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Com amor, economia

Por Alan Azevedo

Há uma semana, revoltas no norte de Londres, se espalharam por toda a capital inglesa. Um jovem negro de Tottenham, assassinado por policiais num suposto tiroteio, causou revolta nos subúrbios londrinos, que se levantaram contra as autoridades. Junto a eles, se somaram os estudantes, que viram uma oportunidade de protestar contra a longa precarização no ensino que vêm sorendo.

Mais de 50 mil estudantes aderiram aos manifestantes para protestar o aumento da anuidade do ensino público inglês, que subirá para 14,5 mil libras em 2012. Para se ter uma ideia, a média das anuidades das faculdades públicas europeias giram em torno de 500 euros.  O governo também aprovou um corte de 40% no orçamento do corpo docente das Universidades públicas. O estudante pagaria mais, mas não por um ensino melhorr

O problema é que a maioria dos estudantes já é inadimplente, isto é, eles emprestam dinheiro de um programa de crédito do governo para pagarem seus estudos. Pela lei, eles só precisam pagar os seus empréstimos depois de atingirem uma renda anual de 34 mil libras. Ou seja, o governo teve que cortar gastos na educação para cobrir a inadimplência dos estudantes, pois o déficit inglês já é um dos maiores da história: 245 bilhões de libras.

Por fim, o governo continua aumentando as anuidades das universidades para cortar gastos com o sistema de educação para cobrir o crédito dos estudantes, que fazem empréstimos para pagar as anuidades. Isso é puxar o cobertor para cobrir os ombros e descobrir os pés. O aumento e o corte foram anunciados há tempo, em Novembro de 2010 e os protestos pacíficos até então não haviam apresentado nenhum resultado.

Por outro lado temos as revoltas estudantis no Chile. Distanciam-se um pouco das de Londres pelos pontos do protesto, mas trata-se de um ensino também precarizado por questões econômicas.  As escolas e universidades do Chile passam por um processo de privatização, onde os estudantes alegam que tornar o ensino privado não o melhora em nada, pelo contrário, torna-o uma mercadoria. É a educação embasada numa mentalidade mercantil.

Neste ponto nós podemos relacionar os problemas chilenos com as contradições inglesas.  Estudantes pobres devem endividar-se por 20, 30 anos para poderem pagar os custos do ensino. Tornar uma universidade privada significa criar crédito para estudantes, que, por sua vez, significa juros e lucros para os bancos.

A economia é a política atual que mais infere nas necessidades básicas do cidadão. O mundo vem passando por uma crise sem precedentes na história e os países ricos, credores de todos os empréstimos dos países pobres e emergentes, perdem mais e mais dinheiro a cada dia. Privatizar-se-á a água e o ar, se necessário. Mas não se preocupe, você sempre terá crédito no banco.

 

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Categorias: Europa, Hermes

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