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Boulevard dos Ordinários

Érica Perazza

Depois da eleição, o povo sempre se prejudica com as tais “promessas não cumpridas. No universo paralelo dos políticos, suas promessas foram mais do que realizadas e são grandes feitos. Ah, sim! Antes da eleição, é o momento para se vangloriar das obras construídas durante o período de governo.

Pontes, rodoaneis, rodovias, viadutos, túneis, etc etc. Construção de caráter, de um futuro e uma vida com mais qualidade nem são rabiscadas no rascunho. Ah, mas aquelas construções são repetidas, relembradas, reformadas, levantadas como verdadeiros monumentos gloriosos. De glória não possuem nada. Não só porque durante suas obras o dinheiro público foi desviado, mas principalmente porque levam nomes nem um pouco renomados e nobres na história brasileira. A seguir, confira uma lista de endereços com nome desses salafrários.

Costa e Silva: durante seu mandato fechou o Congresso Nacional e instaurou o Ato Institucional número 5 (AI-5), que suspendeu todas as liberdades democráticas e os direitos constitucionais. A partir de então, a polícia podia investigar, perseguir e prender cidadãos sem mandado judicial.
Local: Pouca gente percebe que a maior ligação entre o Rio de Janeiro e Niterói é a Ponte Costa e Silva, conhecida como Ponte Rio-Niterói.
Porque não merece a homenagem: violação aos Direitos Humanos, abusos e repressão política.

Coronel Moreira César
Local:
Rua Cel. Moreira Cézar – Icaraí, Niterói – RJ
Porque não merece a homenagem: Ordenou um ataque (fracassado) a Canudos. Além de assassino, era um babaca

Em “Os sertões” (1ª ed.) o episódio, Euclides da Cunha relata o acontecido:

“ Foi em 1884. Um jornalista, ou melhor, um alucinado, criara, agindo libérrimo graças à frouxidão das leis repressivas, escândalo permanente de insultos intoleráveis na Côrte do antigo império; e tendo respingado sobre o Exército parte das alusões indecorosas, que por igual abrangiam todas as classes, do último cidadão ao monarca, foi infelizmente resolvido por alguns oficiais, como supremo recurso, a justiça fulminante e desesperadora do linchamento.

Assim se fez. E entre os subalternos encarregados de executar a sentença figurava, mais graduado o capitão Moreira Cesar, ainda moço, à volta dos 30 anos, e em cujos assentamentos havia já, averbados, merecidos elogios por várias comissões exemplares cumpridas. E foi o mais afoito, o mais impiedoso, o primeiro talvez no esfaquear pelas costas a vítima, exatamente na ocasião em que ela, num carro, sentada ao lado de autoridade superior do próprio exército se acolhera ao patrocínio imediato das leis…

O atentado acarretou-lhe a transferência para Mato Grosso, e dessa Sibéria canicular do nosso exército, tornou somente após a proclamação da República.

Orestes Quércia
Local:
Aeroporto Governador Orestes Quércia novo nome dado ao Aeroporto de Viracopos, situado no município de Campinas (SP)
Porque não merece a homenagem: Edinho Araújo (PMDB-SP) considera Quércia uma “pessoa pública de inquestionável relevância para o país, com especial valor para o Estado de São Paulo”. Já o deputado Vanderlei Macris, afirma que Quércia teve um “papel fundamental” nos “grandes movimentos pela liberdade democrática”. Tudo isso, só que ao contrário.

Luiz Eduardo Magalhães
Local:
Município do Estado da Bahia
Porque não merece a homenagem: filho do Senador Antônio Carlos Magalhães. Quer mais?

Marechal Castelo Branco
Local: Rodovia Presidente Castelo Branco, São Paulo
Porque não merece a homenagem: foi um dos líderes militares do Golpe de 64. Durante seu governo, aboliu todos os treze partidos políticos brasileiros (AI-2) e movimentos estudantis e a União Nacional dos Estudantes passaram a ser ilegais. Repressor, ainda aprovou a Lei de Imprensa para restringir (ainda mais) a liberdade de expressão dos veículos de comunicação.

General Milton Tavares de Souza
Local:
Ponte General Milton Tavares de Souza, cruza o rio Tietê em São Paulo
Porque não merece a homenagem: foi um dos maiores assassinos da Ditadura, considerado como “linha-dura”. Além disso, é um dos idealizadores da “política de eliminação física de oponentes armados do regime militar”, sendo acusado de criar a “casa da morte”, onde presos políticos eram torturados em Petrópolis.

E tem mais. A famosa Avenida dos Bandeirantes, não deixa de ser a Avenida dos mercenários e assassinos de indígenas. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira e a Avenida Roberto Marinho são homenagens à jornalistas manipuladores, amiguinhos da ditadura.

Enquanto esses ordinários que cometeram crimes contra o povo brasileiro recebem “homenagens” em alamedas, avenidas, ruas, rodovias e até em aeroportos e municípios, os verdadeiros heróis brasileiros permanecem anônimos. Sem homenagens, perdidos no meio do caminho.

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Categorias: Hades, Território Nacional

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um comentário em “Boulevard dos Ordinários”

  1. Renato Mendez
    31 de janeiro de 2012 às 15:42 #

    Alguém tem que dizer a verdade que todos vêem mas que ninguém se atrevia a verbalizar.

    Parabéns. O texto está muito bom e é a pura essência da verdade.

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