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Yakuza: A máfia dos gângsteres japoneses

Como a máfia oriental se diferencia das outras

Por Marjorie Okuyama

Todos sabem que ela existe, mas ao ouvirem o termo “Yakuza”, muitos que conhecem ao menos um pouco da sua história, encolhem os ombros e evitam ao máximo falar sobre ela.

“Blackjack” oriental

A máfia japonesa, Yakuza (pronunciada “Yakuzá) surgiu no início do século XVII nos principais centros do Japão, Osaka e Tóquio. Na época, mercadores, ambulantes, caloteiros e jogadores foram os primeiros a fazer parte da organização e a renda da máfia vinha da proteção oferecida aos estabelecimentos comerciais e de entretenimento, porém hoje eles operam em grandes empresas do mercado imobiliário e bancos. Como as máfias de outros países, aYakuza além de oferecer proteção, ela opera na movimentação econômica no país. Hoje, existem evidências de atividades realizadas no exterior relacionadas ao tráfico de armas.

Seria o termo “Yakuza” uma palavra edificante? Pelo contrário, ela surgiu a partir de um jogo de cartas chamado Sanmai Garuta, semelhante ao jogo de cartas “Blackjack” cujo objetivo é somar 19 pontos. Porém, no Sanmai Garuta, a soma de 20 pontos na sequência 8,9 e 3 determina a derrota., No jogo, “ya” seria a abreviatura de oito, “ku”de nove e “za”de três. Somados resultam em 20 pontos e neste jogo, quem somar 20 perde. O significado de Yakuza seria, portanto algo como perdedor ou derrotado.

O “oyabun” e as principais famílias

Os mafiosos são distribuídos por meio de clãs que são organizados por família, onde o pai e chefe é conhecido como oyabun. Todos devem total obediência e lealdade ao oyabun e em troca ele oferece proteção a todos de seu clã sendo sua palavra é sempre a final. Há yakuzas que possuem autonomia, ou seja, não são de nenhum clã. Particularmente, os autônomos têm dificuldade de agirem por conta própria e acabam prestando serviços de espionagem para os clãs que não desejam se envolver em alguma ação.

Uma curiosidade é que a maior família da Yakuza é a Yamaguchi-gumi criada em 1915 e atualmente com mais de 40mil membros sendo eles divididos em cerca de 750 clãs. Seu oyabun chama-se Kenishi Shinoda. Já a terceira família, Inagawa-kaï, é considerada importante, pois foi a primeira a operar fora do Japão.

Quanto a questão da mulher, elas não são bem vindas à máfia, os membros acreditam que elas não têm poder para lutar contra os homens e são fracas.Assim, elas poderia entregar os planos do clã quando capturadas pela polícia ou rivais. A mulher considerada mais importante e respeitada é a esposa do oyabun. E, se por ventura o chefe da família morre e ninguém que possa o substituir imediatamente, a esposa do oyabun quem assume temporariamente o comando.

Tatuagens e o código de honra de um yakuza

Particularmente, os membros da Yakuza são conhecidos pelas tatuagens que possuem espalhadas pelo corpo inteiro. Seria apenas uma questão de estética ou status?  As tatuagens são sinais de fidelidade e afirmação, como um voto de devoção à máfia. Como no Japão as tatuagens sempre foram atribuídas aos criminosos, pois para cada crime uma imagem estampada em seu corpo, talvez seja por esta razão que  a tatuagem ainda é vista como uma forma de marginalização do ser.  Carpas, dragões, flores, brasões de suas famílias, enfim, os membros da Yakuza costumam tatuar o corpo inteiro que se transforma numa armadura de simbolismos cercada de histórias.

Como toda máfia, obrigações devem ser cumpridas pelos membros da Yakuza. Entre elas, não esconder dinheiro da gangue, não procurar a lei ou a polícia e não violar a mulher ou os filhos de outro membro. O yubitsume é um ritual popularmente conhecido que consiste em cortar o dedo mindinho como um pedido de desculpas e profundo arrependimento. Outro ritual é o seppuku, originado do código de honra dos samurais consiste em suicídio através do desventramento e é considerada a penalidade mais séria por um erro cometido.

Honra, respeito e lealdade

Segundo o livro “Um retrato do Japão, do jornalista Oswaldo Peralva, a grande diferença entre a máfia japonesa e as outras máfias espalhadas pelo mundo é que seus membros não fazem questão de se esconder da sociedade e de negar suas atividades. Pelo contrário, além de serem reconhecidos pelas tatuagens, eles usam óculos, ternos chamativos e seus estabelecimentos são identificados como o nome do clã ou o seu brasão. Os membros da Yakuza se consideram herdeiros espirituais dos samurais que eram nobres e tinham um código de honra.

A cultura oriental sempre foi muito reservada, por esta razão há muitos fatos que ocorrem na esfera dos próprios yakuzas e na disputa entre clãs e o cidadão comum acaba ficando fora do ocorrido. Filmes como “Chuva Negra” e “Operação Yakuza” acabam mostrando alguns códigos de honra e rituais, porém não muito aprofundado.

Embora algumas pessoas se mostram receosas e apreensivas, o código de honra e a ética dos membros da Yakuza ainda são admirados.. No cinema e até em jogos de vídeo-game, eles são tratados como discípulos dos samurais que ainda possuem honra, respeito e lealdade. E até que se prove o contrário, é desta forma que eles são tratados.

 

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Categorias: Ásia, Especial, Internacional

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2 Comentários em “Yakuza: A máfia dos gângsteres japoneses”

  1. 11 de junho de 2011 às 22:08 #

    Ficou animal!

  2. 8 de novembro de 2012 às 18:50 #

    Sou mulher em minha cidade brigo ate com homens não tenho medo e gostaria de fazer pati desa marfia

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