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Raymond Williams

Por José Faro

Saio das férias desembarcando da leitura do livro de Maria Elisa Cevasco, Para ler Raymond Williams. A obra é de 2001 e resulta da tese de livre-docência da autora, mas os dez anos que a separam desse meu contato não diminuem em nada a atualidade da interpretação que Cevasco faz do pensamento do professor que fundou a disciplina dos Estudos Culturais, provavelmente uma das mais enriquecedoras contribuições teórico-metodológicas para o pensamento contemporâneo. Meu interesse pelas reflexões de Williams ampliou-se nos últimos meses por conta do curso que pretendo oferecer  neste semestre e que aborda a natureza das narrativas híbridas que reproduzem, na Publicidade e no Jornalismo, as construções simbólicas do cotidiano. O livro de Maria Elisa, nesse sentido, não poderia ser mais pertinente.

De todo o conjunto da obra, o momento que me parece mais rico é o da análise que a autora faz do texto Culture is Ordinary que Williams produziu em 1958: a apropriada distinção entre os dois sentidos do conceito de Cultura com os quais ele trabalha – o da designação de “todo um modo de vida – os significados comuns” e o da designação das “artes e do aprendizado – os processos especiais de descoberta e esforço criativo”, de onde emerge a intersecção possível da crítica literária e da própria Literatura como instrumento de cognição e de demonstração da realidade social. Diz Cevasco que “Pensar a criatividade como ordinária, equivale a ver a arte como uma especificação de um processo geral de descoberta, criação e comunicação, redefinindo seu estatuto e encontrando a maneira de ligá-la à vida social”.

A referência vem a propósito de uma recorrente dificuldade que percebo em tentar ampliar a discussão em torno das determinações presentes nos processos comunicacionais que aparentemente situam em polos distintos e antagônicos a informação e o público, eixo em torno do qual pretendo desenvolver o curso programado para este ano. Mais que isso, no entanto, a reflexão de Williams também nos leva a rejeitar a ideia de um “texto” estruturado de forma autônoma e isolada, capaz e ser lido a partir de uma suposta imanência interior – que inviabilizaria qualquer correlação sua com a dinâmica cultural do todo social. Vou recomendar a leitura do livro de Cevasco como introdutória, mas esse é um capítulo da Sociologia que deveria estar presente em disciplinas básicas nos cursos de Comunicação…

Saiba mais sobre as opiniões de José Faro aqui

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