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Fotografia e Música: A arte de eternizar momentos

Por Álvara Bianca

“Fotografia é mais do que a arte de escrever imagens com a luz. É a arte de eternizar momentos, sorrisos, lágrimas, uma forma de desabafar para o mundo o que você está vendo e sentindo.” A partir das palavras de Tah, se pode traçar uma relação entre a fotografia e a música. Uma arte que transforma em eterno um momento, assim como a música que pode tornar-se atemporal. Um retrato da energia, de uma época que passa, mas deixa um registro no papel, no computador ou na memória.

No momento em que se visualiza uma imagem e remete diretamente a aquele momento, presente ou não, que foi preservado e está retratado. Várias são as fotografias que se tornaram clássicas, marcas de uma geração e que bastam com um simples olhar decifrar mais do que está ali expresso.

E o ato de fotografar bandas pode ser mais do que um trabalho, uma diversão. Estar ali ao lado dos grupos, acompanhando as turnês, em shows, com todas as suas adversidades e dificuldades para se conseguir uma boa imagem. É gratificante tanto para o fotógrafo como para quem vê aquela fotografia ali de um momento único, capitados em segundos que podiam passar despercebidos, mas estão eternizados.

No Brasil, o campo da fotografia é vasto, e dois exemplos de pessoas que optaram em trabalhar capturando momentos musicais são Luringa e Tah Costa. Ele já é uma referência no cenário musical, já trabalhou com várias bandas reconhecidas, como Fresno, NX Zero e Glória, ela é um jovem talento que está começando traçar o caminho da fotografia.

Tah Costa


“A fotografia é minha forma de comunicação com o mundo, uma forma de mostrar os seus sentimentos seja pela internet ou em uma exposição impressa. Essa é minha maior terapia, uma forma de relaxar e só deixar os pensamentos fluírem.”

Tamara Cristina ou simplesmente Tah, começou a se interessar por fotografia desde pequena. “Minha mãe sempre curtiu tirar aquelas fotos caseironas mesmo com aquelas câmeras de filme. E eu cresci vendo aquilo e curtindo também. Quando eu tinha uns 14 pra 15 anos, ganhei de presente de aniversário do meu irmão um celular com uma câmera de 2mp de resolução – o que na época era caro pacas, e eu comecei a fotografar tudo o que eu via pela frente e achava interessante. A primeira coisa que eu fotografei foi minha gata, Hannah, e minha cadela, Lili. No outro ano ganhei um notebook e comecei a pesquisar como melhorar as fotos, técnicas de edição e o que mais eu achasse relacionado à fotografia.”

Tah confessa que fotografar bandas é uma forma de trabalhar se divertindo: “Não sou muito boa com direção de modelos, sou um pouco tímida demais para fotografar pessoas que eu não conheço na rua e em um show o cara está ali colocando todo o sentimento dele pra fora só esperando pra ser fotografado no momento certo.”

Para se ter uma boa foto é necessário basicamente dois instrumentos: um bom olho e paciência para pegar o momento certo. “Equipamento fotográfico não precisa ser o melhor, basta você saber extrair o melhor do equipamento que você tem nas mãos. Não adianta nada você ter a melhor câmera do mundo, com as melhores lentes se você não faz a menor ideia para que serve tal botão.” E revela: “eu conseguia fotos muito boas com o meu celular.”

Não foi tão fácil conseguir os equipamentos profissionais, aos poucos foi adquirindo-os. “Bom, logo quando eu comecei a fazer o curso de fotografia comecei a trabalhar no IBGE. E o que mais me motivou a comprar o meu equipamento foi o fato de não ter no meu curso. Eu ia no centro quase toda semana para ver as câmeras e ficava vidrada na 50d e na 5d. Comecei a juntar meus salários do IBGE por 4 meses sem gastar nada, fui à loja que eu ia sempre para ver as câmeras e acabei comprando a 50d. Minha ansiedade de ter aquele monstrinho nas mãos não me deixou esperar mais alguns meses para pegar a 5d. No outro mês, eu peguei meu salário e comprei alguns acessórios como filtro uv, parassol, tripé. O flash comprei dois meses depois e no finalzinho do ano passado eu me dei um notebook de presente.”

Sair na rua com todo aquele equipamento é bem sossegado por causa do seguro. “Eu coloco tudo dentro da mochila e estou pronta. Acho engraçado quando vou pra casa de parentes e essas coisas, as pessoas não estão acostumadas com câmeras profissionais passeando a vista na rua e ficam com medo de assaltos e essas coisas. E eu sou tranquilona com isso, até por que não pago seguro para deixar meu equipamento trancado a sete chaves, é justamente para poder andar com um pouco mais de tranquilidade na rua.”

A maior dificuldade em fotografar shows é a iluminação, “que na maioria das vezes é precária, o que às vezes te deixa no mesmo patamar do público e como você é o fotografo, tem que assim mesmo ter criatividade e estudo suficiente para conseguir uma foto bacana.”

