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Quase uma guerra colonial…

Via JSFaro

A melhor coisa publicada na imprensa brasileira sobre a Líbia neste domingo é a entrevista feita pelo Estadão com Robert Fisk, correspondente do The Independent no Oriente Médio (leia aqui). Dono de um ceticismo revelador de seu profundo conhecimento das contradições políticas da região, Fisk parece não ter a menor dúvida de que os acontecimentos dos últimos dias na Líbia escondem uma farsa diplomática e midiática onde rolam todos os interesses, menos o da libertação efetiva do país de Kadafi. Na verdade, a aposta no caos que parece reunir as mesmas fichas que vêm sendo bancadas em outros países (Iraque, Afeganistão, Egito e, em menor medida, na Síria) há tempos indica mais uma etapa no longo processo de descolonização e de suas consequentes indefinições políticas iniciado na 2a metade do século XX.

Toda a intransigência com as ex-colônias

De fato, a emergência de ditaduras populistas no Oriente Médio, assim como em outras colonias europeias da África sub-saariana e da Ásia, foi consequência de um complexo leque de variáveis que incluiu desde a modernização econômica permitida pelo boom das matérias-primas industriais até a emergência de segmentos médios da população educados no âmbito da ideologia liberal e nas proximidades com os padrões de consumo das grandes capitais da Europa. O subproduto dessas transformações foi o surgimento de uma liderança tecnocrática que teve nos militares os seus principais porta-vozes. De perfil invariavelmente nacionalista, entusiasmados com a possibilidade de construção de países soberanos na área internacional e, em alguns casos, valendo-se do papel estratégio que a URSS tinha nos anos da Guerra Fria, esses dirigentes políticos foram sistematicamente vistos com desconfiança pelos Estados Unidos e por seus aliados. Os melhores exemplos vêm justamente dessa área mais conflagrada de agora: Egito, Iraque, Líbia, até mesmo a Arábia Saudita.

Tenho a impressão que três fatos parecem sintetizar essa dinâmica. O primeiro deles foi o surgimento do Movimento dos Países Não-Alinhados nos anos 50/60, que reunia nações recém-independentes cujo principal objetivo era a construção de um bloco capaz de usar da autodeterminação não apenas nas suas demandas políticas frente ao monopólio de poder nas mãos das superpotências que emergiram em 1945 (leia mais).
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Categorias: Hermes, Internacional, Oriente Médio, Política Internacional

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