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Aumento da IOF

Respeitável público brasileiro! Com vocês a inegualável, a impressionante,  a desagradável, a gigantesca, a única e exclusiva:

por Érica Perazza

Essa matéria é para você que sonha com sua viagem internacional há anos e que trabalha o ano inteirinho para poder desfrutar suas férias entre as atrações turísticas históricas e claro, fazendo compras.

Ah, sim. As tão sonhadas compras internacionais. Aquelas marcas de maquiagem, roupas, acessórios, eletrônicos que não existem no Brasil. Ou existem com preços tão altos que só fazem aumentar a desigualdade social e… psicológica.

É em Londres que a gente encontra mala da Kipling por meras £50 (a mesma que você encontra por 600 a 800 reais por aqui). Em Paris, macarons, crepes e souverniers. Em Miami e Buenos Aires, promoções daquele must-have da temporada. Em Nova York, tem loja que vende artigos do Harry Potter e óbvio, você não pode deixar de trazer para o Brasil um presentinho para sua irmã mais nova – e para você mesmo.

Brasileiros que não encontram produtos importados nos estabelecimentos comerciais do país são atraídos pelos sites estrangeiros que entregam na sua casa como Amazon.com e E-bay.com. Para as mulheres vaidosas, não poderia faltar o Cosme-de.com, Strawberrynet.com, Asos.com, Benefitcosmetics.com e um infinito nesse mundo virtual.


Abençoado seja então o cartão de crédito. Com ele, não há fronteiras entre os países. Um pedacinho de plástico que torna sonhos de consumo possíveis (capitalismo e sustentabilidade são temas para um próximo texto).

Daí, veio a Dilma e acabou com a alegria de uma minoria, sim, mas uma minoria digna. Só no ano passado, mais de 20 mil brasileiros foram para Aruba,  praticamente 100% maior que em 2009. Na República Dominicana foram mais de 37 mil, na Suíça foram cerca de 60 mil. Já Portugal mais de 378 mil brasileiros desembarcaram no país e na vizinha Argentina, foram mais de 860 mil brazucas que estiveram na terra dos hermanos.

Pois bem, para frear esses turistas alegres e saltitantes, nossa querida presidente assinou a medida provisória que eleva de 2,38% para 6,38% o imposto sobre compras com cartão de crédito no exterior (O tal IOF – Imposto sobre Operações Financeiras). A taxação também inclui os sites internacionais.   

“Os anos de hiperinflação fizeram com que não tivéssemos nenhum apreço por nossa moeda e isso por si só já é um fator inflacionário. Medidas como essa seriam um fator limitante nos EUA e nos países europeus, mas aqui, ainda achamos pouco”, critica Lena no blog Viaje na Viagem. “É bom lembrar que a alíquota já havia sido aumentada recentemente. Agora parece que o recado foi o seguinte: ‘Ah, acharam o aumento pequeno, né? Então lá vai um maior. E se acharem pouco, logo logo mandamos outro’!”, desabafa.

Assim é fácil “resolver” as coisas.
Como sempre, o governo brasileiro não toma medidas para solucionar um problema. Bota um véu em cima e cobre com ‘chantilly’ para disfarçar o estrago por dentro. O aumento do imposto é para que os turistas brasileiros não apenas gastem seus dólares, euros, pesos lá fora, mas também parem de viajar e criar caos nos aeroportos.  Além disso, Felipe Trigo, gerente de negócios da Friends in the World, enxerga como “um golpe de oportunidade do governo brasileiro de arrecadar alto, em um mercado em franca expansão no Brasil”. E ele põe a questão em números.

Segundo o Banco Central, os gastos de turistas brasileiros no exterior passaram de R$ 16 bilhões entre janeiro e novembro de 2009 para mais de R$ 24 bilhões no mesmo período em 2010. O turista brasileiro foi de longe o que mais aumentou seus gastos no exterior, quase 52%. “Esse aumento exorbitante é reflexo da valorização do real frente ao dólar, mas também da expansão econômica e consequente melhor condição financeira dos brasileiros, especialmente da classe C, permitindo maior acesso ao consumo e também à viagens”, observa Felipe. “Assim como o governo aumentou a cobrança do IOF para investimentos externos em renda fixa no ano passado, e faz, sucessivamente, intervenções no mercado para conter a queda do dólar, agora ele pune o cidadão comum ao aumentar o imposto que este paga ao gastar no exterior”, destaca.

Além disso, Felipe Trigo crê que a questão cambial vai muito além do turismo, “é hoje uma fervorosa discussão mundial e que influencia e muito a balança comercial e a economia brasileira. Todavia, quem está pagando é o cidadão comum brasileiro”.

Mas essa “punição” não é só para com a sociedade.
Em entrevista por telefone, o analista econômico da WinTrade, José Góes falou do Rio de Janeiro à Pandora. “A intenção é evitar que alguns bancos façam empréstimos no exterior utilizando juros brasileiros como andam fazendo”. Ainda, de acordo com o analista, o aumento “terá um efeito, mas não imediato em relação a valorização do dólar frente ao real”.

“Além da paulada do IOF de 6,38%, o turista ganhou um monte de cáculos para fazer”.

É o que o famoso viajante Ricardo Freire em seu blog Viaje na Viagem percebe e discute com seus leitores. “A questão não é só 0,38% x 6,38%. É preciso levar em conta qual a cotação usada para a venda. Quanto custa o dólar do cartão de crédito? Quanto custa o dólar do cartão de débito? Quanto custa o dólar cash? Esses números são tão importantes quanto a alíquota do imposto.”, escreve. Ele acredita que a tendência é “pelo menos num primeiro momento, a cotação do dólar-turismo subir (já subiu 1,5% desde o anúncio da medida, enquanto o dólar comercial declinou 1%).”

