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Uso de pele animal invade as passarelas do Rio de Janeiro gerando polêmica


Por Marjorie Okuyama

Não é de hoje que o uso de pele animal é descriminado por órgãos ambientais e por modelos que defendem a causa. O assunto se tornou destaque já no início de 2011. Direto das passarelas cariocas, a Fashion Business, evento paralelo à Fashion Rio, exibiu no desfile de três estilistas, pele de animais como raposa, coelho, cabra e chinchila. 

Protestos realizados em novembro do ano passado conhecido como, “Sexta-Feira Sem Pele” ocorreram em Porto Alegre e São Paulo, mas não teve muita repercussão, pois no Brasil o uso de pele não é tão comum. Assim que chinchilas, e raposas em forma de casaco invadiram as passarelas, a Sociedade Mundial de Proteção manifestou sua indignação em relação ao ocorrido uma vez que o inverno no Brasil é ameno e não há razões para os brasileiros usarem casacos deste estilo a não por estética. Ativistas como a presidente do Instituto Nina Rosa ficou chocada quando viu as peças num país tropical. Na opinião dela, os estilistas deveriam utilizar materiais que valorizassem a origem do país e mantivessem a sua identidade cultural.

Mas afinal, você sabe com quantas chinchilas se faz um casaco?

Se tratando de negócios, o Brasil é o segundo maior produtor de pele de chinchilas perdendo apenas para nossa vizinha, a Argentina. Cerca de 500 fazendas abatem em torno de 40 mil peles por ano.

O argentino Carlos Perez, 64 anos, mora no Brasil há 40 anos e é responsável por criar chinchilas. Mas estes animaizinhos de meio quilo não vão para a gaiola de seu filho tornando-se um bicho de estimação querido pela família e sim para o closet da alta roda mundial. Dono da empresa “Master Chinchila”, Carlos Perez alega que faz tudo dentro da lei e possui todas as autorizações e licenças ambientais para o abatimento. Com direito a gaiolas individuais, ambiente climatizado por equipamentos de ar condicionado, ração especial, água filtrada e banho de bicarbonato de sódio, o Sr. Perez garante que suas chinchilas não sofrem, nem na vida, nem na morte e garante que elas têm do bom e do melhor. Ele diz que a pele de chinchila não é a mais cara do mundo, porém o casado feito dela sim. Uma pele de altíssimo padrão. ou seja, graúda, com pelos longos e sem falhas, pretos no dorso e branco na barriga, vale 80 dólares americanos. Já um casaco de chinchila, na altura dos joelhos consome cerca de 200 chinchilas e o preço pode variar entre US$15mil a US$70mil.

Alguns criadores antes do abatimento adormecem a chinchila com éter, mas Carlos Perez não tem tempo para isso uma vez que chega a abater cerca de 200 chinchilas por dia. Ele explica passo a passo do procedimento: segura a chinchila pelo rabo, deixando-a de cabeça para baixo, depois pega seu pescoço e vira para cima formando um ângulo de 90º. Com um tranco, a medula e seccionada de forma rápida e indolor e ela morre instantaneamente. Mas segundo Ingrid Eder, gerente de campanha da Sociedade Mundial de Proteção Animal, não há morte indolor, algumas chinchilas são eletrocutadas e outras têm o pescoço deslocado, mas agonizam conscientes, enquanto a pele é retirada.

E que tal comer um churrasco de carne de chinchila? Pois é, depois que a pele é retirada, os criadores do sul do país fazem churrasco com a carne do animal. Lastimável.

Celebridades e a moda no Brasil

Celebridades nacionais e internacionais apóiam ou não o uso de pele animal. Certa vez, Clodovil Hernandes quis lançar uma linha de sandálias de tiras de pele de chinchila, mas a ideia foi rejeitada pela Versace.

A modelo Fernanda Tavares se tornou em 2003 a garota-propaganda dos direitos dos animais. A übermodel, Gisele Bundchen também é contra o uso de peles. Já a cantora norte-americana, Madonna é a celebridade que mais usa pele de animais. Victoria Beckham aposta no uso de pele falsa e a estilista Stella McCartney adota uma causa contra o uso de pele animal.

Algumas pessoas são a favor do uso em países onde o frio é extremo, mas tornar-se moda no Brasil é desnecessário. Não há necessidade e aqueles que adquirem valorizam somente a estética do produto. Valorizar o clima tropical, manter a identidade verde-amarela e ver raposas e coelhos nas florestas brasileiras é muito mais bonito do que vê-los nas passarelas em forma de casaco.

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Categorias: Atena, Curiosidades, Moda

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