Anúncios

O primeiro feitiço

Priori Incantatem



por Érica Perazza 

“Eu realmente acreditava em Harry. 
Acho que a gente tem que acreditar. 
Mesmo quando você escreveu um péssimo livro. Porque escrever é uma viagem solitária e você tem que acreditar no que escreve, caso contrário terá uma vida medonha”. 

J.K. Rowling


Em uma viagem de trem de Manchester para Londres em 1990, um menino bruxo – que não sabia que era bruxo, mas estava prestes a entrar para a escola de bruxaria, se esgueirava no canto da mente de uma jovem escocesa de 25 anos chamada Joanne. Logo, ela passou a se dedicar ao menino, se fazendo perguntas sobre este mundo mágico que ela descobrira e ao mesmo tempo se dando respostas. 

Durante pelo menos cinco anos, Joanne escreveu o primeiro livro e cerca de cinquenta páginas de informações sobre Harry e o seu mundo, o contexto, antecedentes e outras anotações pertinentes numa máquina de escrever, pois não tinha dinheiro para um computador. A obra era politicamente incorreta, tinha mais de 45 mil palavras, título difícil e outros motivos que não combinavam nem um pouco com as exigências do mercado e até mesmo com o público: crianças que só passavam seu tempo em frente aos video-games e desprezavam uma boa leitura. Mas a indústria literária infantil no Reino Unido policamente correta lançava livros com uma mensagem para toda a vida às crianças ou com uma tentativa fracassada de dar um ar mais moderno aos contos de fadas. Mesmo para adultos, as histórias não tinha nada demais, a ficção tinha um limite. Todavia, a partir de junho de 1995 tudo mudaria. 

Joanne encontrou numa lista de agentes londrinos o nome de Christopher Little e lhe enviou a seguinte carta:

Caro sr. Little, 

Envio em anexo uma sinopse e alguns capítulos como amostra de um livro para crianças entre 9 e 12 anos de idade. Ficaria muito grata se o senhor pudesse me dizer se estaria interessado em ver o manuscrito completo. 

Atenciosamente,

Joanne Rowling.

Bryony Evans pode ter sido a primeira leitora de Harry Potter. Ela gostou da pasta em que havia algumas primeiras páginas da saga e gostou ainda mais do que leu. Então, ela entregou para Christopher Little que começou a ler enquanto aguardava por alguém.
Quando seu convidado chegou um tanto atrasado perguntou:
– Você encontrou algo que promete, não é?
– Como você sabe? – perguntou Christopher.
– Porque aquela moça linda passou bem na sua frente e você não viu.

Manuscrito de HP e a Câmara Secreta


No início, o agente enviou nove cartas e os noves editores recusaram educadamente, quase que pelo mesmo motivo: o livro era longo demais para as crianças e támbém para uma escritora estreante. Foi só na Feira de Livros de Frankfurt que Christopher Little encontrou Barry Cunningham, da Bloomsbury. Barry queria “livros que as crianças abraçassem, livros que elas amassem, livros que as fizessem sentir que o autor era seu melhor amigo” com o sentido de fantasia e aventura. A lista de livros da Bloomsbury tinha menos de dois anos e como não havia se estabelecido ainda, tomava muito cuidados com suas escolhas. Mas Barry gostou do livro logo de primeira. Sua assistente e Rosamund de la Hey, do marketing da editora começaram então uma campanha a favor do livro. As duas enrolaram as primeiras cinquenta páginas como rolos de papiro e encheram com doces para distribuir aos que tinha poder de decisão na compra do livro. Convencidos, deram carta branca para Barry adquirir os direitos da agência de Little. A primeira oferta de Barry era de mil libras por direitos mundiais, mas o acordo foi de duas mil libras por direitos britânicos. A editora HarperCollins queria voltar a negociar, um tanto hesitante. Portanto, Christopher Little telefonou para Joanne perguntando qual dos editores ela ia preferir.
– Você está dizendo que o livro definitivamente vai ser publicado? – perguntou ela, querendo ouvir claramente. Christopher respondeu que sim e Joanne começou a gritar de felicidade. 

Um tempo depois, Joanne, Christopher e Barry se encontraram para um jantar. Os dois aconselharam Jo a não largar o emprego e a não pensar que ganharia muito dinheiro. Livros infantis raramente produziam grandes fortunas. 

O livro ainda era um embrião, faltavam alguns detalhes para serem arrumados e alguns cortes, que foram pequenos graças às batalhas vitoriosas de Jo pelo título e pela parte em que Harry, Rony e Hermione lutam com o trasgo. Havia uma determinação na autora em que mostrava que a cena faria crescer algo muito grande e importante nas crianças de 11 anos.  Ainda, seu nome passou a ser J.K. Rowling para não afastar leitores meninos.  

Ninguém na época poderia dizer que Harry Potter teria sucesso garantido, que venderia exeplares, que se tornaria um épico da literatura e mais tarde das bilheterias de cinema. Muito menos Joanne. Deitada de bruços em seu apartamento em Leith, no príncipio de agosto de 1995, ao escrever “Fim” no final da página de seu primeiro livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, não poderia ter ideia que aquilo tudo seria na verdade, o começo.  


Anúncios

Tags:, , , , , , , , , ,

Categorias: Literatura

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: