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Heródoto Barbeiro e suas verdades


por Thaís Teles

Mais do que apenas saber lidar com as palavras e reportar fatos, um jornalista precisa ter alma ilimitada, longe de preconceitos ou conformirsmos moldados pela sociedade. Jornalista de verdade consegue arrancar confidências através da humildade e do silêncio, contemplação necessária para entender uma resposta. Jornalista quer conhecer, entender e dividir o conhecimento com aqueles que não têm a chance de “pisar o mesmo barro” de fatos intensos e marcantes. Pode-se perceber que um rostinho bonito não é o suficiente. Jornalista é, antes de mais nada, um ser moldado de atitudes.

A sede de vida fez com que ele se identificasse com a profissão, desejo despertado anos depois de uma carreira consolidada no mundo acadêmico como professor de História e advogado formado.  Heródoto Barbeiro, acredita que a missão de um jornalista é “contar para uma parte da sociedade o que a outra está fazendo”.

A sensibilidade deste paulista, sempre foi sua aliada para perceber não somente acontecimentos relevantes, mais do que isso, essa percepção foi fundamental para que depois de mais de 20 anos de carreira acadêmica topasse mergulhar fundo em um novo desafio, ao analizar o novo convite que o destino ofereceu, Heródoto diz “quando escolhemos uma profissão ou algo pra fazer na vida, isso não é definitivo e eu soube entender este processo através da experiência. Ao longo de nossas vidas começam a ocorrer uma série de coisas inesperadas. Não gostamos destas surpresas do destino, do impermanente, gostamos sempre de ter certeza das coisas. Se na época em que dava aula para a turma de jornalismo fosse questionado se mudaria de profissão, responderia que não.”

O convite para ministrar aulas de história no “Telecurso 2000”, foi a porta de entrada para seu contato e intimidade com as câmeras, ambiente onde se deu sua inserção no mundo da notícia. Ao longo dos anos, o desprendimento e paixão pela comunicação possibilitaram que uma série de convites surgissem constantemente, de modo que passou a conhecer o processo de produção de rádios e jornais impressos. Porém, era necessário algo a mais e o diploma de jornalista passou a ser uma pendência. Foi então que, como o próprio Barbeiro se descreve “saí da frigideira para o fogo”, ou seja, de professor da USP, passou a aluno da faculdade Cásper Líbero. Para muitos, a mudança poderia ser um retrocesso, mas Heródoto não é um senhor antiquado, pelo contrário: “Foi uma experiência extraordinária mudar de posição na sala de aula. Sair da frente e me misturar com os alunos, muitos dos quais meus ex-alunos e agora meus colegas na escola de jornalismo. Voltei ao ambiente universitário com grande prazer e com humildade fui assistir aulas de alguns ex-colegas, e de algumas disciplinas que tinha lecionado em faculdades de jornalismo. O aprendizado humano e acadêmico foi enorme. Senti um engrandecimento sentado no meio da turma, fazendo amizades, voltando aos botecos da porta da faculdade, que há tanto tempo tinha deixado de ir, e aprender a fazer jornalismo.”


“Aprender a fazer jornalismo”, é importante enfatizar tal expressão, uma vez que eis aí um dos grandes conselhos do jornalista, a respeito da banalização do exercício da profissão e a instantaneidade inserida no mundo virtual e que pulsa o ritmo da sociedade contemporânea. “Lidar com as contantes novidades tecnológicas é simples, porém, saber fazer um bom jornalismo exige visão e conhecimento, uma bagagem composta ao longo do tempo e da experiência. Trabalhei em rádio, televisão e sempre tive artigos publicados em jornais e revistas e com o tempo, aprendi que o jornalismo é jornalismo, não importa em que plataforma ele se propague. Os veículos não são importantes, o que tem que estar sempre em evidência é o conteúdo, ou seja, a tecnologia é um meio e não fim” , observa.
Recentemente, a notícia da contratação de Bruno Camargo, um “jogador fantasma”, pelo Grêmio foi pauta de diversos portais. A notícia foi “plantada” nas redes sociais pelos torcedores e jornalista ingênuos acreditaram em tais fontes e divulgaram o falso acontecimento. A respeito de deslizes cometidos constantemente e os principais critérios para realizar uma boa reportagem, o jornalista afirma que “O primeiro passo é onde os jornalistas mais erram, que é apurar corretamente a notícia. Isso precede qualquer coisa, pois a imprensa vive dando notícias que não aconteceram ou matando gente que continua viva. A certeza daquilo que se divulga é a base para a elaboração de uma notícia bem feita, uma vez que todos os outros processos que compõem a informação são decorrentes desse princípio. Após este passo, critérios como averiguar se o fato é de interesse público, se está dentro da ética do jornalismo também devem ser verificados”.

Até que ponto a cultura pessoal de um jornalista deve influenciar sua matéria? Um dos grandes dilemas que muitos profissionais da comunicação enfrentam é o dilema entre conseguir separar sua opinião sobre determinados assuntos. O paradoxo psicológico que a situação gera, é assunto constantemente debatido em redações e salas de aula. Budista praticante, Heródoto Barbeiro acredita que “o jornalista – não importa qual sua religião, sua formação cultural, etc – carrega consigo um background e não tem como se livrar dessas coisas e elas transparecem, de certa forma, no exercício da profissão. Então, o budismo me influencia bastante nisso sim, já que um dos princípios fundamentais desta religião é o caminho do meio, ou seja, de evitar os excessos e buscar sempre o equilíbrio. Creio que esta é uma questão importante para o jornalismo e procuro sempre estar no caminho do meio, a fim de atingir o equilíbrio.” Situação, que muitos consideram ser uma utopia, mas entra em jogo também a questão de bom senso e a importância que a experiência traz.

Uma inquietação e vontade insaciável de descobrir mundos novos faz dele um dos grandes jornalistas da contemporaneidade. A singularidade da atuação de Heródoto Barbeiro está ligada à competência com que sempre abraçou convites e projetos com a finalidade de esclarecer e enriquecer o senso críticos dos indivíduos que a ele direcionavam toda atenção. Talvez, o princípio dessa posição está ligada aos tempos em que lecionava, já que para ele “professor é aquele que consegue enxegar coisas e estar sempre a frente de demais pessoas”.

Créditos: www.herodoto.com.br

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Categorias: Metalinguagem, Perfil Lisipo

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