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Eric Clapton deixa tudo azul no Morumbi

  Por Felipe Perazza

 É comum em rodas de conversa entre amantes da boa música, comentários que enfatizem o quanto o blues se tornou um gênero cada vez mais reservado, mais refinado e, consequentemente, mais seletivo. Os shows do B.B. King e Buddy Guy em locais pequenos com ingressos mais caros, refletem isso, visto a posição lendária de ambos na música.

Como os sábios dizem: toda a regra tem uma exceção. E a única pessoa no cenário da música que conseguiu inverter essa ideia acima foi Eric Clapton. O lendário guitarrista, no alto de seus 66 anos, passou pelo Brasil em turnê pra mostrar que o blues pode ser para as massas tanto quanto o rock ou o pop. Em São Paulo, seu show foi no Morumbi, em estádio quase tão lotado quanto o show de Paul McCartney ou U2, para citar apenas dois dos maiores.

O blues começou forte com um de seus maiores hinos, Key To The Highway, abrindo a noite ovacionada. Mais a frente, Hoochie Coochie Man, um clássico de Muddy Waters – uma das grandes influências de Clapton – fez o público se inspirar mais uma vez, assim como Old Love, um dos maiores momentos do show, numa viagem hipnótica de quase 10 minutos. Falar em Clapton é deixar subentendido que solos absurdos e altamente viajantes da guitarra do Slowhand permearam quase todas as músicas. E é real. Clapton justifica o título de mestre com trechos absurdos de guitarra sem perder a calma e a classe. Acompanhando a lenda, os músicos de sua banda não deixaram a desejar, com incríveis solos de teclado e piano para o delírio do público.

Outro ponto alto, talvez o maior, foi Badge, uma das melhores canções da carreira do guitarrista, gravada ainda no Cream e composta em parceria com George Harrison, dos Beatles. Os versos entoados pelas backing vocals, além da caída numa distorção excelente e retomada de Clapton ao riff mostraram uma diferença positiva em relação à canção original. Impecável. Lay Down Sally no violão e Cocaine foram dois dos momentos mais alegres da noite. Layla foi tocada em uma versão mais lenta – um meio termo entre a original dos Derek and Dominoes e a versão acústica – mas ainda assim primorosa, além do fechamento sensacional com Crossroados.

Se o show teve pontos baixos, foi a pouca interação entre Eric e o público, além da ausência de outros hits históricos como Bad Love e I Can’t Stand It. Mas isso é fácil de compreender, se conhecermos um pouco da história de Eric Clapton. Ele nunca quis ser um rock star. Começou com o blues, encontrou seu nicho e nunca quis deixá-lo. Deu uma escorregada aqui e ali criando algo mais popular, mas nunca renegou sua base. A adoração popular imensa veio como consequência de um trabalho absurdamente bom, independente do estilo. E é isso que ele veio aqui fazer: um show de blues inesquecível para milhares. Salve Clapton.

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Categorias: Atena, Música

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