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Hades

Passe proibido

O protesto do  Movimento Passe Livre de São Paulo contra a nova tarifa dos ônibus da cidade

Juliane Freitas

Ato na Avenida Paulista no dia 20 de janeiro

Desde de 5 de janeiro deste ano a tarifa dos ônibus de São Paulo passaram a custar R$3,00. Essa foi uma medida implementada pelo atual prefeito Gilberto Kassab para, segundo o Secretário de Transportes Marcelo Branco em entrevistas,  equilibrar as gratuidades do transporte coletivo na capital – idosos, deficientes e meia tarifa dos estudantes – com porcentagem de aumento superior à da inflação de 2010 (11% contra 5, 9%).

A cidade está sendo bombardeada por panfletos, pichações e outros tipos de manifestações contra o aumento da passagem.

O Movimento Passe Livre , movimento social independente, que desde 2005 protesta pelo fim da cobrança de tarifas no transporte público, é responsável por organizar passeatas reunindo centenas de jovens.

A primeira delas aconteceu no dia 13 de janeiro, com concentração no Teatro Municipal. Os manifestantes foram repreendidos pela polícia com gás de pimenta e balas de borracha.

Sobre o assunto, o Major Wagner Rodrigues declarou por telefone que a Polícia Militar respeita o direito constitucional de manifestação e que inclusive tem a responsabilidade de assegurá-lo, garantindo a ordem pública. Justifica a repressão policial como reação de exageros cometidos pelos manifestantes, que não podem interditar a via pública.

O major nega, no entanto,  os números de detidos e feridos alegados pelo Movimento Passe Livre (31 e 10 respectivamente), alegando que quatro pessoas foram detidas e três feridas no ato ocorrido na região da República.

Para que polícia e manifestantes possam agir em harmonia, o Major avisa que o órgão deve ser avisado com antecedência, para que haja desvio do tráfego e segurança no local.

Um segundo ato, de maior magnitude, aconteceu no último dia 20, na Avenida Paulista. Dessa vez, o ato prosseguiu tranquilamente. Milhares de jovens cantaram em coro e levando cartazes pela avenida mais famosa da cidade em pelo horário de pico.

Uma próxima passeata está marcada para acontecer na tarde de hoje (27/01), com concentração no Teatro Municipal às 17 horas.

Leia a seguir entrevista realizada por e-mail com Lucas Monteiro, do Movimento Passe Livre São Paulo.

Pandora:  O movimento Passe Livre já vem a bastante tempo articulando processos para melhoria do transporte, principalmente para os estudantes.
Quais foram os meios de divulgação desses atos e como vocês enxergam a forte aderência dos jovens?

Movimento Passe Livre : O MPL faz ao longo do ano um trabalho em escolas de Ensino Médio, no qual discutimos a importância do transporte em nossas vidas e como ele deve ser enxergado como um direito. Afirmamos, assim, a necessidade de lutar coletivamente por mudanças no transporte.
Logo que o aumento de tarifas começou a ser pensado (em setembro de 2010)
começamos a pautar este tema em nossas atividades em escolas, fortalecendo
uma base social de estudantes contra o aumento de tarifa. Também utilizamos para a convocação dos atos rede sociais como o Facebook.
Cabe lembrar que quando a população barrou os aumentos de tarifa em
Florianópolis e Vitória, grande parte dos manifestantes eram jovens.

O primeiro ato, organizado para acontecer na República, sofreu
forte repressão policial. A que se deve isso? A polícia militar estava
ciente de que haveria no local uma manifestação?

Desde o início da manifestação do dia 13/01 procuramos estabelecer um
diálogo com a Polícia, informando a eles o trajeto de nossa manifestação.
Porém com a chegada do Tenente Siqueira, da Força Tática, este diálogo
tornou-se muito difícil. Quando chegamos na Praça da República a Polícia
tentou – sem sucesso – liberar uma das faixas da avenida, neste momento a
Polícia deteve um manifestante e usou isto como pretexto para utilizar
spray de pimenta, balas de borracha, bombas de gás e de efeito moral nos
manifestantes. Mesmo após a dispersão da manifestação os policiais
continuaram a perseguir os manifestantes e detiveram, no total, 31
pessoas, e deixaram, ao menos, 10 feridos.

Além desses atos, existem outras ações para o
combate do aumento da passagem desenvolvidas ou idealizadas por vocês?

Estamos nos articulando com comunidades para a realização de atos locais,
e conversando com parlamentares para que realizemos uma audiência pública
com o secretário de transportes.

Os manifestantes são vistos por parte da sociedade como
baderneiros. Como vocês encaram esse tipo de preconceito?

Achamos que este preconceito é uma construção ideológica, as pessoas são
educadas para não participarem ativamente da política. Esta participação
ativa é por vezes algo mal visto, porém é só com ela que conseguiremos
mudanças sociais, então é fundamental romper este preconceito.

O ato de ontem, na Avenida Paulista foi, aparentemente, um
sucesso. Quantas pessoas estavam presentes? O que vocês esperam como resultado de todas essas ações? Quais são os planos futuros do movimento?

Foi a maior manifestação contra o aumento de tarifa em São Paulo, reunindo
cerca de 4 mil pessoas. O MPL pretende continuar com ações para barrar o
aumento como o ato de quinta-feira dia 27/01 em frente ao Teatro
Municipal. Entendemos que todo aumento de tarifa, aumenta a exclusão
social e enquanto permanecer a lógica atual do transporte coletivo, que é
organizado para o lucro, a exclusão continuará, por isto defendemos um
transporte realmente público, que não seja pago mediante tarifa.

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Categorias: Hades, São Paulo, Uncategorized

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