Sua leitora, PêEsse indigna-se: “O Decreto 7.454/2011 não vai ao parlamento, ou seja, os deputados e senadores formalmente não poderão fazer nada (e uma pressão informal eu duvido muito que ocorra).”

Mas quem gosta de viajar, vai continuar viajando.
Em vez de se hospedar por dez dias, que tal reservar sete? É o caso do casal Natalie e Frederico Marvila, que possui a mesma opinião acerca da medida do aumento do IOF. Eles também acham que é apenas uma desculpa para aumentar a arrecadação do país. “Ainda me parece resquício da retirada da CPMF. A diferença é que quem paga dessa vez é quem gasta dinheiro fora do país, seja viajando ou fazendo compras pela internet.”, diz Frederico em entrevista à Pandora.

Donos do blog Sundaycooks, os dois acreditam que a medida mais adequada que o governo deveria tomar para diminuir o volume de turistas “seria não taxá-los somente porque eles preferem viajar para outros países e não pelo Brasil. O que deve haver é um incentivo ao turista brasileiro para que ele queira visitar o próprio país.”, afirma o casal. “Mas para isso é preciso fazer uma série de reformas principalmente estimulando a melhoria dos canais de venda para que seja mais fácil achar acomodações e seus preços desde as pousadinhas aos grandes hotéis, capacitar melhor os trabalhadores do segmento, melhorar preços e infra-estrutura aeroportuária e rodoviária, estimular a concorrência, investir no desenvolvimento de ferrovias, conservação do patrimônio histórico e natural são algumas das possíveis reformas”.

Além disso, diminuir os impostos é outra medida a ser tomada. “Em ambos os casos o peso dos impostos é absurdo. E isso faz com que os produtos nacionais fiquem muito caros e os importados ainda mais caros. Por isso é sempre tentador fazer compras fora do Brasil”, confessa.

Natalie e Frederico preferem escolher destinos internacionais aos nacionais para conhecer outras culturas, povos e maneiras diferentes de viver e não apenas pra fazer compras.  Outro fator é preço. Nos cálculos de Frederico, com o mesmo preço que gastaria para ficar uma semana no nordeste no verão, é possível ficar duas semanas na Europa ou nos Estados Unidos. Para ele, fazer compras lá fora também tem suas vantagens como preço e novidade. “Há muitos produtos que não foram lançados ainda no Brasil ou que custam absurdamente mais caros. Minha esposa comprou um rímel da Lancôme por 15 dólares (cerca de 28 reais) enquanto o mesmo no Brasil custa mais de R$ 100,00”, observa Frederico.

Portanto, se você não vai deixar de planejar suas férias tão sonhadas, busque alternativas.
Felipe recomenda que a partir de agora o adequado é fazer um levantamento das coisas que se quer visitar e fazer no destino.  Coloque na ponta do lápis quanto custam os passeios e transportes, entradas nas atrações turísticas e gastos com as refeições. Ele lembra o turista para considerar três pontos em sua forma de pagamento: o custo, a praticidade e a segurança. A seguir, ela dá algumas dicas:

Cartões de crédito
Práticos e seguros, “mas agora encarecem a compra e o câmbio só é conhecido na hora do pagamento da fatura”, lembra Felipe. “Além disso, sua reposição em caso de perda é demorada. É recomendado levar, mas apenas para casos de urgência”, aconselha.   |


Dinheiro

Possui IOF de apenas 0,38% e é prático para gastos rápidos, “mas se levado em grandes quantidades além de pouco prático para carregar e guardar, tem o risco de perda e roubo sem garantias”, alerta. Recomenda-se levar, mas em menor quantidade.

Travellers Cheques
Também são taxados em apenas 0,38% e são seguros, “pois requer assinatura do portador para uso e podem ser cancelados e substituídos se perdidos ou roubados. Mas ele lembra que são cada vez menos aceitos nos estabelecimentos comerciais e muitas vezes é necessário trocá-los em bancos.  “E bancos, definitivamente não são passeios turísticos interessantes”, brinca.

Visa Travel Money
“É hoje, a forma mais fácil, segura e econômica de levar dinheiro para gastos em viagens. O IOF é de apenas 0,38% e o câmbio é conhecido previamente, portanto já se sabe o quanto irá gastar. Não existe custo para emissão do cartão, nem anuidade. O cartão pode ser feito com até dias antes da viagem e recebido pelo viajante em casa, também sem custo. Saques podem ser feitos em qualquer caixa automático da bandeira Visa Plus e pagamentos em todos os estabelecimentos que aceitam os cartões Visa. Ambos são feitos através de senhas pessoal ou assinatura”, explica.

Para maiores informações, consulte a casa de câmbio mais confiável e próxima a você.

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2 Comentários em “Aumento da IOF”

  1. Alan Azevedo
    6 de abril de 2011 às 15:34 #

    Por isso!
    Eu acabei de receber a fatura do meu cartão de crédito com o valor das passagens da Eurail… só de taxa do uso do cartão deu 50 reais!
    Puta palhaçada!
    Pra onde vai esse dinheiro?

Trackbacks/Pingbacks

  1. Onde e como fazer compras pela internet « Lips Like Icing Sugar - 10 de abril de 2012

    […] a fatura do cartão! Não se esqueça que a IOF aumentou. Mais detalhes sobre isso, você lê aqui. O que você pode fazer é criar uma conta no Pay Pal, pode confiar, é super seguro. Assim, você […]

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