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Bin Laden não morreu, só voltou pra casa

Por Alan Azevedo

A morte de Osama Bin Laden é apenas a morte de Osama Bin Laden. Não morreu a Al-Qaeda, não morreu a “guerra ao terror”, não morreu a ameaça de novos ataques e também, infelizmente, não morreu a velha tática americana de criar sofismas para justificar seus atos (aliás, só mostra que ela está bem viva). Mas essa morte em si, ou seja, a morte de um cidadão chamado Osama Bin Laden, teoricamente mentor dos ataques às Torres Gêmeas em 2001, teoricamente líder e fundador de uma organização terrorista, teoricamente barbudo, teoricamente saudita, teoricamente homem, teoricamente terrorista e que teoricamente algum dia já existiu, questiona diversos pontos que vão desde as leis e os tratados internacionais, como o Tratado de Genebra, e da imagem que um governo quer passar ao seu povo, até o “ficar o dito pelo não dito”, isto é, um fato jogado ao mundo por uma fonte única completamente parcial e que construiu tal fato.

Barak Obama, presidente dos Estados Unidos da América, anunciou dia 1º de Maio, a morte do inimigo número um dos estadunidenses. A população foi às ruas, justiça foi feita. Aclamado, Obama também disse que nenhuma foto ou vídeo da operação dos Navy Seals (a Força de Operações Especiais da Marinha dos EUA), pois se tratava de um material muito chocante e que poderia provocar grupos extremistas. Corpo? Foi jogado no mar – “Podem ter certeza de que respeitamos mais o corpo de Bin Laden do que ele respeitou suas vítimas”, disse Obama – conforme as leis e tradições islâmicas. No mar porque nenhum país aceitaria seu corpo.

Suponhamos que tudo isso seja realmente verdade, que direito teve Obama e os EUA de matar Osama Bin Laden? Como o próprio governo norte-americano retificou um dia depois, Bin Laden estava desarmado, e mesmo assim foi morto à queima roupa pelos agentes altamente armados e treinados da Seals. Isso não se chama execução? A partir de que ponto os EUA conseguem distinguir justiça de vingança? E é exatamente isso que passam para os cidadãos, é esse exemplo que estão dando; o sentimento de vingança agregado à barbárie, sem qualquer senso de civilidade, o que os iguala ao terrorista.

Mas vamos voltar um pouco. As informações para se chegar à Bin Laden foram extraídas de um prisioneiro de Guantánamo, supostamente ligado à Al-Qaeda. Ele deu o nome de um mensageiro, que também foi preso e levado para Guantánamo. Este segundo, depois de muito “interrogatório coercitivo”, do qual os EUA vergonhosamente fingem não ver, deu o nome de outro mensageiro, que sendo seguido levou as investigações ao complexo de Abbottabad. Estranhamente, Abbottabad é uma vila de casas militares no Paquistão, onde Bin Laden teria se escondido por mais de seis anos. Como o inimigo número um dos EUA conseguiu se esconder por quase sete anos em um complexo militar no Paquistão, aliado político dos Estados Unidos?

Mais estranho ainda são os Estados Unidos, no meio da madrugada, penetrarem, sem autorização prévia e oficial, no Paquistão, voando baixo para escaparem dos radares. E a soberania do Estado do Paquistão? Não se pode simplesmente invadir um espaço aéreo assim, na calada da noite.

 Veja quantos pontos são fracos e questionáveis na operação que matou Bin Laden. O grande problema é que os fornecedores do fato são justamente os criadores do fato, ou seja, será como eles quiserem que seja. Como provar o contrário? E se aparecer amanhã na televisão um Osama Bin Laden dizendo que não morreu?

Por outro lado, além das questões de respeito às leis e tratados internacionais, as ações sem fundamentos e facilmente refutáveis ou pelo menos questionáveis dos EUA e a sede de vingança que faz os norte-americanos babarem como uns morto de fome em frente ao banquete, temos uma questão idealista do que realmente é a figura de Osama Bin Laden.

Muitos historiadores, no final do século XX, diziam que a História teria terminado depois da queda do Muro de Berlim, por não haver mais inimigos e, consequentemente não ter mais disputas e guerras. A bipolarização capitalista/comunista estava acabada, e não tinha mais razões para uma corrida armamentista, assim como mais nada que justificasse o imperialismo e domínio de alguns países sobre outros.

Mas tudo muda com os ataques de 11 de Setembro de 2001. Uma nova ameaça pairava sobre os Estados Unidos, e esse novo inimigo devia ser combatido. Esses sofismas maniqueístas criados pelos norte-americanos servem e sempre serviram, apenas, para justificar seus investimentos bélicos, permitir o imperialismo (como a ocupação americana no Iraque), desequilibrar a desigualdade política no mundo, movimentar a economia (a guerra é a maior fonte de lucro. Só os EUA já gastaram mais de U$ 1 trilhão combatendo a guerra ao terror) e etc. É preciso ter um inimigo para poder ganhar dele.

Então aparecem os terroristas, extremistas fervorosos que ameaçam a paz mundial por não concordarem com os nossos regimes políticos e religiosos. Claro, isso é o que eles, os estadunidenses, disseminam para o resto do mundo. Está criado um novo conflito. Podem agora investir pesado no exército e na indústria bélica, ocupar territórios e muito mais. Tudo o que for preciso para vencer o “inimigo”.

Então Osama Bin Laden é apenas uma imagem, uma personificação, uma alegoria do “inimigo”. É preciso criar esse inimigo e personifica-lo, porque ninguém quer lutar contra o invisível. Ele pode até não existir. Pegaram um homem e disseram que aquele era o líder e fundador da maior organização terrorista do mundo, a Al-Qaeda, e que era preciso caçá-lo com o maior fervor possível. Mas aí é que está a questão: mata-lo não elimina a ameaça, pois esta, já fermentado por quase 10 anos de guerra, expandiu-se violentamente.

Isso significa que, para fomentar esta guerra ao terror, criou-se uma personificação do terror. Mas depois de tanto tempo perseguindo-o, o inimigo passou de personificado para universal. Depois de muito questionar-se a guerra ao terror e a invasão do Iraque em busca de armas de destruição em massa, o conflito perdeu seu status de prioridade a acomodou-se nas páginas secundárias do jornal. Matar o inimigo número um dos EUA (sim, aquele barbudo que todos haviam esquecido) é uma maneira eficiente de reaquecer essa guerra, de justificar, mais uma vez, as ações norte-americanas.

Muita, mas muita sujeira está debaixo do tapete. A crise econômica sem precedentes que assola os EUA e a União Europeia está longe de ser domada e, como já dito anteriormente, a guerra é a forma mais eficaz de movimentar a economia (graças à 2ª Guerra Mundial que os EUA tornaram-se a maior potência do mundo). Sai Bin Laden, continua a farsa.

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Categorias: Internacional, Política Internacional

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