá no que falar, o que mostrar, o que ver, o que fazer, o que pensar, o que sentir. E o que não pensar, não mostrar, não fazer, não falar e não sentir.

Muitos se perguntam: até que ponto as intervenções urbanas podem ser consideradas manifestações artísticas? Essa discussão discorre também numa matéria sobre a existente dificuldade de se classificar um trabalho como grafite e pichação. Em países como Inglaterra, no Reino Unido, artistas como Banksy, o anônimo mais famoso do mundo, recorrem à ilegalidade para expressar sua opinião criativa. Encontrar uma definição do que é arte não está na capacidade de entendimento e absorção de apenas uma parte da sociedade, mas sim no conjunto de pessoas que configuram determinadas regiões.

Cildo Meireles é outro artista mais reconhecido internacionalmente do que nacionalmente. Foi apenas em 2010 que ele vislumbrou o reconhecimento em sua terra natal, com suas obras na Bienal e o lançamento do documentário com seu nome. Cildo se vê com um estrangeiro no exterior, claro, mas um anônimo aqui no Brasil. Ele ainda revela sempre se sente à margem e traz muito disso em seus trabalhos.  Alex Flemming é mais um para a lista de artistas com falta de valorização no país. Temos também o artista Hélio Oiticica. É inevitável relatar sobre a capacidade de reinvenção que o artista desenvolveu ao longo de sua carreira. Enquanto parecia que tudo referente à arte já havia sido inventado e dito, Hélio enxergava nas mudanças e evolução do tempo uma nova forma de fazer as pessoas pensarem e, mais importante, sentirem a arte.

Estamos mesmo vivendo afinal, no mundo artístico, a perda do gosto ou da arte?
Os tempos modernos estabelecem diversos contrapontos e paradoxos. Nós – tanto como artistas ou apreciadores da arte – queremos imortalizar sentimenos, ideias – a vida – através da arte. E não viver um luto eterno por ela, por causa dela.

Em um século repleto de genocídios, guerras, ditaduras, e de tanta violência, a arte sobreviveu. Não, ela não morreu. Ela sobrevive. Respira com dificuldade em ares de crise. A arte bela também não se foi. Ela é a vida e nos faz refletir e experimentar. O que se torna arte são nossos sentidos e sentimentos, um que lava ao outro. Nós damos vida à arte. Sem a nossa percepção em qualquer estilo de arte, a obra é só um desenho, quadro, um monte de bugiganga. E ela morre. Ela morre sem nossa interação, seja uma interação que plasme no mundo das ideias ou que toque em nossa alma sólida.

A promessa romântica feita há séculos de que só a arte salva, continua. Ela não pode morrer ou nós pereceremos também. Arte por si só não existe e nenhum ser humano existe dignamente sem arte. Precisamos ser heróis e marginais, nos reinventar e restaurar. É a sensibilidade humana que está desgastada e assim, matando a arte.

 
 

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Categorias: Fotografia e Artes

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