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O Jornalismo Sensacional(ista) da Internet

Portais brasileiros apostam na velocidade das informações. Mas e a qualidade?

Soraia Alves

A cobertura online de acontecimentos já foi incorporada de vez ao jornalismo, e não é surpresa que pelas características da Internet, muita coisa aconteça por aqui antes de estampar jornais e noticiários. Acontece que assim como em qualquer outro meio, uma cobertura exige mais do que apenas relatar as últimas novidades sobre um fato, e é aí que muitos portais brasileiros têm pecado.

Se a notícia na Internet fica “velha” rápido demais, isso não é motivo para que sites vinculados a grandes meios de comunicação passem a noticiar qualquer coisa. Boatos não são notícias. Informações que “podem ser”, muito menos.

Quando o assunto em questão contém dados quem podem variar, como o número de mortos em uma tragédia, o que vemos é uma corrida pelo número mais atual (e alto) de vítimas. Quer um exemplo? O tsunami no Japão. Mas poderia ser os deslizamentos de terras no Rio de Janeiro, as crianças baleadas na escola em Realengo, e por aí vai.

Luís Fernando Araujo, 21, é jornalista e concorda que a maioria dos portais se preocupam mais com a velocidade do que a qualidade das notícias. “Todo mundo quer falar primeiro e falar mais, mas ninguém se preocupa em analisar todas as vertentes da tragédia. No fim todo mundo é meio Sônia Abrão”, diz Luís citando a jornalista que é conhecida por abordar de forma exaustiva temas sensacionalista em seu programa na Rede Tv. E se alguém ainda duvida da corrida pelo “ser o pimeiro”, basta lembrar dos casos de “morte antes da hora” de personalidades públicas que vimos em portais famosos.

Para a estudante Sarah Furtado, 19, o problema é a repetição massiva de notícias. Ok, uma notícia importante precisa ser dada, e isso obviamente será feito por todos os meios de comunicação, mas a sensação de ler sempre a mesma coisa independente do site escolhido, não é culpa do fato noticiado e sim do jornalista que não procura incrementar sua matéria. Luís Fernando também fala sobre isso: “Os repórteres têm que aprender a serem multiplataforma para garantir informação de qualidade com velocidade. Tem que saber analisar, coletar os dados que realmente importam, falar com quem interessa, checar com rapidezSe dois jornalistas registram uma catástrofe, então que pelo menos um deles trate da informação. O outro vai colocar antes, vai ser exclusivo, mas exclusividade não tem mais valor numa época em que qualquer um pode publicar vídeos e informações”.

Portais vinculados a grandes nomes da comunicação no Brasil serão sempre as primeiras escolhas quando as pessoas querem se informar, e exatamente por isso, eles precisam “se ligar” no que têm feito em seus sites. Do que adianta grandes jornalistas criticarem o sensacionalismo em seus artigos dominicais em um jornal, enquanto os portais que representam seu jornal estampam em letras garrafais MORTOS, TRAGÉDIA, PRESOS, PÂNICO, etc?

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Categorias: Hermes

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