Já fotografou as bandas Evox, Kiara, Dilema, entre outras. Tirou algumas fotos em estúdio, mas o que curte mesmo é foto ao ar livre, por ter um pouco mais de liberdade quanto ao fundo que você quer. E com relação a iluminação ao ar livre é só ver o posicionamento do sol ao longo do dia. “Todo mundo que fotografa tem uma referência de imagens, a minha principal referencia é o Cesar Ovalle, mas eu curto alguns outros fotógrafos como o Orelha, Otavio Sousa e o Luringa.”

Tah, além de fotografar, gosta bastante de artesanato. “Sou meio zen de mais quando estou sem a câmera. Fico horas a fio dobrando papel pra fazer uma obra de origami modular, tanto que tem algumas pessoas que me chamam de origami por isso”, confessa.

Como fotógrafa está sempre procurando um novo (ângulo) ponto de vista. Isso ajuda a enxergar um pouco a sociedade? “Acho que a vida ajuda a enxergar melhor a sociedade. A fotografia ajuda no âmbito de deixar você com os olhos um pouco mais abertos para o que está acontecendo ao seu redor.”

“Quando eu fotografo vou com apenas uma ideia – captar cenas espontâneas e que me pareçam interessantes. Mas dentro disso penso muito com a câmera na mão, pois é com ela na mão que aparecem cenas inusitadas como uma piada entre os integrantes da banda. Gosto muito quando consigo com que a foto fale sozinha e sem legendas mostre o que o cara tava sentindo e até o ritmo da música.”

E finaliza: “Quero fotografar sentimentos, cenas que sejam agradáveis aos meus olhos e que eu ache que sejam agradáveis aos olhos dos outros.”

www.flickr.com/tahcosta ou www.tahcosta.tk

Luringa


Lourenço Fabrino, ou mais conhecido como Luringa, o fotógrafo de bandas de rock. Já fotografou Fresno, NX Zero, Stike, Glória, Dead Fish, For Fun entre outras. Um geminiano que ama fotografar e detesta editar.

Em sua própria definição: “Luringa é um cara louco, que fala palavrão, adora pegar mulher, não tem o mínimo de vergonha na cara pra nada, sincero pra caralho e se fode muito por ser sincero”.

Lourenço é o alter ego do Luringa, um lado mais baixa estima, que não é muito bom com as palavras e que só aparece quando está dormindo ou em casa com a família. “Às vezes se encontram na mesma pessoa.”

Ao longo da entrevista, se revela um marketeiro nato. Tem vários fãs-clube, seguidores, comunidades e acha muito legal todo esse assedio. E destaca: “quero cada vez mais fazer o Luringa ser uma marca”.

É mineiro, vive em São Paulo e nunca teve pretensão como fotógrafo. A primeira foto que tirou foi quando tinha quatro anos e fotografou a tia, que era fotógrafa mas não trabalhava com isso, descendo a escada.

Começou a fotografar em 2004 e profissionalmente só em 2007. Em um dia estava com uma câmera e aproveitou para tirar fotos de um show que ficaram muito boas. Foi tirando mais e mais fotos, trocou de câmera e tornou-se uma grande referência no cenário musical.

Chegou a trabalhar fixo com nove bandas ao mesmo tempo, às vezes dava conflito porque não podia estar em todos os lugares no mesmo instante. Trabalhou 4 anos e meio com a Fresno, e quando pediram exclusividade, resolveu sair e continuar com as outras bandas. “Foi meio uma estratégia de marketing, tudo o que construí em cima do nome foi em grande parte pela faculdade que fiz, Publicidade e Propaganda”.

Quando saiu da Fresno, há cerca de 4 meses, acabou liberando mais tempo para fazer outros trabalhos – começou a fazer vídeos. Com apenas R$ 1 mil filmou o clipe mais barato a entrar no Top 10 da MTV, “Vai pagar caro por me conhecer” do Glória. Já no clipe da Fresno, “Eu sei”, o orçamento foi bem maior, cerca de R$ 20 mil e também foi parar entre os 10 mais da MTV.

Já teve uma vida dupla: trabalhou no jornal Lance e no site Ofuxico, mas o que gosta mesmo é de fotografar bandas. Inclusive, já teve banda até 2008 onde tocou guitarra, baixo e até cantou, mas não deram certo. “Queria mais fazer a publicidade da banda. Nunca fui um bom instrumentista”, mas conta que às vezes brinca com os instrumentos das bandas. E a fotografia acaba sendo uma maneira de suprir a vontade de ser músico.

Desde que se entende por gente já sabia que queria algo relacionado com a música, seja tocando ou como rodie. “Queria viajar, pegar um monte de mulher.” E revela: “Quando era criança queria ser cientista, só que tinha que estudar muito, e como nunca gostei de estudar em uma escola, resolvi fazer a faculdade mais fácil. A faculdade que todo louco faz é Publicidade e demorei oito anos para terminar”.  Uma curiosidade é que Luringa foi expulso de todas as escolas em que estudou sempre com problemas de hierarquia.

