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O cérebro social

por Érica Perazza

Até agosto de 2012, arede social mais famosa do planeta chegará a marca de um bilhão de usuários. No Brasil, apenas 16% da população possui perfil no Facebook, mas a cada dia essa porcentagem cresce mais.

Com o aumento de usuários, o círculo de amizades virtuais também aumenta. Será que é possível ter milhares de amigos ao mesmo tempo e do mundo todo?

O antropólogo, psicólogo evolucionista e professor da Universidade de Oxford, Robin Dubar realizou diversos estudos e descobriu que só é possível manter  relações sociais significativas com um número relativamente pequeno de pessoas. Ele propôs o Dunbar’s Number (Número de Dunbar), um limite de no máximo 150 pessoas com quem um ser humano pode manter  relações sociais estáveis. Um número maior do que isso exige regras mais restritivas, leis e normas impostas para manter um grupo estável e coeso.

De acordo com os seus estudos, foi possível concluir que quanto mais indivíduos num grupo, há mais informações para serem processadas. Contudo, o neocórtex do cérebro humano  (a parte do cérebro responsável pelo pensamento consciente, percepção sensorial e da linguagem)  possui uma capacidade limitada para receber o grande volume de idéias, ações e até sentimentos. Todas essas informações necessitam ser identificadas, classificados e assimilados para que um convívio social efetivo.

Dificilmente essa capacidade limitada do neocórtex  permite aos seres humanos atingirem um alto grau de intimidade, confiança, cumplicidade e afinidade com mais de cinco pessoas. O cérebro precisa liberar muitos dos neurotransmissores que fazem com que alguém se sinta mais relaxado, alegre e feliz. Porém, amigos que possuem um contato apenas virtual não contribuem em alta escala para que isso aconteça.  Afinal, a ocitocina (hormônio muito associado ao vínculo afetivo) dispara no contato físico, por isso é conhecida como “hormônio do abraço”.

O sociólogo Cameron Marlow realizou uma pesquisa feita no Facebook que mostra que, em média, o usuário estabelece uma relação estável com no máximo 120 contatos dentro do site.

Atualmente, uma rede social consegue filtrar e separar os seus relacionamentos em “círculos” diferentes. Um das mais recentes, o Google Plus, seleciona seus amigos em grupos.  Mas o que melhor ilustra a seleção de relacionamentos são as mensagens. Apesar de serem seis bilhões de contas de telefone ao redor do mundo com uma média de 3 300 mensagens de textos enviadas por mês, uma a cada dez minutos,  o contato é um por um. E é por isso que todas as outras formas de comunicação, inclusive as redes sociais, ficam para trás. Tom Chatfield, colunista da BBC Future, defende que as mensagens de textos possuem um valor de acesso exclusivo. “Sabendo o número pessoal de telefone móvel de alguém é muito mais precioso e pessoal do que uma forma de contato de uma página no Facebook, endereço de email ou pega Twitter. Além disso, a grande maioria envolve um pequeno punhado de pessoas: amigos, família, colegas”. Ou seja, a rede interna da vida de uma pessoa. Para Chatfield,  “é a disponibilidade perpétua pessoal dessas pessoas (e não milhões de estrangeiros e milhares de amigos online) que mais define a revolução das comunicações sociais das últimas décadas”.

E para você? Como essas tecnologias digitais interagem com o pequeno número de relações verdadeiramente significativas em sua vida?

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Categorias: Comportamento, Internet

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