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Mesmo sem John Frusciante, Red Hot Chili Peppers não decepciona

I’m With You chega trazendo o que o grupo faz de melhor: inovar

Por Felipe Perazza

Quando o Red Hot Chili Peppers lançou seu último disco, Stadium Arcadium, em 2006, muita gente achou que o álbum, apesar de duplo, não era bom o suficiente, mas apenas uma parte nova da rampa de decida iniciada com By The Way. A maior parte dos ouvintes e fãs da banda alegaram que ali não havia o verdadeiro Red Hot. Poucos fãs perceberam que a banda evoluía com os anos, com a troca de integrantes e, é claro, com as diversas novas influencias e que Stadium Arcadium, não poderia soar melhor, vindo na sequencia do que foi apresentado em By The Way e Californication.

Cinco anos depois, a banda anuncia um novo disco. A expectativa novamente é grande, catalizada por mais um fator fundamental: a saída de John Frusciante do elenco, artista que nos últimos anos gozou do posto de “Melhor Guitarrista dos últimos 20 anos”. Em seu lugar, um novato: Josh Klinghoffer, conhecido unicamente por já acompanhar o quarteto em suas turnês. Se Stadium Arcadium não recebeu os créditos que merecia, o que dizer de um novo disco sem o poderoso guitarrista? Em meio a esse tipo de pergunta, saiu I’m With You, o décimo disco de estúdio dos Red Hot Chili Peppers.

E é aqui que muita gente vai se surpreender novamente.

Capa do novo álbum da banda

A verdade é que a cabeça da banda nunca foi John Frusciante. Por mais virtuoso e criativo que o guitarrista seja, quem sempre deu as caras ao Red Hot foi a dupla Flea e Anthony Kieds. Ambos os membros, os únicos permanentes desde a criação da banda são os mestres por trás de tanta criatividade e tanta evolução. São eles que souberam inovar e adaptar a sonoridade dos bateristas e guitarristas que por ali passaram. São eles que nunca decepcionaram os fãs.

I’m With You soa exatamente como deveria soar. Uma nova evolução de Stadium Arcadium, seguindo novas diretrizes criativas (influenciados também por Klinghoffer, é claro), mas sem perder a base Funk descontraída tão querida pelo público. Flea continua debulhando com o baixo no disco todo, criando a base empolgante para a maioria das músicas, como a abertura vigorosa de Monarchy of Roses. Nela o baixo galopa enquanto Kieds abre com seu jeito maroto e costumeiro de cantar.

A excelente obra seguinte, Factory of Faith, mostra o caminho seguido pela banda, lembrando bastante outras pérolas dos últimos discos como By The Way e Fortune Faded. Assim soa também Brendan’s Death Song, uma balada mais grudenta e comercial – e ainda assim excelente – na mesma linha de Californication. O single lançado meses atrás, Adventures of Rain Dance Maggie, é de fato um dos pontos altos do disco, com Flea mais uma vez em um de seus melhores momentos, criando um balanço firme que, mesmo com todas viagens do grupo, sempre permeia a peça.

Mas talvez o ápice do álbum fique com Look Around, uma obra rápida, enérgica e instigante, com boa dose da bateria e baixo formando a base para as destiladas de Klinghoffer e para o vocal de Kieds. Falando em bateria, Chad Smith também continua competente como sempre, acertando em cheio nas pancadas em horas de mais animação ou criando batidas leves nas caídas, tudo com muita criatividade, fruto das apresentações do músico com seu supergreupo Chickenfoot.

Viagem é o que não falta nas composições, cheias de instrumentação de nível altíssimo e na produção do grande Rick Rubin, já velho parceiro dos Peppers. Todas essas viagens não deixam as raízes do grupo de lado, com letras psicodélicas, sobre amor, vida, morte, sexo e tudo o mais. Prova disso é Did I Let You Know, em que o grupo conta com um vocal de apoio feminino, detalhe que fez toda a diferença em obras como Knock me Down e If You Have do Ask, do início da carreira da banda.

Sem pontos baixos, I’m With You é mais uma bela viagem com a qual o quarteto californiano nos presenteia. Mas aceitar o presente depende de unicamente de quem o recebe. Então se você é do grupo de fãs que não gostou de Stadium Arcadium, provavelmente não verá nada demais nesse novo projeto. Agora se você acompanhou a evolução criativa de um grupo único que, como todo bom artista, gosta de crescer, inovar, absorver tudo de bom que vê e transformar isso em música boa, esse presente você nunca vai esquecer.

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Categorias: Atena, Música

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