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Proporções catastróficas

Centenas de haitianos passaram a imigrar ao Brasil, após o terremoto em janeiro de 2010. Os refugiados entram nas terras brazucas buscando condições melhores de vida. A questão é mais complexa do que parece, pois a maioria entra em nossas fronteiras ilegalmente. Sem regularização, eles podem tanto trabalhar informalmente quanto serem explorados no mercado já que não possuem registro e nem direitos trabalhistas. Atualmente, cinco mil haitianos residem no Brasil. Desses, quase três mil estão empregados no Estado do Amazonas. As vagas são principalmente na área de construção civil. Eles não precisam ser mão-de-obra qualificada e nem podem, já que 45% dos haitianos são analfabetos.

A questão é político-social, considerando que imigrantes irregulares não pagam impostos e dessa forma fica mais difícil para eles terem acesso à serviços básicos como direito à moradia, saúde e educação, por exemplo. Além disso, levanta-se a questão de que eles não contribuiríam para o desenvolvimento da economia no país, considerando que parte do salário recebido, eles mandariam para ajudar parentes e amigos no Haiti. E que ainda, o Brasil não consiga sustentar a imigração caso não mantenha o seu ritmo atual de crescimento.

Para evitar a imigração irregular, cem vistos por mês serão emitidos pela embaixada brasileira na cidade de Porto Príncipe. O visto vale por apenas cinco anos. Mas essa limitação de tempo é questionada. Durante esse período, não é garantido que as condições melhorem no Haiti para os imigrantes conseguirem voltar. Além do mais, não seria nada humanitário do Brasil negar visto às famílias. Elas vêem em busca de melhores condições de vida. Suas casas foram destruídas, o seu país foi destruído. E se depender do resto do mundo, não vai ser agora que o Haiti vai se levantar.

De acordo com o levantamento do jornal britânico, The Guardian, a Venezuela e Estados Unidos prometeram cerca de dois milhões de dólares para ajudar o Haiti em sua reconstrução, mas aproximadamente 30% desse valor foi desembolsado.

Enquanto isso mais de um milhão de haitianos desabrigados vive em barracas ou tendas. Não há eletricidade e a água potável (quando disponível) é vendida. Acontece que a taxa de desemprego chega a 80%, portanto poucas pessoas conseguem comprar. As ruas estão invadidas por lixo e às vezes, até por dejetos, sujeitando a população a graves doenças. As pessoas estão passando fome. Dos mais de US$ 300 milhões esperados para a agricultura, apenas US$ 125 milhões foram recebidos. Na área da saúde nem metade dos US$ 315 milhões prometidos chegaram ao Haiti. Parte dessa verba prometida foi “lavagem de dinheiro”, pois ONGs dos próprios países “doadores” receberam uma porcentagem dos dólares.

E assim fica o Haiti, que sempre sofreu com o descaso do resto do mundo: esquecido em ruínas, num canto das Américas.

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Categorias: América Latina

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