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A verdadeira alma do negócio

Até que ponto a publicidade pode chegar para alcançar seus objetivos

Por Marjorie Okuyama


“Estamos apresentando…”, a chamada indica que os comerciais vão começar. Carros top de linha, cremes que deixarão seus cabelos lindos e sedosos, a cerveja que desce redondo, a banda larga skavurska invadem todos os dias a televisão de milhões de espectadores. A indústria televisiva domina o mercado da publicidade detendo 56,1% de suas verbas. Como um poder invisível, propagandas seduzem o telespectador despertando o desejo de consumo.

Para algumas pessoas, a publicidade passa despercebida. Para outros ela é vista como entretenimento e o principal alvo acaba sendo as crianças. Por esta razão, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou em 10/07/2008 um projeto de lei que proíbe qualquer forma de propaganda voltada para crianças de até 12 anos.

Alvo: crianças

Segundo o IBGE, a criança brasileira é a que mais assiste TV no mundo: 4 horas, 51 minutos e 19 segundos. A partir do documentário “Criança, a Alma do Negócio” é possível analisar que através das crianças, a publicidade encontrou um meio de chegar aos pais e desta forma atingir o seu objetivo. Uma vez que os pequenos são movidos apenas pela emoção, ao ver aquele tênis do super herói, ele passa a desejar aquele objeto. Consumir fará com que ele seja facilmente aceito em um grupo chegando a causar inveja. Portanto, brinquedos, roupas e acessórios são considerados símbolos de poder e adquiri-los, se torna um meio fundamental para a integração na sociedade.

Hoje a mídia é o primeiro fator na construção da subjetividade e dos valores, já não são mais as instituições como a família, a escola ou a Igreja. As crianças têm contato diário com a publicidade seja no comercial do desenho animado ou até pela internet e muitos pais acabam sendo vencidos pelo cansaço e realizando o desejo do filho.

A partir do entretenimento é possível fazer uma conexão com outros segmentos, como na alimentação infantil. Além de protagonizarem filmes e desenhos, alguns super-heróis estão presentes nas embalagens de produtos alimentícios. Segundo a ANVISA, cerca de 80% da publicidade de alimentos dirigidos às crianças são de alimentos calóricos, com alto teor de açúcar e pobre em nutrientes. Desta forma os pequenos, devido a sua ingenuidade são alvos fáceis para a publicidade e ainda acabam prejudicando a sua saúde.

Alvo: adolescentes

Os adolescentes também são facilmente induzidos por propagandas principalmente relacionados à bebida alcoólica, por exemplo. Estudos mostram associações importantes          entre as propagandas de bebidas e o consumo de álcool entre os jovens. O estudo realizado durante anos dividiu o jovem por faixa etária. Apreciar propagandas de cerveja aos 18 anos fazia com que eles bebessem mais, entre os 10 e 17 anos, gostar das propagandas e assisti-las com maior freqüência associou-se com a expectativa de beber no futuro. Meninos especialmente de 10 a 13 anos sentiram que a propaganda de álcool despertava curiosidade e os encorajavam a beber.

Alvo: adultos

A publicidade não tem muita influência para os adultos que automaticamente já se adaptaram a este bombardeio de mensagens publicitárias e se preocupam mais com questões profissionais ao invés de consumir para adquirir status. Talvez esta seja a razão pela qual o adulto já não é um alvo de grande interesse.

Até onde vai o limite da publicidade?

Alguns países já possuem uma regulamentação da publicidade. A Inglaterra, por exemplo, proíbe a propaganda de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal durante programas de TV para público menor de 16 anos. A Áustria proíbe qualquer publicidade nas escolas. Na Grécia o controle é ainda maior. É proibida a propaganda de brinquedos das 7 às 22 horas.

Mas afinal, até onde vai o limite da publicidade? A sua função sempre será vender o produto sem a obrigação de ter um compromisso com a realidade e sim com o seu contratante. O publicitário utilizará da sua criatividade e usará todas as suas armas para cumprir com seu objetivo.

Fato é que a publicidade deve ser mais responsável, menos apelativa e assim manter um compromisso ético com o consumidor para que ele tenha consciência de seus atos na hora de comprar. Quando isso irá acontecer talvez seja uma pauta para outro especial TV.

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Categorias: Especial

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