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140 emoções


Por Thaís Teles,
Roberta Roque e
Érica Perazza

 

A internet é um local onde as pessoas poderiam se expressar livremente. Todavia, hoje em dia é um espaço que possui uma carga social muito pesada no modo de pensar da sociedade. As pessoas não apenas falam o que sentem, e sim acabam sendo influenciadas pelos pensamentos de outras pessoas. O Twitter liberou essas emoções e as conseqüências se refletem fora do mundo virtual.

 

A máquina desumanizou o seres humanos nas últimas décadas. Muitos foram diagnosticados com uma hipocondria digital. Apesar de sanados sua necessidade e conforto, o apelo ao consumismo, à modernidade e ao status fizeram com que as pessoas buscassem muito mais do que o 100% da evolução. Por outro lado, o desenvolvimento da tecnologia agora conseguiu abrir portas de saída para uma sensibilidade devidamente humana. A democrática e libertária internet é um espaço aberto a opiniões, críticas e principalmente desabafos. Nós, os seres humanos, ganhamos outra chance para nos humanizar e com nossas próprias criações que uma vez nos tornaram “humanóides”. Mas será mesmo que isso é possível? Seria a internet uma “terra” prometida e livre de imposições e comportamentos robóticos?
 
Acerca desse fato, o professor de comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), José Salvador Faro dá sua opinião: “Ao conhecer essas ferramentas, as pessoas ficam mais atentas às coisas que dizem, pois cada indivíduo está inserido em uma roda social, cada um se compara com as demais postagens. Os acontecimentos me levam a tomar cuidado. Por mais liberdade que eu sinta em postar alguma coisa não posso me descomprometer com a comunidade que convivo.”
Faro via no início do Twitter uma espécie de “mural de angústias existenciais”: “Um dos motivos que comecei a encarar essa ferramenta dessa maneira foram situações corriqueiras, como quando eu abro de manhã cedo a internet e faço uma análise das coisas que quero ver sendo uma delas, o Twitter. Recebo atualizações do que está acontecendo no microblog o tempo todo. Uma vez vi que uma menina postou a seguinte frase ‘Não deu certo, vou dormir’. Senti nessa postagem um lamento, não foi uma brincadeira que ela fez. Alguma coisa não deu certo e por causa disso ela foi dormir às três, quase quatro horas da manhã, quando eu começo o meu dia.” Faro então passou a questionar a função real do Twitter: “Além das angústias pessoais, havia  a revelação da música, tinha uma breve reflexão que alguém fez e inseriu um link para algum site interessante, que acabava contribuindo para corroborar o que tinha dito. Percebi que o Twitter não era uma rede de postagens angustiantes naquele momento. Há também um lado cultural: o Twitter revela particularidades, mas revela também riquezas que eu não teria conhecido nunca se não fosse membro.”

 

Ao contrário do que muitas mídias quiseram provar, o Twitter e a internet como um todo são capazes de transformar o cenário da política ou contribuir pra sua melhoria. “O político deve estar preparado para enfrentar questionamentos desses novos tempos. Eu vejo a pergunta e pode ser que não tenha tempo de formular uma resposta, mas devo ter capacidade intelectual para juntá-las por segmentos, por interesses, por áreas e respondê-las”, afirma Faro.

 

O Twitter pode cercear a liberdade de você ser quem você quer ser em um lugar que há pouco tempo era visto como uma rede social como o Orkut e outros sites de relacionamento. Havia mais liberdade para se expressar, contudo, atualmente essas ferramentas são utilizadas por empresas na contratação de profissionais, como forma de analisar seus candidatos. Conclui-se que é uma forma de limitar seus verdadeiros instintos e vontades. “Claro, claro, eu acho que é”, concorda o professor, “mas será que isso não é alguma coisa que sempre acontece? Nós gostamos de tornar públicas as nossas virtudes e gostamos de tornar privados nossos vícios. Só postarei o melhor de mim. Se eu vejo um aluno postando uma música pensarei: ‘Poxa, que gosto maravilhoso que esse cara tem!’ Acho que temos que postar coisas que aprimorem a sensibilidade dos outros e acredito que o Twitter está se transformando em um caleidoscópio cultural. Não tem lugar onde você pode ser, exceto no seu diário pessoal, mas não no Twitter, pois aquilo é público.”
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Categorias: Ciência e Tecnologia

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