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Avaliação do ensino superior. Quem é que decifra isso?

Via José Faro

Não sei quem é o Sr. Maurício Garcia. A informação disponível sobre ele, posta ao pé do artigo que assina na página 2 do Estadão (leia aqui), é que se trata do coordenador do comitê técnico do fórum nacional das entidades representativas do ensino superior privado, um outro desses inúmeros organismos que as escolas particulares usam para consolidar o espaço que ocupam no cenário da Educação brasileira. Pois bem: o Sr. Garcia vem a público no seu artigo para repetir, mais uma vez, que as universidades privadas sofrem uma verdadeira perseguição do MEC e são injustiçadas quando o governo divulga os resultados de suas avaliações. Falando de onde fala, da posição que ocupa, vale a pena observar com cuidado os argumentos que usa, basicamente dois:

Primeiro: o MEC justifica o mau desempenho dos estudantes do ensino médio das escolas oficiais no ENEM em razão da sua condição social. Alunos carentes socialmente obtém resultados fracos. No entanto, quando o estudantes do ensino superior das escolas particulares vão mal – justamente onde estão concentrados, no ensino superior, os estudantes de baixa renda -, o MEC pune as instituições e abandona a justificativa que usa para si mesmo no caso do ensino médio.

Segundo: punidas dessa forma injusta, por que se trata de um peso (a avaliação) e duas medidas (a condição social vista de forma distinta no ensino médio e no ensino superior), as escolas particulares são novamente castigadas quando buscam recursos financeiros no BNDEs para seus projetos: as que foram mal avaliadas não podem se socorrer dos créditos subsidiados com os quais os bancos oficiais regam a farra do capitalismo brasileiro.

Não conheço o Sr. Garcia, mas desconfio que ele não está muito bem preparado para discutir o assunto sobre o qual escreve. E digo isso por uma razão que me parece simples: as escolas particulares do ensino superior, salvo as exceções representadas pelas instituições que devem sua existência a projetos pedagógicos consistentes, geralmente comunitárias e/ou confessionais, eventualmente fundacionais, não desenvolvem suas atividades com base na cultura do ensino. Podem até dizer que fazem isso, mas não o dizem sinceramente senão como instrumento de marketing. Chamo de cultura do ensino os fundamentos de natureza pedagógica que orientam todas as suas atividades, elementos que acabam por conduzir as práticas de todos os setores das instituições, da atuação dos professores e pesquisadores, e do respeito profissional com o qual são prestigiados, até o número de alunos em cada sala de aula

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