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Caipira na cidade

O músico Passoca fala sobre sua carreira fora do campo

Érica Perazza

Descolado, animado, mente aberta, nascido na cidade litorânea de Santos, Marco Antonio Vilalba, mais conhecido como “Passoca”, é também cantor e compositor. Arquiteto de formação, queria viver da sua música. “Não tinha pretensão material”, confessa. “Eu poderia ter me dedicado à uma profissão mais estabilizada economicamente, ter férias, salário garantido, mas estou muito bem. Nado, faço ginástica e adoro meus filhos”.

Passoca começou a trabalhar com jingles e gravou seu primeiro disco em 1979. Já teve uma banda chamada Flying Bananas. “Se tinha os Rolling Stones e as pedras podiam rolar por que as bananas não poderiam voar?”, questiona entre risos.

O grupo, formado durante seu curso na Faculdade de Arquitetura de São José dos Campos em 1972, era composto por por mais três mebros: Antonio Celso Duarte (Bê) e Carlos Alberto de Souza (Carlão de Souza). Mais tarde, o grupo se desfez e Carlão de Souza passou a tocar juntamente com Renato Teixeira, o famoso “Caipira Pirapora”.

Influenciado por João Gilberto, o violeiro de 62 anos conta que sobrevive de música até hoje. “Sempre gostei de música, artes plásticas e fotografia”. Passoca, que está prestes a lançar seu mais novo trabalho “Suíte Paulistana”, acredita que o tipo de música que produz não tem espaço na mídia, principalmente hoje em dia. “Meu trabalho tem uma zona de limite”.  Ele

acostumou-se a andar por essa zona, entre o campo e o urbano, entre a viola, e a guitarra, entre a calçada e natureza, entre o estereótipo e o inovador. “Tudo é muito pré estabelecido, por isso eu sou um produtor independente. É tudo para um e nada pro outro”. Ele dá o exemplo de que a cantora Ivete Sangalo ganha milhões e toca para milhares enquanto várias bandas muito melhores e dignas não têm a chance. “Consigo escutar alguma banda esteticamente interessante, mas quem faz algo realmente interessante não está na mídia, assim como eu. É uma política cultural dos jornais que escolhem o que acham bom.  O mercado é muito burro”, afirma. Ele também critica as atitudes das gravadoras como “uma ditadura da modernidade devido a pirataria que acabou mudando a pose delas e do indústria musical também”.

Passoca, um caipira urbano

Não existe música independente, existe público independente. E agora cresce através da internet. Você pode sobreviver com isso (talvez não fique rico). Mas tudo faz parte da pessoa. Eu quero cantar até o fim da minha vida, o meu diafragma ainda funciona legal!”, diz contente. Passoca que já lançou seis discos ao longo da carreira com destaque para o álbum “Breve História da Música Caipira”, uma verdadeira antologia com clássicos consagrados do repertório Caipira Raiz, observa que muitas duplas do gênero atualmente se “descaipirizaram”. Ninguém sabe quem é Cornélio Pires, que lá por 1929 pertencia a uma dulpa caipira. Ele influenciou Monteiro Lobato. Eu também aprendi com ele, mas hoje as pessoas não buscam mais informação. O pior é que ainda de caipira muda para sertanejo e coloca o “universitário” para ficar chique. Uma bobagem. A única coisa boa é que tem gente que consegue se divertir. E estamos aqui para isso mesmo. Sermos felizes”.

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Categorias: Música

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um comentário em “Caipira na cidade”

  1. marco prado
    4 de março de 2012 às 8:10 #

    Gostaria de algum contato com o Passoca, ou produção..Sou fã, gostaria de ter a agenda de shows dele…

    Podem me passar?

    abraços

    Marco Prado

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