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Permanente ou efêmera?

Por Thaís Teles

Seu processamento deixou de ser feito a partir de longas apurações e choque de dados brutos. A notícia de hoje é pautada pelas mudanças dos visuais dos famosos ou ainda a partir das manifestações das celebridades no Twitter. Quer exemplos? A apresentadora Angélica sempre foi louca para ter uma filha, há poucas semanas, páginas dos principais portais estampavam a notícia de que a loira estava grávida e que uma garota está a caminho, a fonte de informação era o Twitter da apresentadora. Chico Anysio faleceu às 14:52 da última sexta, dia 23 de março, os adeus do meio artístico foram publicados nos principais portais depois de uma “profunda” análise de dados feitas em páginas do Facebook, Twitter, etc.

Situações como estas exigem imediatismo, rapidez e excesso de material, de modo que a notícia seja mastigada para o público, porém, será que tamanha agilidade e superficialidade na produção  é capaz de gerar a permanência da informação a ponto de enriquecer o senso crítico daqueles que leem? Como produzir conteúdo que interesse todas as camadas?

São tantas dúvidas que atingem aqueles que vivem do exercício de transmitir notícias que até mesmo os principais nomes do jornalismo se deparam com este dilema. José Arbex Júnior, ex-repórter da Folha de S. Paulo, relata em ” Showrnalismo: a notícia como espetáculo” a dificuldade que encontrou ao presenciar a queda do Muro de Berlim e uma série de questionamentos que o acometeram na hora de colocar todas as informações que capturou no papel: “Mais além na cadeia de relações entre jornalista e o consumidor final do produto, está o próprio consumidor das notícias: como, e em que medida, os tempos vividos, as asserções ideológicas, os relatos e as memórias transmitidas pelos jornalistas e editadas pelo jornal serão captados e experimentados pelo indivíduo exposto ao fluxo ininterrupto de informações veiculado pela mídia? (…) Até que ponto nossas matérias conseguiriam traduzir o clima de ansiedade nas ruas da capital onde estava para acontecer uma batalha entre polícia e manifestantes, ou um importante pronunciamento de algum chefe político?(…) Finalmente, coloca-se o “leitor especializado”: o historiador, o intelectual, o analista econômico, o crítico da cultura. Como ele poderá, a partir do exposto nas páginas de um jornal, ou mostrado na tela de uma televisão, analisar os fatos em profundidade, construindo uma teoria ou uma versão aproximada daquilo que aconteceu?”

Quando o texto foi escrito, a internet ainda engatinhava e, aos poucos, roubou a cena como principal protagonista na transmissão de conteúdo, muitas vezes incapaz de informar. A situação retratada por Arbex, é a mesma que muitos jornalista se perguntam constantemente diante de uma pauta e em qualquer tipo de mídia: qual o valor social que esse assunto tem? Porém, a dúvida sobre o conteúdo vem acompanhada da lucratividade exigida pelas publicidades que deixam a informação totalmente comercial e a necessidade da audiência crescente que mantém os principais portais em evidência. O debate torna-se ainda mais intenso e profundo, uma vez que as diretrizes de diversos meios de comunicação deixa de ter como carro-chefe o fato, passando a ser totalmente submisso ao mundo da propaganda e o bombardeio constante de textos de pouca qualidade.

No entanto, quem pauta grandes matérias não é mais o compromisso social e não há tempo para questionamentos sobre a reflexão acerca de determinados assuntos. A necessidade é o agora, portanto, nada de buscar fontes demoradas ou tentar encontrar respostas complexas, tem que ser instantâneo. Afunde-se nas redes sociais, faça uso intenso do que está na mão: Google, Ctrl+C e Crtl+V, o que importa é a audiência!

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Categorias: Metalinguagem

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