A maior dificuldade de fotografar shows é a oscilação das luzes. “Quando você trabalha a mais tempo com uma banda fica mais fácil porque você já sabe o que vai acontecer no show, seguem o set list e você pega a manhã. E banda grande tem iluminador, o que facilita”, complementa.

Ser um fotógrafo já reconhecido não é uma tarefa fácil, já que alguns o procuram não só porque é um bom fotógrafo, “mas também porque conhece tal banda, gravadora. Se por no site vai ter várias visualizações. Acaba sendo uma porta de entrada. Tem gente que procura pelo nome que já é conhecido”.

“A minha paixão é fotografar show, ao ar livre, mais do que capa de CD, revista. O estúdio às vezes é mais cômodo, no calor de janeiro tem ar condicionado, o computador ali conectado. Mas é muito limitado, fundo branco, cinza.” Revela ainda que banda grande é melhor em estúdio porque tem mais postura: “banda nova às vezes trava porque sou eu que estou fotografando, sou amigos dos caras de outras bandas…”

Com um aproveitamento de 80%, é difícil escolher uma foto favorita, já são quase um milhão de imagens. Com os vídeos tem um próprio estilo, mas referências ajudam. “Assisto a muitos clipes, filmes dos melhores aos piores, vejo muita foto, Flicker de outras pessoas. Isso acaba dando um pouco de inspiração.” E ressalta: “a grande inspiração vem de mim mesmo.”

Fala da importância do videoclipe: “hoje em dia o clipe é a imagem da banda, leva ela para a mídia, senão não passa na MTV, no Multishow. É um material muito importante.”

Andando pelo parque do Ibirapuera em uma de suas habituais corridas de até 14 km, teve a ideia de fazer os workshops. “Quando ando penso muito, tive a idéia em 2009 para agregar mais nome e reconhecimento. Além de ser uma maneira de garantir a grana nos meses de janeiro e fevereiro, que são péssimos para quem trabalha com música.” Pensou a principio em 14 turmas e fechou o ano com 17.

Houveram algumas mudanças nos workshops que eram realizados em dois dias e passaram a ser em um só. Uma banda é convidada para ser fotografada, o que resulta numa divulgação ainda maior. Tanto que no workshop com o Glória as turmas fecharam em menos de um mês e com o Tavares, da Fresno, em menos de 14 horas.

Quem freqüenta os workshops é um mesclado, tem gente que vai só para tirar foto com o Luringa, outros vão para conhecer a banda, ou mesmo tem gente que gosta mesmo de fotografia. “Pode aprender muito no WS, se conhece pode aprender mais. Vai desde o leigo até o intermediário”, destaca o fotógrafo.

Diz para seus alunos: “Fotografia não existe regras, é uma arte. Está certo, está errado, está sem foco, depende do efeito que você quer criar.” Mais um ensinamento: “Não saia apertando o automático e dizendo que é fotógrafo. Tenha atitude, sem medo de errar, de fazer o que você pensa. Crie seu próprio conceito”.

Conta que às vezes pensa no ângulo, mas muita coisa sai no feeling, como pulo e careta. “Perde muito tempo se fica esperando uma pose”, diz. É difícil ser original, já que tudo tem ligação com alguma coisa e está sempre com as mesmas bandas. “As vezes os integrantes usam a mesma roupa em três shows consecutivos.” E complementa “Igual nunca vai ser, vai ser parecido”.

E finaliza: “A fotografia é o dom de você eternizar, passar uma energia. Você mostra a energia do momento”.

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Categorias: Atena, Fotografia e Artes, Música

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3 Comentários em “Fotografia e Música: A arte de eternizar momentos”

  1. 28 de fevereiro de 2011 às 12:57 #

    Um pecado vocês deixarem de falar de Marco Aurélio Olímpio, sugiro uma pauta especial com ele, pois ele é um monstro da fotografia de shows.
    para vocês conhecerem um pouco, segue o link

    Naná Vasconcelos

    http://imagensmusicais.com.br/
    um abraço!

  2. Arthur
    8 de março de 2011 às 20:42 #

    Boa a matéria sobre o Luringa, grande fotografo!!!
    Mas faltou uma pesquisa mais profunda sobre fotografos de show no cenário nacaional, uma dica é o site Fotografe Uma Ideia fez uma levantamento desses outros tantos fotografos telentosos que temos na cena hoje em dia.

    Abraço

  3. Jor Ferreira
    20 de outubro de 2014 às 7:14 #

    Olá bom dia, amei a postagem, a muitos anos trabalho com fotografia no entanto não sou profissional. Trabalho com uma semi, e meu maior sonho é possuir minha profissional e fazer algum curso.
    Por favor me ajude.
    Meu face Jor Ferreira
    O portal que trabalho Capitão de Campos Meio Norte
    Contato (86) 9518-0110

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