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Nelson Rodrigues é atemporal

Por Thaís  Teles

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco  da fechadura é, realmente, a minha ótica ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”     Nelson Rodrigues

Mais do que situações nada convencionais, pornografia e palavrões. Nelson Rodrigues representa a nova era do teatro brasileiro. Quando, em 1943, o espetáculo “Vestido de Noiva” foi levado aos palcos, uma nova forma de dialogar com o público  foi colocada em cena e escandalizou aqueles que estavam acostumados a apreciar o fazer teatral de forma linear.  A trama, composta de três ações simultâneas em tempos diferentes, mexe com o consciente da plateia, convidada a apreciar os delírios da personagem Alaíde, que se perde entre as viagens ao passado recente,  as fantasias do subconsciente, chegando ainda ao encontro com Madame Clessi e suas aventuras pelo mundo.  A novidade foi impactante em todos os sentidos e mudou os paradigmas do teatro nacional.

O drama da vida real sempre esteve presente no imaginário de Nelson. A narrativa de uma mulher adúltera morta pelo próprio marido a facadas e que, minutos após o assassinato, ajoelha ao lado do corpo e pede perdão, foi idealizado pelo dramaturgo aos 9 anos de idade para o concurso de redação da escola Prudente de Morais, no Rio de Janeiro. Talvez, esta seja a primeira manifestação do futuro escritor, dramaturgo, cronista e jornalista.

Nascido em Pernambuco, o “pequenino e cabeçudo”, era o quinto filho de Mário Rodrigues, ex-deputado federal e jornalista. O contato com o jornalismo desde muito cedo e a mudança para o Rio de Janeiro, contribuíram na formação criativa de Nelson, um verdadeiro inquieto em busca de personagens marcantes da sociedade carioca. Porém, era dentro da redação do jornal “A Crítica” que, aos treze anos, o precoce escritor começou a trabalhar como repórter policial e exercitar a habilidade de redigir textos carregados de detalhes, opiniões e, quase sempre, algum drama capaz de prender a atenção de qualquer leitor.

Seu legado, composto de 17 peças teatrais, nove romances, cinco livros de contos, 13 crônicas e adaptações para cinema e televisão ainda ainda pulsam em ritmo acelerado na cultura brasileira. A atemporalidade das obras deve-se  à peculiaridade dos personagens centrais; à hipérbole e complexidade de cada situação que, muitas vezes, mescla senso de humor, polêmicas e complexidade em uma só fala.

Falar das peças, crônicas, livros e demais materiais que Nelson produziu é ser redundante. Seu centenário deve ser comemorado com grande fervor e merece tamanha projeção dos veículos de comunicação, uma vez que o autor sempre bateu de frente com os valores alienantes de sua época. A luta pela liberdade de expressão e o direito de ser autêntico no modo de falar, é a espinha dorsal de seu legado. E, muitas vezes, a verdade pode ser chocante.

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Categorias: Atena, Teatro

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