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Dia de Luta

por Lucas Marcelino

As mulheres já são maioria da população no mundo. Em vários setores da indústria, do comércio e das faculdades e escolas, elas também compõem a maioria. Mas embora tenham chegado aos cargos máximos em instituições, empresas e governos como no caso do Brasil, da Alemanha e de vários outros países, principalmente, na América Latina, a situação geral das mulheres continua sendo motivo de vergonha para nossa sociedade.

Um dos grandes atrasos da nossa civilização é tratar a mulher como objeto, seja de forma direta ou indireta. Os casos de cárcere privado em que mulheres sofreram abusos de familiares (sendo o caso mais famoso ocorrido na Áustria) por anos, as mulheres que são assassinadas ou se tornam reféns de ex-parceiros por terminarem relacionamentos, são os casos mais graves onde alguns homens se imaginam como superiores e possuidores dessas mulheres. Sem contar o sem-número de casos de agressões físicas e psicológicas que mulheres sofrem de seus maridos, filhos e parceiros.

Mas os casos de machismo não são apenas esses explícitos. Existem outras formas de machismo muito graves. A jornada dupla e às vezes tripla exercida pelas mulheres que são mães-estudantes-trabalhadoras-esposas e que ao invés de receberem apoio da sociedade e dos homens, são responsabilizadas e penalizadas por essas condições impostas pela própria organização social atual. Os salários e cargos menores destinados às mulheres trabalhadoras é um exemplo clássico de machismo. As agressões verbais contra as mulheres que lutam para diminuir a opressão diária sofrida nos locais de trabalho, nos órgãos públicos e nas reformas políticas e até nas redes sociais, são casos comuns de machismo. Os ataques que sofrem as mulheres que se manifestam por seus direitos a creches, ao estudo e a assistência social com condições diferenciadas são formas escondidas de machismo. Tudo isso mostra que nossa sociedade não é igual, como se propagandeia a todo instante. E se os negros sofrem com racismo, o machismo é tão presente quanto e afeta ainda mais as mulheres negras.

E tentando criar uma falsa impressão de apoio às mulheres, empresas – muitas delas acusadas de machismo – e o comércio, usam o Dia Internacional da Mulher como propaganda para novos produtos. Aí também existe a utilização da mulher como objeto ou mercadoria, onde se divulga que uma mulher pode viver feliz ou servirá melhor seu marido apenas com um presente recebido uma vez por ano.

O Dia Internacional da Mulher surgiu a partir das manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho na Rússia czarista pré-revolução. Lá as mulheres e crianças tinham cargas horárias de trabalho superiores as dos homes e ainda tinham nova carga ao chegarem às suas casas, onde deviam cuidar da família. Em 1910, ocorreu a primeira Conferência Internacional das Mulheres, organizada pela Internacional Comunista e que aprovou a proposta da feminista e revolucionária alemã Clara Zetkin de comemorar o Dia Internacional da Mulher.

A primeira comemoração ocorreu no dia 19 de março de 1911 e poucos dias depois ocorreu um acidente – erroneamente atribuído como origem do dia da mulher – nos EUA onde 146 trabalhadoras morreram queimadas em uma indústria têxtil. Mas o 8 de março se tornou data oficial após um levante realizado pelas mulheres russas contra a primeira guerra mundial e o czar e a favor da revolução russa de 1917. Esse levante ocorreu no dia 23 de fevereiro de 1917. Mas como a Rússia utilizava o calendário juliano, no calendário ocidental (gregoriano) essa data era 8 de março. Esse levante impulsionou a Revolução Russa de Fevereiro, que derrubou o czar e impulsionou a Revolução de Outubro onde o povo, e, também as mulheres russas chegaram ao poder.

Depois da Revolução de Outubro a feminista Alexandra Kollontai sugeriu ao dirigente russo Lênin que fosse implantado o dia 8 de março como data oficial, depois copiada pela maioria dos países. Essa data acabou perdendo sua importância num mundo cada vez mais machista e segregacional, onde as “minorias” eram cada vez mais hostilizadas. A data só começou a ser relembrada com o auge do movimento feminista da década de 1960, onde mulheres queimaram roupas íntimas em praça pública.

Resolvemos contar toda esta história como forma de conscientizar, não só as mulheres, mas todos os estudantes de nossa faculdade da importância de resgatar na nossa sociedade as lutas pelo direito de igualdade entre homens e mulheres, gerando assim uma sociedade mais justa e igual. E o dia 8 de março é justamente a data para começarmos a rever nossas atitudes e eliminar o machismo e a opressão contra as mulheres das nossas atitudes diárias.

Parabéns às mulheres pelo seu dia. Todo dia é dia de lutar por seus direitos!!!

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Categorias: Comportamento, Educação e História

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