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Um músico sem limites

Por Felipe Perazza

Um dos quesitos que mais aprecio das personalidades famosas é o famoso “saber a hora de parar”. Muitos artistas se apaixonam pela fama e se recusam a largar o bastão, esquecendo-se de que, como diria o mafioso do filme “O Gangster”: “Parar no auge não é necessariamente desistir”. Contrariando essa plena sabedoria oriental, muitas bandas insistem em realizar trabalhos pouco convincentes, enquanto seus melhores anos já passaram. Foi o caso do Oasis, uma das bandas mais importantes dos últimos vinte anos, que atingiu o ápice em seus discos fenomenais, com hinos como Slide Away, Live Forever e Wonderwall.

O últimos discos da banda inglesa, porém – embora muito bons – não acompanharam a trajetória ímpar do grupo. Parecia que os conflitos internos abalaram o resultado final, afinal não é novidade pra ninguém que os irmãos Liam e Noel Gallagher são bons de briga. Aliás, “bons” é pouco. Os caras tornam a metáfora “brigar como irmãos” uma brincadeira de criança. Aqui o duelo é de titãs, com os talentos e egos tão inflados que foi necessária intervenção da mãe deles, a Sra. Peggy Gallagher, que lhes deu um merecido puxão-de-orelha e pediu para que os filhos não se processassem. Já que estamos falando em mãe, a minha sempre diz “Há males que vem para o bem”.

O fim conturbado do Oasis abriu novas portas, para ambos os talentos. Liam Gallagher, o vocalista, seguiu com os outros membros do Oasis e formou a banda Beady Eye. Noel Gallagher, guitarrista e principal compositor do antigo grupo, seguiu carreira solo. Ano passado vieram os frutos de ambos e o que era de se esperar, aconteceu. Desde 1996 já estava claro. Há quinze anos, no famoso show “MTV Unplugged”, quando Noel Gallagher precisou assumir as rédeas do Oasis por uma noite – já que seu irmão se recusou a subir no palco alegando problemas na garganta – fomos presenteados com um dos melhores momentos do Oasis de toda história. Não poderia ser diferente numa experiência musical toda concebida por Noel.

“High Flying Birds” é um dos melhores discos lançados últimamente. Uma obra autoral e criativa, porém com o todo o grandioso estilo de Noel, que trouxe tantas glórias passadas ao Oasis. O disco é uma viagem psicodélica de início ao fim, a qual conduz o ouvinte por altos e baixos, traduzidos em composições maravilhosas e instrumentações impecáveis. A abertura com Everybody’s on the Run é uma amostra do que está por vir. A canção abre com um trabalho de cordas incrível para depois explodir numa levada contagiante. O mesmo acontece ao final de Stop the Clocks, onde a lenta e emocionante melodia culmina num ruído musical primoroso. Noel Gallagher leva à fundo o termo “viagem” em seu disco.

O álbum ainda traz outros espetáculos sonoros como a viajante Dream On, a poderosa balada AKA… What a Life! e a estimulante peça que encerra o projeto: The Good Rebel. Sensacional por completo, sem pontos negativos e concebido como uma experiência musical única, “High Flying Birds” é imperdível para fãs não só de Oasis, mas da boa música em geral. Que venha logo o show de Noel Gallagher para que apreciemos tais canções como ele mesmo prega: no calor do momento. Ao vivo e a cores.

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Categorias: Atena, Música

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