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Mate antes, pergunte depois

por Érica Perazza

O golpe de 64 representou muito bem com todos os seus talentos cênicos e representa até os dias de hoje. Os resíduos da ditadura atuam como se ela não tivesse contribuído para o aborto de uma nação independente em termos políticos, econômicos e culturais com uma distribuição de renda menos desigual.

A ditadura militar esmagou, rasgou, trucidou, torturou, sufocou, afogou, queimou os mocinhos e no final não foi punida como acontece em finais felizes, em histórias água com açúcar.  E pior, a história do Brasil continua sendo construída com ferro e sangue. Ainda há raízes que crescem fortes e fundas através das sementes venenosas do militarismo. É o caso da PM, a Polícia Militar em São Paulo. O maior exemplo de que o país ainda não se livrou totalmente do regime autoritário e conservador.  Afinal, por que é necessário uma polícia militarizada? Cadê a força da polícia civil?

Quem leu Rota 66 do genial Caco Barcellos sabe do que eu estou falando. Quem não leu ainda, por favor, leia, é bastante esclarecedor, uma leitura obrigatória para quem quer entender como a polícia militar não passa de um bando de assassinos. Sua narrativa começa quando três jovens de classe alta foram mortos a balas em uma ação da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) no bairro nobre do Jardim América, zona oeste de São Paulo em 1975. O motorista, o jovem Noronha, perdeu o controle e atingiu um poste. Ele e o amigo Carlos Ignácio logo saíram de dentro do Fusca. Noronha clamou “Não atirem!”. Mas a misericórdia misturada à sede de morte da Rota 66 é cega e surda. Foram feitas 21 marcas de bala, a maioria na parte superior do fusca e 23 perfurações no corpo das três vítimas, em suma nas regiões vitais como coração e cabeça. A PM indicou outra versão do ocorrido: Perseguição com tiroteio seguida de morte.

A famosa “resistência seguida de morte”
Não passa de assassinato à sangue frio, muitas vezes com vítimas inocentes. Para provarem sua inocência e conseguirem que impunidade reine mais uma vez, os policiais fingem um gesto humanitário encaminhado as vítimas ao hospital, não providenciando o isolamento da área e ainda violando o local do crime que deveria ser preservado. Mas numa sociedade que defende que “bandido bom é bandido morto” (Direitos humanos, cadê?), mais de duas mil pessoas foram mortas em conflito, segundo dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), analisados pela Ouvidoria da Polícia. Comparando com os Estados Unidos (veja bem, comparando os EUA com a cidade de São Paulo),  entre 2005 e 2009, a PM matou cerca de 6% a mais do que todas as polícias do território norte-americano juntas. Juntas.

E o absurdo não para aí. Além de cometerem crimes, esses policiais ficam impunes. Ou pior, são promovidos. Alguns dos bacanas:

Tenente-coronel Salvador Modesto Madia
Prêmio: nomeado o novo comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).
Crime: matar 76 presos no Pavilhão 9 do presídio, que ficava no Carandiru, zona norte de São Paulo.

Coronel Ubiratan Guimarães
Prêmio: absolvido da acusação de ser responsável por 102 das 111 mortes
Crime: liderou o massacre do Carandiru

Capitão Bruno Schorcht
Prêmio: promovido a major
Crime: espirrou um spray de pimenta nos olhos de manifestantes em Niterói. Duas delas eram  crianças que estavam com a avó delas, que também foi atingida. O protesto era contra o descaso do poder público após a tragédia no Morro do Bumba. O “capitão” também responde por suposto crime de homicídio duplamente qualificado, em atividade típica de extermínio.

Tenente Daniel Santos Benitez Lopes e cabos Jeferson de Araújo Miranda e Sérgio Costa Júnior
Crime: participaram da execução da juíza Patrícia Acioli

Até quando?

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Categorias: Caixa de Pandora, São Paulo

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