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Maçãs podres avançam sobre o ensino superior privado

O sistema universitário privado está cheio delas
A ideia do título deste post veio da lembrança do documentário Corporation (assista aqui) e da insistência irônica com que ele aponta as empresas acusadas de práticas anti-sociais como exceções que espalham sua má fama para o conjunto das demais. Não demora muito e o filme acaba demonstrando o oposto, isto é, as práticas das maçãs podres são a própria natureza do sistema; são a regra e não a exceção.
 
Pois nas últimas semanas uma conclusão parecida como essa parece ter ficado demonstrada no noticiário sobre as recorrentes falcatruas praticadas por inúmeras “instituições” particulares de ensino superior. Quem acompanhou as informações sobre a fraude que a UNIP comete em sua participação nos exames do ENADE, com a manipulação de listas de concluintes, pensou tratar-se de um caso único, uma manifestação de desespero empresarial em busca de um bom resultado de seus alunos que se transformasse em peça de marketing – como se a UNIP precisasse disso. De jeito nenhum: os jornais de hoje (23 de março) noticiam que passa de 30 o número de “universidades” que fazem a mesma coisa. É uma prática do sistema…

É possível que um néscio ou alguma autoridade do MEC – ambos sempre dispostos a evitar os adjetivos com que essa conduta deve ser classificada – alegue que essa deformação descoberta na ponta do processo não transfere aos cursos e às demais práticas gerenciais das escolas denunciadas qualquer desqualificação. Mas e as outras denúncias? A São Marcos, por exemplo, foi descredenciada; a Cásper Líbero tripudia sobre seu corpo docente e demite arbitrariamente um de seus melhores professores; a Unicastelo, propôs a redução de 60% dos salários de seu corpo docente; na Bahia, uma tal de Facet cobra mensalidades de bolsistas do Prouni; Em São Paulo, a Uniesp repassadinheiro do FIES para igrejas que indiquem alunos para seus cursos…

Posso estar enganado e juro que torço por isso, mas aos poucos parecem ganhar força algumas teses sobre o papel que o ensino universitário particular tem na sociedade brasileira. A primeira delas é talvez a mais grave: é um setor dissociado das necessidades do ensino, da pesquisa e da qualificação de seus alunos, tal é a sua vinculação com interesses financeiros da pior espécie. A segunda tese decorre dessa: se está desvinculado dessas necessidades, o ensino superior privado é um ônus social e pode representar um prejuízo irreparável para o processo de desenvolvimento do Brasil em todos os setores, e não faz muito mais do que estimular uma cultura arrivista entre os jovens estudantes. A terceira diz respeito à responsabilidade social de professores e pesquisadores que atuam nessas instituições: de alguma maneira, transfere-se para a qualidade de seu trabalho e para os signos de que desfrutam os prejuízos decorrentes de tantas e tão graves denúncias como essas apontadas acima.

Não conheço o nível de comprometimento que o Ministério da Educação tem com a estabilidade de um sistema desses e desconheço também a força da pressão que os barões das universidades particulares desenvolvem nos corredores dos três poderes de Brasília, mas suponho que a gravidade do que está acontecendo é maior do que o vazamento da Chevron (só para pinçar um exemplo de ação pronta e severa das autoridades). De outro lado, está na hora da representação corporativa de âmbito nacional dos docentes do ensino superior privado espernear…

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