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Drogas pelas ruas de Vancouver

Por Marjorie Okuyama

Passeando pelas ruas de Vancouver, localizada na costa oeste do Canadá, é surpreendente poder identificar algumas características que também são vistas aqui no Brasil. Sim, lá existem pessoas empurrando umas as outras para entrar nos transportes públicos, pessoas que, nem para atravessarem a rua, tiram os olhos de seus aparelhos eletrônicos, moradores de rua que buscam algum lugar para se aquecerem no inverno e dependentes químicos que vivem em seu próprio mundo e vagam por Downtown. Como é possível notar, Vancouver, apesar de ter sido considerada pela revista britânica “The Economist”, como a melhor cidade para se viver, ela também enfrenta seus desafios e tenta, diariamente, lidar com os descontentamentos da população.

Por muitos anos, uma das questões mais polêmicas são as drogas. Lá, os usuários de crack, heroína e morfina possuem um tratamento especial na cidade. Vale lembrar que a cidade de Vancouver é bastante conhecida pela sua permissividade em relação ao uso de substâncias ilícitas.

 “Insite”

Na década de 90, pelo fato dos dependentes compartilharem agulhas e as limparem em poças de água, o governo verificou que o índice de HIV foi o mais alto já observado em países desenvolvidos e que, por dia, ao menos uma pessoa morria de overdose. Levando estes fatores em consideração, em 2003 foi aberta em Downtown Eastside, local onde se concentra o maior número de usuários, uma clínica chamada “Insite”, um dos poucos lugares da América do Norte especializado em injetar drogas nos dependentes.

Na “Insite” os usuários recebem agulhas esterilizadas, água destilada, seringas e todos os cuidados necessários para injetarem a droga com segurança. Todos são monitorados por enfermeiras que indicam qual é a veia mais segura para a aplicação da substância. Além disso, os dependentes químicos que sofrem uma overdose dentro da clínica, recebem toda a assistência dos médicos e a medicação necessária para conter a crise. Todos os equipamentos são oferecidos gratuitamente, exceto a própria droga e, por ano, cerca de CAD 500.000, aproximadamente R$ 1 milhão, são destinados à clínica.

Enfermeira auxilia usuário na aplicação da droga

Divergências

Claro que uma ação como esta gera opiniões controversas em relação ao tratamento dado aos dependentes. No final de 2011, o Supremo Tribunal do Canadá negou a decisão do governo canadense de fechar a “Insite”. O primeiro-ministro, Stephen Harper, do Partido Conservador, argumentou que as narcossalas, criadas quando o Partido Liberal ainda estava no poder, não funcionam como uma política pública benéfica no combate às drogas e ainda favorece sua difusão. Entretanto, estudos apontam que o número de overdoses caiu cerca de 35% próximo à região onde a clínica foi instalada e 9% por toda a cidade. E tem mais, após freqüentarem a “Insite”, 30% dos dependentes decidiram procurar ajuda, aproximadamente 400 pessoas por ano.

Protestos contra o fechamento da “Insite”

Como é possível analisar, o objetivo da clínica não é facilitar o uso de drogas ilegais, mas ajudar os viciados e pessoas com problemas mentais a, ou injetarem com segurança evitando o contágio de doenças, ou tentar ajudá-los caso um deles queira iniciar um tratamento para deixar o vício.

Os céticos podem não acreditar nem em dados, muito menos nos valores da clínica, porém vale lembrar que narcossalas como as que foram instaladas em Vancouver, já estão sendo implantadas na Europa e são consideradas uma das formas de enfrentar o problema das drogas.

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Categorias: Comportamento, Hades, Internacional

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