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A máfia italiana é fatta cosi


Érica Perazza

“Cortadas as orelhas com as quais ouviu onde o boss estava escondido, quebrados os pulsos com que moveu as mãos para receber o dinheiro, arrancados os olhos com que viu, cortada a língua com a qual falou”.
(Gomorra, Roberto Saviano)

O jornalista italiano Roberto Saviano desfaz a imagem estereotipada dos mafiosos vistos nos filmes O Poderoso Chefão de Fracis Ford Coppola, Pulp Fiction de Quentin Tarantino e até mesmo Mickey Olhos Azuis com Hugh Grant.
Saviano infiltrou-se na mais violenta máfia italiana, a Camorra e conta a realidade a sangue-frio em seu livro-reportagem, Gomorra (2006, Bertrand Brasil). Sem efeitos especiais e glamour hollywoodiano, ele traça um perfil dos chefes dos clãs aos seus subordinados, descreve como são encontrados os cadáveres deixados na imundície infernal de Nápoles e fornece dados que nenhum jornalista antes teve coragem de dizer. Sua obra obteve mais de 2 milhões de cópias vendidas no mundo todo. Roberto Saviano esteve presente desde a chegada as mercadorias contrabandeadas que chegam no porto de Nápoles, a manufatura de roupas de grife que famosas como Angelina Jolie usam no tapete vermelho, na exploração dos empregados e na guerra do narcotráfico, que é o principal comércio nos clãs. Segundo suas apurações, “um quilo de coca para o produtor custa mil euros, mas quando chega no atacadista já custa 30 mil euros. Trinta quilos se transformam em 150 quilos depois da primeira mistura: um valor de mercado de cerca de 15 milhões de euros. E, se a mistura é ainda maior, com três quilos podem ser obtidos 200 quilos. A mistura exerce um papel fundamental. Ela é basicamente de cafeína, glicose, manitol, paracetamol, lidocaína, benzocaína e anfetamina. E algumas vezes também de talco e cálcio para os pobres, quando a emergência assim exige. A mistura determina a qualidade, e a mistura malfeia causa morte e atrai a polícia, prisões e obstrui a artéria do comércio.”Saviano relata conversas entre os mafiosos, tiroteios, guerras, prisões e mortes no seu livro, que acabou custando sua liberdade. Baseado na obra, há ainda o filme de mesmo nome o qual venceu o prêmio Grand Prix no Festival de Cannes em 2008.

Os primórdios

Máfia são organizações criminosas ocultas denonimadas “clãs” que se infiltram tanto na sociedade como nas instituições do Estado e empresas. Hoje estão presentes desde o sistema financeiro à política. Suas origens remetem a uma volta no tempo, na Itália medieval.

Os seus primeiros membros são originalmente lavradores arrendatários de terras pertencentes senhores feudais, que  pretendiam dividir essas terras e logo começaram a depredar o gado e as plantações. Para evitar tal vandalismo, era necessário fazer um acordo com eles.

Mas suas formações se consolidaram depois da queda do império Romano e as invasões bárbaras no século V, a península italiana fragmentou-se em estados independentes. Durante o século IX, a Sicília estava ocupada pelos árabes e os sicilianos oprimidos, começaram a buscar refúgio nas montanhas das redondezas. Assim, formaram uma “sociedade secreta” visando unir as pessoas contra os invasores e opressores árabes e normandos e claro, a proteção de suas famílias.

Porém, a intenção original de criar organização baseada em laços familiares mudou-se conforme o tempo.

Após dois séculos de domínio de reis Lombardos (568-774), o franco Carlos Magno passa a dominar a península e é coroado imperador romano pelo papa em 800. Parte da Itália, entre os séculos XII e XIII, é controlada pela dinastia germânica Hohenstaufen. É nessa época que Milão, Pisa, Gênova e Florença surgem como poderosas cidades-estado. Logo, os séculos seguintes marcam o apogeu do Renascimento italiano, influenciando as artes e a cultura européia.

E foi a partir do século XVIII que as organizações começaram a apresentar traços criminosos. Nos anos de 1700, quadros representado uma mão negra eram distribuídos para as pessoas mais ricas da região como um aviso de que se elas não contribuíssem financeiramente, ficariam sujeitas a raptos e assassinatos.

Com a unificação da Itália em 1860, as sociedades secretas se encaminharam em direção a máfia que conhecemos atualmente, através do monopólio da violência que substituía os poderes do Estado. A máfia siciliana passou a controlar a maior parte da zona rural local, pois nesse período, os latifundiários perderam o direito de ter milícias privadas e assim foramaram grupos armados para manter-se uma tanto que  secretamente, aestabilidade das relações econômicas entre camponeses e patrões.

Don Rafael Palizollo, em 1876, começou a enraizar a máfia na Itália, tornando-a iminente. Ele concorreu a um cargo político na Sicília e para ser eleito, ameaçava eleitores com uma pistola. Após eleito, ele nomeou Don Crispi, outro mafioso, como primeiro-ministro e juntos controlavam os recursos locais e da máfia. Primeiro tomaram as administrações locais, em seguida a magistratura e os órgão de segurança.

Apesar dessa violência toda, os clãs compostos e liderados por famílias mafiosas, cultivam valores tradicionais de honra, fidelidade e respeito aos laços de sangue. O novo membro deve prestar um juramento solene da maçonaria e dos carbonários. Além disso, a máfia possui suas próprias leis e códigos, por isso não respeitam ou se quer aceitam um poder externo interferir.

As máfias mais conhecidas no país, além da napolitana Camorra, são a siciliana Cosa Nostra e a ‘Ndrangheta, da Calábria.

  • Para mais informações

Clique aqui e assista uma entrevista feita pela Globo News, na qual Saviano conta como é sua vida após a repercussão de sua obra.

 

Leia Roberto Saviano, a morte em vida e a sonhada primavera.

Assista ao trailer do filme GOMORRA

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Categorias: Curiosidades, Educação e História, Especial, Europa

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