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Como a imprensa trata as mulheres

por Juliane Freitas

Você conhece essa moça? Olhando assim, que palpite você daria para justificar uma foto deste tamanho dela em qualquer veículo da imprensa (pode responder com sinceridade)?

Perguntinha maliciosa essa, né? Pois é, mas não assim tão absurda e fora da realidade no contexto. Qualquer machismo implícito (explícito?) aí é proposital.

A garota acima é Camila Vallejo, uma geógrafa de 23 anos que está entrando para a história do Chile por ser uma das líderes do movimento que está tomando as ruas do país por melhores condições de ensino (para quem não sabe, ela e outros milhares de chilenos estão brigando pela desprivatização da educação e por universidades gratuitas para todos no Chile, que, acreditem meus caros, não oferece isso nem nas instituições públicas).

Depois de seis meses de militância, Camila já está famosa, já tem até perfil na Wikipedia. Já deu entrevistas para importantes jornais do mundo todo e foi recebida por Dilma Roussef em Brasília.  Camila é um retrato do girl power desta geração.  Ela é a musa dos protestos no Chile.

Ela é a musa dos protestos no Chile! Assim a imprensa se refere com frequência a Camila, por uma banalidade: ela é bonita. E daí a importância do que ela faz né??! Ela é uma baita gata liderando multidões. Chega a ser sexy.

Do outro lado, assim como as mulheres bonitas (e, ó!, inteligentes, e, ó!, ativistas) são estigmatizadas, chamam a atenção  outras mulheres, fora dos padrões de beleza (que-sei-lá-quem-inventou) e  superpoderosas, sofrem com abordagem pejorativa sobre sua feminilidade e com o fato de serem mulheres.

Exemplo fresquinho, a última do Bolsonaro (tudo bem, credibilidade zero) sobre a presidente Dilma (não, não acho que a prevalência do masculino seja machista). Transcrevo:

“O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma! Se o seu negócio é amor com homossexual, assuma, mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau!“.

Depois ele explicou, à Folha, que não estava chamando a presidente de homossexual e sim dizendo que ela ama a causa gay.

Bom, o Bolsonaro não á parâmetro para nenhuma discussão, convenhamos. E isso também não tem nada a ver com a mídia e sim com um preconceituoso de primeira linha, mas vai dizer que você nunca viu em lugar nenhum abordagem que se referisse à Dilma como “durona” e até “pouco feminina”?

Fora todo aquele papo de “a primeira presidente do Brasil”,  que é realmente incrível, histórico! Mas pera lá! A mulher tem as mesmas capacidades de um homem. Por que então tanta expeculação de como seria uma mulher no poder e porque tanta comparação com os homens, sempre? Por que ela precisa ir em um programa feminino fazer omeletes?  Ou melhor, por que nenhum homem da política, que eu me lembre, foi trocar o pneu de um carro em um programa qualquer?

Esse estigma de que  mulher = dona-de-casa e mãe já era. Mulher é isso, sim. Mas sabe conciliar isso com o trabalho. Tem que lutar para fazê-lo decentemente? Claro. Mas chega de colocar a mulher como frágil, docinho, fofa… Se a mulher é braba, não é porque ela é masculinizada, gente!

Não é preciso tanta sensibilidade assim. É preciso respeito às particularidades das pessoas, sejam homens ou mulheres.

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Categorias: América Latina, Metalinguagem, Política Nacional, Território Nacional

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