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Hollande

Via José Faro

Deu a lógica na eleição francesa. Os socialistas não deixaram que os conservadores aliados de Sarkozy, e ele próprio, saboreassem o gostinho de um 2º mandato. Essa simples constatação já me parece motivo suficiente para reflexão porque é difícil imaginar que um governante que busca a reeleição não consiga – em função dos instrumentos que tem nas mãos – impor seu nome às correntes da oposição. É raro que isso aconteça.

O cartunista brincou com o quadro de Eugène Delacroix,
mas pode ter refletido o significado difuso da vitória de Hollande

Mas aconteceu na França, e se houvesse eleições na Espanha, em Portugal, na Inglaterra e em outros países onde a crise econômica levou os conservadores ao governo, todos seriam derrotados. É o eleitorado manifestando sua volatilidade? Acho que não. Acho que é o eleitorado se dando conta dos efeitos anti-sociais das medidas de austeridade prometidas em todos os países: restrições a direitos históricos dos europeus, redução do papel do Estado, controles orçamentários… tudo isso para tranquilizar os bancos, o FMI, os tais “investidores”, estabilizar o euro e radicalizar as políticas neoliberais responsáveis pela crise que se prolonga desde 2008.

Fico satisfeito e me sinto contemplado com análises que levam em conta os efeitos políticos das tensões decorrentes desse modelo. No pleno funcionamento do regime democrático, é difícil imaginar que a opinião pública permaneça indefinidamente anestesiada pela midiatização das propostas de austeridade, mesmo quando vêm acompanhadas dessa espetacularização das personalidades que polarizam o quadro político (e, eventulamente, suas belas esposas, como foi o caso de Carla Bruni durante todo o reinado de Sarkozy). A mídia acredita que é possível cravar, ao lado da perda de direitos, o deslumbramento imaginário com um reino de Camelot. É preciso perguntar ao trabalhador o que ele acha disso. Quando pode responder, na hora do voto, o resultado é o que se viu na França.

Paul Krugman, um prêmio Nobel de Economia insuspeito, disse recentemente que a doutrina da austeridade fiscal e do corte de gastos para combater a depressão é um “conto de fadas” que morreu. Em lugar nenhum deu certo, menos ainda quando veio associada a liquidação de direitos. A conclusão? Penso que o capitalismo tem que buscar um outro caminho, eventualmente regulando pra valer o arbítrio do capital.

A propósito, sugiro a leitura dos textos disponíveis aqui para que se tenha uma ideia da amplitude desse debate, e o artigo Europa pode enfrentar uma tempestade política, de Paul Mason, editor de Economia daBBC. O cartoon lá de cima foi reproduzido originalmente em matéria doPresseurop

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Categorias: Europa, Hermes, Internacional

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um comentário em “Hollande”

  1. Lucas Marcelino
    12 de maio de 2012 às 13:17 #

    Na verdade está na hora da população buscar outro caminho que não seja o capitalismo!!!
    Já vimos que todas as formas do capitalismo levam ao mesmo ponto: crise.

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