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Ricardo Darín

A sorte, os desafios e a versatilidade do ator argentino


por Verônica Gonçalves


O cinema argentino nunca mais foi o mesmo depois que o ator Ricardo Darín conseguiu fama internacional por seus personagens complexos e atuações intensas. Saiba como depois de 44 anos de performances ele conseguiu tanto destaque.

Bem-humorado, brincalhão e charmoso. Não é a toa que Ricardo Darín seja considerado o rosto do cinema argentino. Mesmo acumulando mais de 30 títulos em sua carreira, ele acredita que é imprudente considerá-lo dessa forma, porque na Argentina, a produção cinematográfica já atravessou diversas fases.

Exagero ou não, é inegável que as telonas não seriam as mesmas sem aqueles olhos azuis. Com 54 anos de idade e 44 de carreira, Darín acredita que seu sucesso é questão de sorte, ou seja, por acaso encontrou gente disposta a confiar nele e desafiá-lo. Aliás, ele adora um desafio! Quando um roteiro o encanta, topa o trabalho na hora, mesmo o diretor sendo estreante – na verdade adora trabalhar com estreantes.

Filho dos atores Ricardo e Renée Roxana, desde muito novo teve que enfrentar os dramas da profissão, como o medo do ridículo e só pensar na fama. Em casa a situação financeira era instável e ele aprendeu a aceitar qualquer trabalho com alegria. Aos 10 anos Darín começou no teatro com os pais e depois investiu em rádio, televisão e cinema.

O sucesso
Ricardo Darín é sinônimo de versatilidade. Sua trajetória engloba filmes dos mais diversos estilos, como policiais, suspenses, comédias e obras mais autorais de ritmo mais lento. Mesmo com essa bagagem profissional o reconhecimento só veio na década de 2000 com o policialNove Rainhas de Fabián Bielinsky. Este filme retrata a história de dois malandros que estão arquitetando o maior golpe de suas vidas. O público gostou tanto que os norte- americanos fizeram uma refilmagem mais fraca chamada 171.

Em 2001 a grande sensação foi à comédia ácida O Filho da Noiva. Com indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o personagem principal é um quarentão estressado que tenta administrar um restaurante, dar atenção ao filho e à sua namorada e ainda retomar o contato com a mãe.

Depois desse filme ele estourou. O curioso é que somente com o respaldo dos espanhóis os argentinos começaram a reparar em Darín. Depois de 2001 não faltaram homenagens, indicações ao Oscar, ao Goya, ao Festival de Valladolid (Espanha) e ao Festival Latino-americano de Biarritz (França).

Clube da Lua foi o filme premiado de 2004. Vencedor do Festival de Valladolid, a trama mostra o contraste de uma Argentina bem sucedida na década de 1940 e um país pós-crise financeira na década de 1990. Embora o argumento seja interessante, o filme peca por trazer um personagem sonhador demais que se torna derrotista, como se o sonho fosse incompatível com a rapidez do mundo capitalista.

Em 2007 resolveu dar mais um grande passo em sua carreira, arriscando a direção. Junto com Martin Hodara dirigiu o filme O Sinal, em que se podem notar características do estilo noir. A história tem como foco a ocorrência de um crime e a presença de uma figura feminina sensual e enigmática, dando contornos de suspense e erotismo ao mesmo tempo.

Em 2010, Darín conseguiu destaque em duas produções. El Baile de LaVictoria (que não chegou ao Brasil) foi indicado ao Goya de melhor ator coadjuvante e retrata um Chile pós-ditadura militar em que um prisioneiro decide se vingar dos abusos que foram cometidos durante o regime. Já O segredo dos seus olhos é um policial vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. O mundo se encantou com a fotografia impressionante e com a excelente direção de Juan José Campanella, que conseguiu extrair dos atores a essência dos personagens. A trama é focada nas lembranças de um aposentado oficial de justiça que resolve escrever um livro sobre um caso muito marcante em sua vida. O sucesso da obra foi tanto que Darín também foi indicado ao prêmio de melhor ator no Goya.

Além desses títulos, ganharam destaque às produções O mesmo amor, a mesma chuva (1999), Kamtchaka (2002), XXY (2007) e Abutres (2010).

Cinema na América Latina
Por ter iniciado sua carreira muito cedo Darín tem muitas opiniões sobre as características do cinema, tanto na Argentina quanto em alguns países vizinhos. Em entrevista recente à Globo afirmou que antigamente os diretores se viam obrigados a fazer filmes que tratassem apenas de questões sociais ou da realidade do povo. Isso pode ter afastado muitas pessoas das salas de cinema, entretanto, as novas gerações têm liberdade para explorar outras histórias e usar as questões sociais como plano de fundo.

Para o ator a América Latina desenvolveu algumas particularidades em seus filmes. A combinação de um humor irônico com uma sensibilidade criou uma identidade incomum para essa produção, fator que ele acredita ter sido responsável pelo Oscar de O Segredo dos seus Olhos. Atribui essas características diferenciadas a certa ingenuidade por esses países conhecerem a pouco tempo a democracia.

Em seus projetos está um Road movie com Walter Salles e Gael García Bernal e a vontade de tentar algum trabalho com Woody Allen mesmo receando que ele seja desagradável no set.

Esse cenário latino-americano pulsante, que traz tanto atores de altíssima qualidade como Ricardo Darín, quanto diretores capazes de extrair o melhor dos personagens como Campanella, pode inserir os países latinos no ranking das melhores produções cinematográficas mundiais.

 

 

 

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Categorias: Cinema

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