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Alienação experimental

por Sergio Delboni

 Até que ponto você iria para desempenhar um papel que a sociedade lhe impõe? Algumas pessoas consideram que o que nos define é justamente cada papel que desempenhamos (pai, mãe, professor, amigo etc.), tudo dentro e de acordo com uma série de expectativas sociais que dificilmente podem ser burladas. O que se espera de uma mãe de família, por exemplo, é algo razoavelmente exato, sendo que qualquer destoamento deste papel pré-definido provavelmente levará a críticas, represálias e até intervenções de próximos.

 O patrocínio da marinha americana, aliado a uma boa dose de falta de ética epsicologia comportamental levaram o doutor Philip Zimbardo a criar um estranho experimento na expectativa de avaliar até que ponto desempenhamos esses papéis da forma esperada pela maioria. Chamaram-no de “Stanford Prison Experiment”.

O experimento consistiu na seleção de um grupo de 24 pessoas, todas avaliadas como saudáveis e aptas psicologicamente a realizar as tarefas mais comuns do dia-a-dia. As pessoas foram divididas em dois grupos iguais e separadas entre guardas e prisioneiros. Para dar mais veracidade ao experimento, os “prisioneiros” foram mandados de volta para suas respectivas casas e abordados sem aviso prévio pela polícia local, levados até a delegacia e fichados. Foram, então, transferidos para uma prisão construída provisoriamente no porão da ala de psicologia da Universidade de Stanford.


O que se deu a seguir foi uma experiência prevista para durar duas semanas, mas que teve de ser finalizada com apenas seis dias, mesmo assim ja sendo possível registrar sérias sequelas psicológicas nos participantes, sendo que dois deles tiveram que ser retirados e substituídos no decorrer do experimento. Foi possível observar em parte dos guardas uma considerável tendência ao sadismo: aplicavam castigos diversos nos prisioneiros, incluindo a privação de comida, humilhações sexuais, retirada e redistribuição dos colchonetes disponíveis para os prisioneiros.

Estes por sua vez, pareciam esquecer-se que estavam participando de uma experiência não-real, e que podiam optar por desistir a qualquer momento. Foi inclusive oferecido a possibilidade da troca do dinheiro que ganhariam por participar do experimento pela liberdade condicional, oferta que muitos aceitaram de bom grado, mas que posteriormente foi revogada por Zimbardo.

O fato é que em pouquíssimo tempo, a prisão improvisada transformou-se em um lugar insalubre, infeliz e perigoso. Há relatos de que até mesmo Zimbardo tenha se envolvido de maneira anormal pelo experimento, argumento que é reforçado pela tentativa de mudança do local da experiência para uma ala prisional real.

A quem interessar, Philip Zimbardo possui registrado um bom leque de experimentos semelhantes e de igual falta de consideração pelo bem estar humano. Experimentos que, como este, ocupam-se em tornar claro o óbvio, e de uma maneira desrespeitosa. Não restam dúvidas de que acabamos por assumir papéis pré-estabelecidos, o que não significa que nos formemos seres exatamente iguais, simplesmente temos expectativas que inconscientemente são internalizadas durante nosso viver em sociedade e que acabamos por segui-las sem sequer pensarmos no assunto ou até mesmo depois de pensarmos.

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