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Unip reflete sistema universitário sem projeto

Via José Faro

Ministério da Educação precisa retirar sua chancela das bad apples do sistema universitário nacional

Entre aqueles que se preocupam com os rumos da Universidade brasileira, o escândalo descoberto na Unip e amplamente denunciado na imprensa nos últimos dias continua sendo o assunto do momento, não só pela safadeza que a empresa praticou para burlar os resultados que a favoreceriam no Enade, mas porque o caso parece evidenciar uma infecção generalizada em todo o ensino superior privado nacional. O país está diante de um desafio que pessoalmente classifico como dos mais importantes para o seu futuro e, nessa medida, me parece que não é uma simples apuração de responsabilidades – dessas que a burocracia estatal acaba engavetando – que pode evitar as consequências mais nefastas do episódio.

Como causa dessas “consequências nefastas” (vai aqui um pouco da retórica que me parece que o caso exige) venho usando o conceito de “efeito Anhanguera” – uma cultura da esperteza e do gigantismo econômico-financeiro que se espalha pelo conjunto do sistema e que tem nessa holding uma paradigma que normatiza, para pior, as práticas de todas as escolas privadas. A rigor, penso que esse desdobramento no âmbito da ação dos empresários, com apego às mais legítimas tradições da selvageria com a qual sempre pautaram seu comportamento, tem como resultado a desorganização da presença reguladora do Estado. No final das contas, como pude afirmar em outro comentário, ministros após ministros, governos depois de governos, o que se verifica é sempre a sujeição do poder público à política do fato consumado das empresas. Em suma: duvido muito que o escândalo da burla do Enade seja uma prática exclusiva da Unip e nem que era ignorada pelo MEC.

A outra face do problema entendo que está ligada à filosofia pedagógica que orienta todo o conjunto das avaliações promovidas pelo governo: o critério do desempenho quantitativo do estudante como referência de qualidade. Enem e Enade são também contaminados pela orientação que favorece a constituição fraudulenta e manipulada dos universos de alunos que as escolas relacionam para as provas. A regra do jogo, portanto, o gaming como isso é denominado no editorial do Estadão de 7 de março (leia aqui), tem espaço que minimiza a prática anti-ética das escolas, o que as estimula a prosseguir na mesma política da vantagem  a qualquer custo.

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Categorias: Atena, Educação e História

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