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A cultura plural de Oswaldo Mendes

Diretor fala de jornalismo, teatro e da vida

Érica  Perazza

Oswaldo Mendes é multicultural. Autor de Getúlio Vargas, uma biografia (Editora Moderna, 1984), Ademar Guerra: O teatro de um homem só (Editora Senac, 1997),  Teatro e Circunstância (Editora Núcleo, 2005), Um tiro no coração (1984), Voltaire – Deus me livre e guarde (1998) e A dança do universo (2005), é também diretor e jornalista e já escreveu textos de arte e biográficos sobre Vinicius de Moraes, Chico Buarque  e Tom Jobim.  Em 2010, lançou a biografia de Plínio Marcos “Bendito Maldito”, obra que lhe concedeu o prêmio Jabuti. Atualmente, está em cartaz no Tuca com 12 Homens e uma sentença. 

Oswaldo Mendes

Foi em 1969, que começou a trabalhar com jornalismo. “O acaso e as escolhas que fazemos pesam na nossa vida”, diz ele. Durante um tempo, Oswaldo mal tinha vida social, suas relações interpessoais ficaram desgastadas por causa das horas que passava na redação. “Eu não queria aumento, não, não queria dinheiro, eu queria minha vida de volta”, confessa ele. “Apenas sentia falta da minha casa e dos meus amigos”. Até hoje, o jornalista tem a filosofia de vida de não brigar por aumentos de salários. “Não quero ganhar cinco reais a mais”, revelou. “Quero trabalhar com algo que me dê prazer”.

Oswaldo sempre viveu nesse mundo relacionado à teatro e jornalismo. Ele conta que “havia uma saudável promiscuidade” na época entre artistas e jornalistas. “Quem escreve e quem lida com teatro também, sabe lidar com indivíduos, e assim, entende a essência humana”, revela. Mas, antes de mais nada, aconselha: “Quem está começando teatro, eu aconselho ter outro emprego, pois não dá para levar e sobreviver no começo”. Oswaldo que já atuou na novela “Mulheres de Areia”, afirma que gosta da televisão como possibilidade, “mas hoje o que eu assisto não me agrada”. Ele também é contrário às tecnologias. Não possui nem celular. “Não preciso. A tecnologia esta aí para me servir. Não vou virar escravo dela”, alega o jornalista que participou da era da informatização na Folha. Ele fala que os aparelhos eram sucatas vindas dos EUA e foi muito difícil se adaptar às mudanças, mas pelo menos era possível gritar e fumar à vontade nas redações. “Era muito divertido”, recorda. “Agora parecem que há robôs! Além disso, a imprensa tem tanta agilidade, mas os pensamentos nas redações são retrógados”, lamenta.

Mendes também critica os tempos modernos tanto nas redações como fora delas. Para ele, as pessoas começaram a viver da mão pra boca, isto é, o que ganham, devoram. “O tempo do pensamento desapareceu. O espaço para pensar não existe mais e a ideia sumiu. No meu tempo discutíamos pelo prazer, pelo prazer do contraditório”. Para Oswaldo, o teatro também perdeu espaço, principalmente com os avanços da TV e do cinema. Em plena ditadura, o autor participou de várias peças de teatro, entre elas Missa leiga (1972). “O teatro era o canal para falar sobre tudo. Ele inclusive cumpriu a tarefa como entretenimento”. Oswaldo acredita que o ser humano que surge, urge. Possui as mesmas angústias e emoções de sempre, mas suas urgências são diferentes, principalmente pelo fato de que as transformações agora são muito mais velozes. É aí, que entra o teatro.

A peça "12 homens e uma sentença"

Em cartaz com 12 Homens e uma sentença, a peça tem como tema a tolerância entre os homens. “Precisamos disso hoje. Precisamos do respeito à opinião do outro, já que não temos mais isso. O teatro consegue transferir isso ao nosso cotidiano. Essa peça é de 1957. E eu digo que muitas peças quando fazem sucesso é porque são necessárias”. Com dramaturgia à moda antiga, 12 Homens e uma sentença tem personagens bem caracterizados. E o que impressiona Mendes é que o público sai discutindo sobre o que assistiu. “Isso prova que não vivemos num mundo tão alienada assim”, diz esperançoso. “O teatro deve ser o espelho da natureza do homem”, nossa espécie – por mais que critique sobre a autodestruição e destruição da natureza, meio ambiente – é a única raça que tem consciência. Ou seja, se tudo for destruído, o universo não derramará lágrimas”. Para Oswaldo, nós só existimos graças ao olhar do outro. Sem aplausos, não há arte.

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Categorias: Teatro

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